Nomes cotados para ministérios de Lula na Esplanada em 2027


A montagem do quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou após a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL), com aliados, governadores reeleitos e políticos derrotados nas urnas disputando espaço na Esplanada. Lula ainda não anunciou nomes e deve iniciar as definições após retornar de viagens à Turquia e às Filipinas, previstas para terminar em 16 de novembro. Entre as prioridades estão a criação do Ministério da Segurança Pública e a escolha do comando da Fazenda, acompanhada de perto pelo mercado financeiro.

A distribuição de cargos também terá peso nas negociações com o Congresso. Como o PT e seus aliados mais próximos não terão maioria em 2027, o governo deverá buscar apoio de partidos de centro, possivelmente condicionando a participação na Esplanada a compromissos de votação no Legislativo.

Segurança Pública e Fazenda concentram as articulações

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança pelo Senado, na terça-feira (3), abriu caminho para a criação de uma pasta própria. O ministério deverá concentrar parte da coordenação federal no combate a facções criminosas e milícias. Lula pretende anunciar a estrutura ainda em 2026, embora o funcionamento pleno possa começar em 2027.

O governo ainda precisa definir o orçamento e quais órgãos ficarão vinculados à nova pasta ou permanecerão no Ministério da Justiça. Entre eles estão a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. A escolha do titular também está em aberto: aparecem nas conversas o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), o promotor Lincoln Gakiya, o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, e os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Rui Costa (PT-BA). Gakiya, conhecido por investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), teria sido sondado informalmente e demonstrado interesse.

Na Fazenda, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é apontado como um dos principais cotados para substituir Dario Durigan. Matemático com mestrado em Economia Matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Fonteles já comandou a Secretaria da Fazenda do estado. Sua participação na campanha de Lula, sobretudo nas discussões sobre comunicação e mobilização eleitoral, fortaleceu seu nome. Segundo a Folha, Lula sinalizou a aliados que gostaria de contar com o governador na equipe econômica.

A situação fiscal do Piauí, porém, é motivo de questionamentos: a gestão de Fonteles ampliou investimentos e arrecadação, mas registrou resultados primários negativos nos últimos anos. Outra possibilidade para a Fazenda é o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também acumulou o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços durante parte do terceiro mandato. O mercado aguarda sinais sobre o financiamento de promessas de campanha e o controle do crescimento da dívida pública.

Casa Civil e outras pastas podem mudar de comando

Camilo Santana, ex-ministro da Educação, está entre os nomes citados para a Casa Civil, responsável pela coordenação das ações do governo e pelo acompanhamento das prioridades presidenciais. Ele se aproximou de Lula durante a campanha e participou de articulações no Ceará que contribuíram para a reeleição do governador Elmano de Freitas. Aliados avaliam que o cargo poderia ampliar sua projeção nacional. Camilo também é considerado para a Segurança Pública.

Fernando Haddad, antes apontado como possível titular da Casa Civil, passou a ser cotado para o Ministério das Relações Exteriores após a derrota na disputa pelo governo de São Paulo. A hipótese leva em conta sua experiência em negociações econômicas internacionais, incluindo reuniões do G20 e do Brics. Pessoas próximas a Haddad dizem, contudo, que ele considera retomar as atividades acadêmicas na Universidade de São Paulo (USP) e ficar fora do governo.

O presidente nacional do PSB, João Campos, derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco, também pode integrar a equipe. Uma das possibilidades é o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, atualmente comandado por Luciana Santos (PCdoB). Aliados esperam que o nome seja apresentado na primeira conversa formal do partido com Lula.

Na comunicação, André Janones (Rede-MG) é cotado para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), após coordenar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que superou 10 milhões de participantes. Ele se reuniu com Lula, mas afirmou não ter recebido convite e disse considerar importante permanecer na Câmara diante do crescimento da oposição. Uma alternativa em discussão, segundo a Folha, é criar uma estrutura de comunicação digital ligada diretamente ao gabinete presidencial. Laércio Portela, atual secretário de Imprensa, também aparece como possível substituto de Sidônio Palmeira na Secom.

Defesa e cargos para aliados entram na negociação

José Múcio Monteiro deve deixar o Ministério da Defesa após quatro anos no cargo, como já havia manifestado a Lula. Alckmin é citado como alternativa para a pasta, assim como Cinara Wagner Fredo, atual secretária-geral do ministério. Os comandos militares também podem mudar: os chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica sinalizaram que pretendem deixar as funções em 2027. O general Tomás Paiva, comandante do Exército, é mencionado para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), mas não há decisão anunciada.

O governo também deverá acomodar aliados que perderam as eleições. Gleisi Hoffmann (PT-PR), derrotada na disputa pelo Senado, é citada para o Desenvolvimento Social. Simone Tebet, Márcio França, Marina Silva e José Guimarães estão entre outros nomes lembrados. Esther Dweck, Leonardo Barchini, Fernanda Machiaveli, Alexandre Padilha e Guilherme Boulos podem permanecer no primeiro escalão, respectivamente nas áreas de Gestão, Educação, Desenvolvimento Agrário, Saúde e Secretaria-Geral.

As negociações envolvem ainda MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos. Com uma base considerada estável de 124 deputados, Lula pretende ampliar o apoio às propostas econômicas e legislativas por meio da composição ministerial. A expectativa entre aliados é que os anúncios comecem na segunda metade de novembro, começando pelas pastas mais estratégicas.

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