O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou para esta quinta-feira (5), no Palácio da Alvorada, em Brasília, uma reunião com economistas e integrantes da equipe econômica para discutir os rumos da política econômica de seu quarto mandato. O encontro ocorre em meio à pressão do mercado financeiro por sinais sobre o ajuste fiscal e a condução das contas públicas. A conversa também acontece um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
Ministros e ex-integrantes da equipe
Entre os convidados estão o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ex-ministro Fernando Haddad, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. Também foram chamados o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, e o ex-ministro Guido Mantega.
A composição reúne participantes com visões diferentes sobre política fiscal e monetária. A convocação amplia o grupo de pessoas ouvidas por Lula sobre a condução da economia, em um momento em que o governo ainda precisa definir medidas para as contas públicas em 2027 e no restante do mandato.
Durigan confirmou a realização do encontro nesta quinta-feira, ao conversar com jornalistas depois de deixar o prédio do Ministério da Fazenda. Segundo o ministro, Lula tomou a iniciativa de convocar a reunião e o avisou previamente.
“A reunião foi chamada pelo presidente. Ele me comunicou previamente. Eu não tenho maiores informações, mas é mais um esforço para gente dividir os cenários, propostas. Eu vou levar certamente as propostas e ideias em termos gerais do que a gente deve fazer nas próximas semanas”, disse Durigan.
Pressão por ajuste fiscal
As discussões sobre política econômica ganharam força depois da reeleição de Lula. O governo ainda precisa estabelecer como será o ajuste fiscal para 2027 e para os demais anos do quarto mandato, enquanto o mercado manifesta preocupação com a trajetória da dívida pública e com a definição das diretrizes econômicas.
Na terça-feira (3), Durigan afirmou que as conversas mantidas por ele com Lula tratavam de um ajuste fiscal gradual. De acordo com o ministro, a proposta discutida busca melhorar as contas públicas e preservar compromissos assumidos durante a campanha.
Na mesma ocasião, Durigan negou que o presidente tivesse uma agenda com outros economistas. A reunião convocada para esta quinta-feira, portanto, acrescenta novos participantes às conversas sobre os próximos passos da política econômica. O ministro não antecipou detalhes sobre o conteúdo do encontro, mas afirmou que levaria propostas e ideias gerais para as semanas seguintes.
A preocupação do mercado com as contas públicas dá peso às decisões que ainda precisam ser tomadas. A definição do ajuste fiscal é um dos temas que o governo terá de enfrentar para estabelecer a orientação econômica dos próximos anos. A reunião ocorre enquanto essas medidas permanecem em discussão e antes de o governo apresentar, segundo as informações disponíveis, uma definição para 2027 e o restante do mandato.
Selic e debate sobre política monetária
O encontro também ocorre após o Copom manter a Selic em 13,75% ao ano. A decisão do comitê, anunciada na quarta-feira (4), antecedeu em um dia a reunião convocada por Lula. A taxa de juros e a situação das contas públicas aparecem no contexto do debate sobre a coordenação entre as políticas monetária e fiscal.
Nos últimos dias, ganhou repercussão uma proposta do economista André Lara Resende para mudar essa coordenação e reduzir gradualmente a Selic. Durigan classificou a ideia como incipiente e afirmou que ela apresentava “várias deficiências”. A proposta é um dos temas recentes que ajudam a explicar a diversidade de visões entre os nomes chamados para conversar com o presidente.
A reunião não teve detalhes de pauta divulgados por Durigan. O ministro disse que levaria propostas e ideias em termos gerais, mas não especificou quais medidas seriam apresentadas nem quais decisões poderiam sair do encontro. A conversa deve reunir, assim, integrantes da equipe econômica e economistas com diferentes posições para discutir cenários e propostas, conforme a descrição feita pelo ministro.