As ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) estão registrando perdas expressivas no Ibovespa nesta terça-feira (3), contribuindo para a forte queda do índice. Por volta das 14h30, os papéis da empresa caíam 14,29%, cotados a R$ 2,70.
Essa significativa desvalorização ocorre em um contexto de aversão ao risco nos mercados globais, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. A elevação da curva de juros futuros está trazendo impactos negativos especialmente para ações de empresas do setor de consumo, como é o caso do Pão de Açúcar e outras companhias que também apresentam quedas expressivas, como Alpargatas (ALPA4) e CVC (CVCB3).
Adicionalmente, há dois fatores que estão influenciando diretamente as ações do GPA: o rebaixamento do rating de crédito pela Fitch e novos desdobramentos jurídicos envolvendo a companhia e o grupo Casino.
Conflito com o Grupo Casino
Nesta terça-feira, o GPA protocolou um pedido de tutela cautelar para bloquear as ações controladas pelo grupo francês Casino e por veículos de investimento associados. Essa ação faz parte de um processo de arbitragem iniciado em maio de 2025 e visa impedir a movimentação de eventuais recursos advindos da venda dessas ações durante o desenrolar da disputa.
A arbitragem foi iniciada na Câmara de Comércio Internacional e centra-se nas divergências sobre a arrecadação do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas (IRPJ) entre 2007 e 2013, relacionado a uma alegada dedução indevida de amortização de ágio. O caso levanta preocupações sobre possíveis contingências fiscais que podem afetar financeiramente a empresa.
Rebaixamento de Rating pela Fitch
Outro aspecto que tem pressionado as ações do GPA nesta terça-feira é o recente rebaixamento do rating corporativo pela Fitch, que foi alterado de A para CCC, com observação negativa. A agência atribui essa decisão ao aumento dos riscos de refinanciamento, à deterioração da liquidez e à previsão de um fluxo de caixa livre negativo no médio prazo.
A Fitch também ressaltou que a empresa enfrenta vencimentos significativos de dívidas programadas para o período entre maio e julho de 2026, e a disposição dos credores para renegociar prazos e ajustar custos é considerada “altamente incerta”. Além disso, a agência não descarta a possibilidade de uma reestruturação financeira, caso não haja uma redução substancial do endividamento.
No entanto, em um comunicado, o GPA (PCAR3) esclareceu que a atualização do rating não representa violação das cláusulas contratuais acordadas.

Jornalista com mais de sete anos de experiência em finanças e economia. Pós-graduada em Negócios e Inovação (ESPM-SP) e atualmente mestranda em Finanças (UADE Business School–Buenos Aires).
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