Ibovespa recua 1,06%, com queda da Vale e alta da Gerdau


O Ibovespa caiu 1,06% nesta quinta-feira (29), para 169.186,42 pontos, em seu quarto pregão consecutivo de baixa. O índice perdeu 1.819,68 pontos no dia, pressionado por incertezas sobre as contas públicas brasileiras após as eleições, pelo recuo das ações de bancos e pelas perdas nas bolsas dos Estados Unidos.

Desde o fechamento da sexta-feira (23), o principal índice da B3 acumula queda de 17,50%, equivalente a 35.896,14 pontos. O movimento levou o indicador ao menor nível desde 20 de agosto. No câmbio, o dólar comercial subiu 0,89%, a R$ 5,387, interrompendo uma sequência de duas sessões de desvalorização.

Incerteza fiscal e juros no exterior

A pressão sobre a Bolsa brasileira se intensificou depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, diante da falta de definições sobre as medidas fiscais para o próximo mandato. A ausência de clareza sobre a trajetória das contas públicas aumentou a cautela dos investidores.

Nas semanas anteriores, parte da valorização do mercado havia sido sustentada pelo chamado trade eleitoral, estratégia em que investidores montam posições apostando em determinado resultado político. Após a eleição, algumas dessas operações foram desfeitas, contribuindo para o recuo dos ativos.

O cenário internacional também pesou. Nos Estados Unidos, o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), registrou alta anual de 3,6% em setembro. O resultado ficou acima da meta de 2% da autoridade monetária.

Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) americano cresceu 3,4% no terceiro trimestre. A combinação dos dados reforçou as dúvidas sobre a possibilidade de cortes de juros e as expectativas de que as taxas permaneçam elevadas por mais tempo. Os juros futuros brasileiros subiram em toda a curva, refletindo preocupações com a inflação e com as perspectivas para a política monetária.

Bancos e ações de empresas

As ações de bancos ficaram entre as principais pressões sobre o Ibovespa. Bradesco (BBDC4) recuou 3,54%, após uma nova revisão negativa de recomendação. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,97% e Itaú (ITUB4) perdeu 0,60%. Santander (SANB11) foi exceção no setor, com alta de 1,19%.

Entre as empresas de commodities, Vale (VALE3) teve queda de 2,17%, apesar da valorização do minério de ferro. O recuo ocorreu na sessão anterior à divulgação do balanço da mineradora referente ao terceiro trimestre. Petrobras (PETR4) também fechou no vermelho, com baixa de 0,59%, acompanhando a queda dos preços internacionais do petróleo.

Ambev (ABEV3) caiu 4,40%, mesmo após divulgar lucro acima das expectativas no terceiro trimestre. O desempenho mais fraco do segmento de cervejas no Brasil pesou sobre a avaliação dos resultados. Já Gerdau (GGBR4) avançou 5,69%, depois de apresentar seu balanço e receber elevação de recomendação por analistas. A alta destoou do desempenho negativo predominante no mercado. Motiva (MOTV3) recuou 1,59%, apesar de ter recebido recomendação de compra.

Bolsas americanas também recuam

As bolsas de Nova York fecharam em queda, sob pressão dos balanços de grandes empresas de tecnologia e dos indicadores econômicos dos Estados Unidos. No setor, as preocupações com os investimentos em inteligência artificial pesaram sobre as ações. A Alphabet esteve entre os destaques negativos, diante dos gastos elevados com infraestrutura e desenvolvimento de chips.

Na sexta-feira (30), investidores acompanhariam a divulgação da taxa de desemprego no Brasil e de indicadores econômicos na Europa. A B3 não teria negociações na segunda-feira (2), por causa do feriado de Finados.

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