Whole Foods Market prevê tendências de alimentos e bebidas para 2027


O Whole Foods Market prevê que a origem dos alimentos, a culinária japonesa de inspiração europeia, os ingredientes ligados à saúde da pele e os sabores amargos estarão entre as tendências de alimentação em 2027. As projeções foram divulgadas no relatório anual da rede de supermercados norte-americana e se baseiam na pesquisa de seu Conselho de Tendências, formado por funcionários envolvidos na seleção de produtos, compras e culinária.

O levantamento também aponta mudanças na forma de aproveitar ingredientes, maior presença de feijões e outras leguminosas e a preferência por produtos com listas menores de ingredientes. Segundo o Whole Foods Market, essas tendências podem aparecer em restaurantes, supermercados e cozinhas domésticas.

Origem, simplicidade e reaproveitamento

O interesse pela procedência dos alimentos deve continuar crescendo, com atenção a indicações geográficas e produtos associados a características específicas de uma região. O relatório cita azeites extravirgens de uma única propriedade, queijo Parmigiano Reggiano de fazendas selecionadas de Parma, na Itália, e frutos do mar cujo sabor é influenciado pelo ambiente oceânico — conceito chamado de “merroir”.

Para Cathy Strange, embaixadora da Cultura Alimentar do Whole Foods Market e integrante do Conselho de Tendências, clima, umidade e solo ajudam a criar sabores próprios de cada lugar. Ela afirma que algumas práticas agrícolas e receitas atravessaram milhares de anos e ainda expressam as características de seu terroir, termo usado para descrever a influência do ambiente na produção de alimentos.

Outra previsão é a expansão do minimalismo de ingredientes. Com a preocupação dos consumidores com aditivos e alimentos ultraprocessados, listas mais curtas passam a ser vistas como um sinal de qualidade. Fabricantes simplificam fórmulas, enquanto aplicativos e programas de certificação tentam ajudar na escolha de produtos. O Whole Foods Market afirma que seus padrões já proíbem mais de 300 ingredientes alimentícios. Entre os exemplos de produtos citados no relatório estão a manteiga de pistache da rede e barras de castanhas e sementes da Simple Mills.

O conceito de desperdício zero também deve ganhar uma abordagem mais ampla, baseada em sistemas circulares que aproveitam recursos e reduzem o envio de resíduos a aterros. A Wasted Pasta transforma pães não utilizados por padarias em massas secas; a Renewal Mill usa subprodutos, como polpa de aveia, em ingredientes para panificação; e a Graza aproveita o bagaço da azeitona em seu óleo culinário Frizzle. O relatório também menciona iniciativas de reabastecimento de embalagens, venda a granel e parcerias de economia circular.

Novos sabores e combinações

A culinária yōshoku, que surgiu no século 19 a partir da adaptação de pratos europeus ao paladar japonês, deve chegar a mais produtos de supermercado. O relatório relaciona a popularidade do tema a publicações sobre konbini, lojas de conveniência japonesas, e a vídeos de pratos como omurice, omelete recheada com arroz, e shio pan, pão salgado japonês. O matcha é outro exemplo de ingrediente presente em diferentes produtos. A rede cita ainda seu pão de leite ao estilo japonês, que viralizou após o lançamento em 2025.

O Whole Foods Market também prevê a reinvenção de pratos conhecidos por meio de combinações e formatos novos. Entre os exemplos citados estão birriamen, que combina ramen com birria, tacos de smash burger e focaccia de rolinho de canela. Nos supermercados, a tendência aparece em itens como frango Alfredo com limão e missô e sorvete de arroz glutinoso com manga. A rede também oferece, segundo o relatório, pizza de elote mexicano, sopa de shawarma de carne bovina e lasanha de frango ao estilo Buffalo.

Os sabores amargos devem aparecer tanto em bebidas quanto em alimentos. A previsão inclui coquetéis sem álcool inspirados nos amari italianos e chocolates com ingredientes como pólen de erva-doce, estragão, açúcar queimado, raiz de alcaçuz, cinzas e quinoa. Nas seções de hortaliças, a rede observa maior oferta de radicchio, endívia, escarola, brócolis-rabe e folhas de dente-de-leão.

Nutrição e ingredientes integrais

O relatório identifica uma aproximação entre alimentação, suplementos e cuidados com a pele, chamada de “beautrition”, combinação dos termos em inglês para beleza e nutrição. Consumidores buscam ingredientes com colágeno, antioxidantes, gorduras saudáveis e componentes associados à hidratação. Entre os produtos citados estão geleias de colágeno em porções individuais, gomas voltadas à aparência da pele e doses de azeite. A tendência também inclui alimentos como cenoura, repolho, pepino, ostras e sardinhas enlatadas.

Feijões e outras leguminosas devem ganhar espaço como ingredientes principais, em parte pela procura por proteínas e fibras de alimentos integrais, além de opções acessíveis. Refeições instantâneas à base de lentilha e lanches de grão-de-bico, edamame e tremoço estão entre os produtos mencionados. O relatório cita ainda clubes de assinatura de feijões criados por Rancho Gordo e SIMPLi.

Strange afirma que as previsões refletem mudanças na alimentação, incluindo curiosidade sobre a origem dos produtos, abertura a sabores amargos e inesperados e retorno a ingredientes simples. Para ela, ideias que ainda eram emergentes estão passando a integrar as cozinhas do dia a dia.

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