Mo Yun: A Visionária que Quer Dominar o Mercado de Biotecnologia de Sementes de Soja no Brasil com 30% de Participação


Mo Yun, uma chinesa de 54 anos e Doutora pela Universidade Agrícola da China, se destaca como uma das figuras mais influentes no setor de sementes geneticamente modificadas (OGM) do país. Com uma voz calma e uma postura reservada, ela tem atraído atenção global e, atualmente, desempenha um papel crucial na Beijing Dabeinong Technology Group, ou DBN Group, a qual é a maior acionista. A empresa está na vanguarda do melhoramento genético da soja na China e, nos dias atuais, Mo Yun tem direcionado seu olhar para o Brasil com grande interesse.

O DBN Group está em busca de conquistar 30% do mercado de biotecnologias de sementes de soja OGM no Brasil, um setor que é amplamente dominado por grandes multinacionais como Bayer, Corteva Agriscience, Basf e a chinesa Syngenta. Estas empresas têm uma forte presença, devido a tecnologias desenvolvidas ao longo de anos, e o desafio da DBN é, sem dúvida, significativo!

No dia 4 de agosto, Mo Yun, sempre atenta às tendências de mercado, recebeu um grupo de 28 brasileiros em Pequim. Este grupo, composto por produtores e multiplicadores de sementes, incluía André Schwening, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja. Representando cerca de 50% das sementes certificadas no Brasil, todos estavam ali para discutir estratégias e oportunidades na produção de sementes.

A importância do Brasil neste cenário não pode ser subestimada. Em 2025, a DBN, que foi cofundada por Mo Yun e seu falecido marido Shao Genhuo, alcançou uma receita de 29,1 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 4,3 bilhões), com uma parcela significativa deste valor originada do setor de sementes. A companhia já é uma referência no mercado asiático e busca expandir ainda mais seu alcance.

As sementes representam apenas 5,25% do total de vendas do DBN Group, ressaltando um enorme potencial de crescimento. Com um investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de cerca de US$ 15 milhões, Mo Yun busca novas inovações. O coração das operações da DBN é o Phoenix Parque Eco Industrial, localizado em Pequim, que se estende por 5,5 hectares e abriga uma série de laboratórios de alta tecnologia.

V.Ondei/ForbesPhoenix Parque Eco Industrial, no distrito de Haidian, ao pé do Monte Phoenix

Em 2025, a China cultivou 10,26 milhões de hectares de soja, colhendo 20,91 milhões de toneladas, um leve aumento em relação ao ano anterior. No entanto, a soja transgênica ainda ocupa uma área relativamente pequena, com apenas 1,3 milhão de hectares cultivados, localizados principalmente nas regiões do nordeste da China. A demanda da China por soja é elevada, atingindo 120 milhões de toneladas anuais, dos quais 100 milhões são importados, com 75% dessa quantidade proveniente do Brasil.

O Brasil, portanto, emerge como um potencial parceiro estratégico para a China. Recentemente, a DBN anunciou que estabelecerá seu centro de pesquisa em Campinas (SP), iniciando com um laboratório voltado para a biologia molecular de OGM. Essa iniciativa demonstra a seriedade com que a empresa vê o mercado brasileiro. Mao Changqing, presidente da divisão de cultivo da DBN, enfatiza que a empresa está investindo fortemente em pesquisa para melhorar a genética de suas sementes.

V.Ondei/ForbesGrupo de brasileiros em missão na China

A ambição da DBN é clara: em cinco anos, a empresa deseja ser uma das duas principais fornecedoras de sementes na China. Para isso, planejam triplicar suas receitas e aumentar sua participação no mercado. Atualmente, a companhia já figura entre as cinco maiores do setor de sementes de milho no país. A recente abertura do mercado chinês para organismos geneticamente modificados, a partir de 2019, oferece ainda mais oportunidades. Mo Yun anunciou que a DBN já possui 60% do mercado de sementes transgênicas, com 142 variedades autorizadas.

O Brasil, portanto, é visto como um mercado promissor, vital não apenas para a introdução de produtos, mas também para testes e desenvolvimento de novas tecnologias. O objetivo é trabalhar com variedades de sementes que atendam às necessidades locais e, eventualmente, importar as inovações tecnológicas desenvolvidas na China para o Brasil.

A Mapele, uma referência na produção de sementes no Brasil, tem acompanhado essas mudanças. Seu CEO, Marino Stefani Colpo, acredita que as futuras biotecnologias propostas pela DBN têm grande potencial de inovar o mercado. Ele destacou que a introdução dessas novas técnicas pode resultar em um controle mais eficaz de pragas e doenças nas lavouras.

Além da DBN, outro gigante do setor agrícola chinês, a Cofco, também demonstrou interesse em estreitar laços com o Brasil. Com receitas que ultrapassam os 87 bilhões de dólares, a Cofco é o maior grupo de comércio agrícola da China, operando em mais de 40 países, inclusive no Brasil.

O Pragmatismo da Parceria Brasil-China

Para a soja, a DBN desenvolveu uma linha de produtos com características inovadoras que prometem melhorar a resistência a herbicidas e a contenção de pragas. Tecnologias como a soja GGT e a GIR estão no horizonte de lançamento, prevendo-se que o primeiro contato formal ocorra nos próximos anos. Os planos incluem uma fase de testes, com a expectativa de que, até 2028, novas variedades possam ser lançadas no mercado brasileiro.

Mao reitera a importância de não apenas introduzir tecnologias existentes, mas também de desenvolver soluções sob medida para o Brasil. Isso pode abrir caminho para inovações significativas que beneficiarão tanto os agricultores locais quanto a economia como um todo.

O cenário atual destaca a relevância estratégica da relação entre Brasil e China. André Schwening, presidente da Abrass, está otimista quanto a essa parceria, ressaltando que as inovações tecnológicas impulsionadas pela DBN poderão ajudar a consolidar a posição do Brasil como líder global na produção agrícola. A entrega de melhores sementes e genética permitirá que os agricultores brasileiros permaneçam competitivos em um mercado global cada vez mais exigente.

À medida que essas mudanças e inovações se desdobram, o papel do Brasil como fornecedor de grãos está prestes a se transformar. O investimento da DBN em pesquisa e desenvolvimento poderá resultar em um futuro promissor para o agronegócio brasileiro.

O que você acha sobre as parcerias estratégicas entre Brasil e China no setor agrícola? Está otimista quanto ao futuro das tecnologias OGM no país? Sinta-se à vontade para compartilhar suas opiniões e insights!


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