IIF: estrangeiros foram compradores líquidos de ações apesar de vendas pós-eleição


Investidores estrangeiros venderam US$ 2,4 bilhões líquidos em ações brasileiras nas duas semanas seguintes às compras concentradas no início de outubro, revertendo pouco mais da metade dos aportes feitos na primeira quinzena. As saídas se intensificaram depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de outubro, e refletiram, em parte, a redução de posições abertas após o primeiro turno, segundo dados do Instituto de Finanças Internacionais (IIF).

Compras fortes no início do mês

Os não residentes compraram cerca de US$ 4,2 bilhões líquidos em ações brasileiras na primeira metade de outubro. O movimento ocorreu depois que o candidato de direita Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno. Em 5 de outubro, os aportes chegaram a US$ 2 bilhões, o maior fluxo diário desde 2009, de acordo com o IIF.

O volume vendido nas duas semanas seguintes correspondeu a cerca de 57% das compras iniciais. Mesmo com a reversão, o saldo de outubro permaneceu positivo: os investidores estrangeiros ainda acumulavam compras líquidas de aproximadamente US$ 1,8 bilhão até 29 de outubro, segundo os dados do instituto.

As vendas, porém, começaram antes do segundo turno. À medida que as pesquisas eleitorais se tornaram mais acirradas, investidores já reduziam sua exposição a ações brasileiras, indicando que o ajuste não ocorreu apenas depois da definição do resultado. Nos quatro pregões posteriores à reeleição de Lula, em 25 de outubro, as vendas líquidas somaram US$ 1,4 bilhão.

Fluxos passaram por fundo negociado nos EUA

Parte expressiva do capital estrangeiro circulou pelo EWZ, fundo negociado em bolsa (ETF, na sigla em inglês) que acompanha ações brasileiras e é o maior fundo do país listado nos Estados Unidos. Jonathan Fortun, economista sênior do IIF, afirmou que o produto perdeu cerca de um quarto das entradas de capital recebidas no começo de outubro durante a semana posterior à votação.

O dado ajuda a dimensionar a velocidade da reversão: uma parcela das compras concentradas no início do mês foi desfeita em poucos dias após o segundo turno. Ainda assim, o saldo positivo acumulado até 29 de outubro mostra que as vendas não eliminaram todos os aportes feitos ao longo do período.

O IIF atribuiu parte das saídas às posições que investidores haviam montado depois do primeiro turno e à vitória de Lula, que o instituto descreveu como surpreendente. A entidade também informou que, após a vitória de Lula no segundo turno de 2022, os estrangeiros compraram ações brasileiras. O registro oferece um contraste com o fluxo observado após a eleição deste ano, sem alterar o saldo positivo de outubro até o dia 29.

Expectativa de novas vendas em novembro

Fortun disse esperar que investidores não residentes continuem como vendedores líquidos de ações brasileiras em novembro, até que seja conhecida a nova equipe econômica de Lula. A avaliação considera que as vendas diárias diminuíram drasticamente no fim de outubro, mas não descarta a continuidade das saídas no mês seguinte.

Outro indicador citado no fim de outubro aponta para o tamanho da exposição estrangeira ao mercado brasileiro. A Copley Fund Research informou que os fundos globais de ações de mercados emergentes que acompanha começaram outubro com um investimento recorde de US$ 42,4 bilhões no Brasil. Esse valor se refere às posições desses fundos e não ao fluxo líquido de compras realizado durante o mês.

Os dados do IIF mostram, portanto, movimentos distintos dentro de outubro: uma entrada concentrada na primeira quinzena, seguida por vendas antes e depois do segundo turno. O saldo líquido continuava positivo até 29 de outubro, enquanto a expectativa do economista do instituto era de que a incerteza sobre a composição da equipe econômica mantivesse os estrangeiros como vendedores em novembro.

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