KPTL Faz História: A Revolução do PET Reciclado e a Maior Saída do FIMA!


Oportunidades no Capital de Risco: Além do Software

O setor de capital de risco no Brasil, muitas vezes marcado por um foco intenso em empresas de tecnologia, tem um novo exemplo de sucesso que nos mostra que as oportunidades vão além do que é digital. Tradicionalmente, investidores brasileiros seguem o modelo de venture capital dos Estados Unidos, priorizando startups de software, especialmente aquelas voltadas para o modelo B2B, mas isso pode estar prestes a mudar.

A Revolução da Lamiecco

Recentemente, a KPTL, uma gestora de investimentos, fez algo que pode redefinir a percepção sobre investimentos em setores não tradicionais. A empresa anunciou a venda de sua participação na Lamiecco, uma fabricante de revestimentos laminados feitos de PET reciclado, para diversos segmentos, incluindo a indústria automotiva.

Detalhes da Transação

  • Valor da Venda: R$ 42 milhões
  • Retorno do Investimento: 4,6 vezes o capital inicial de R$ 9 milhões

Essa venda não apenas mostra que é possível fazer investimentos rentáveis fora do universo digital, mas também que há um mercado crescente em inovações sustentáveis, uma necessidade premente nos dias de hoje.

O Fundo de Inovação Tecnológica

A Lamiecco foi apoiada pelo FIMA, um fundo projetado pelo BNDES voltado para inovações tecnológicas que impactam o meio ambiente. Desde sua fundação, o FIMA já se desfez de sete de suas 11 empresas investidas, com a venda da Lamiecco se destacando como a mais lucrativa até agora.

Renato Ramalho, CEO da KPTL, destacou em entrevista que o cenário do venture capital brasileiro tende a ser bastante semelhante ao da Califórnia. No entanto, ele ressalta que “a verdadeira beleza da inovação está na qualidade e no preço de entrada, permitindo boas saídas.” O que ele queria dizer, de forma simples, é que o que realmente importa é sustentar um negócio inovador além das métricas digitais.

O Caso da Lamiecco: Um Estudo de Sustentabilidade

Fundada em 2007 em Montauri, no Rio Grande do Sul, a Lamiecco se destaca como a maior empresa de economia circular em sua categoria na América Latina. A companhia é responsável por transformar materiais recicláveis em produtos que hoje fazem parte da indústria automotiva, moveleira e de construção civil.

  • Faturamento em 2022: R$ 100 milhões
  • Projeções para 2026: R$ 150 milhões
  • Expectativa para 2027: R$ 220 milhões

Esse crescimento não é meramente financeiro. A Lamiecco é um exemplo prático de como é possível inovar em um setor até então negligenciado, mostrando que empresas como essa podem prosperar ao mesmo tempo em que atendem à demanda por sustentabilidade.

O Papel do Investimento em Governança

Quando a KPTL decidiu investir na Lamiecco em 2014, a empresa já enfrentava desafios financeiros e de gestão. Com o aporte, não vieram apenas recursos financeiros, mas também ferramentas de governança:

  • Implementação de um conselho de administração
  • Serviços de auditoria e balanço
  • Um gerenciamento financeiro mais robusto

Essas mudanças não apenas estabilizaram a empresa, mas também a ajudaram a parar a queima de caixa e a investir em P&D. Resultado? O setor industrial, que respondia a apenas 5% do faturamento no início, agora é responsável por impressionantes 90%.

A Importância de Manter o Controle

Embora houvesse interesse de outros investidores em adquirir a participação da KPTL, os fundadores da Lamiecco, Alexandre Figueiró e Cladir Roso, decidiram exercer o direito de preferência e permanecer como donos integralmente. Esse movimento não apenas sublinha a saúde da empresa, mas também a visão de longo prazo dos fundadores e sua crença no potencial do negócio.

“Eles poderiam simplesmente ter vendido e ido para casa com o lucro, mas decidiram ficar. Isso diz muito sobre onde a empresa está e para onde ela pode ir”, elogia Renato Ramalho.

O Impacto da Agenda Climática nas Negociações

Renato Ramalho acredita que o caso da Lamiecco exemplifica uma verdade simples: a agenda climática não deve apenas ser uma preocupação social, mas também uma oportunidade de negócio. Melhorar o ciclo de vida de materiais como plástico e produtos na indústria têxtil é uma questão que precisa ser abordada, e a Lamiecco está na vanguarda dessa mudança.

A KPTL recentemente destacou outros sucessos no segmento, como:

  • Venda da Nanovetores (2022) para a Givaudan, com retorno de 14 vezes o investimento
  • Venda da Imeve (2021), que rendeu 6,5 vezes o capital aplicado

Esses exemplos mostram que é possível gerar lucro enquanto se investe em inovações que também trazem benefícios sociais e ambientais.

O Caminho à Frente no Capital de Risco

Atualmente, a KPTL administra dez fundos, apoiando cerca de 70 empresas, muitas das quais estão em fase de desinvestimento. Este pode ser um sinal claro de uma mudança na forma como se vê a inovação e os negócios.

Reflexão Final: O capital de risco não precisa se limitar a um único perfil de empresa. Há um mundo de oportunidades fora do software que merece ser explorado. Investidores e empreendedores, é hora de expandir as visões e abraçar a diversidade de inovações que nosso país tem a oferecer!

Participe da Discussão: Como você vê o futuro do capital de risco no Brasil? Acredita que a sustentabilidade será um pilar importante para o crescimento dos próximos anos? Compartilhe suas ideias e experiências!

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