As Desafios e Oportunidades da Política Externa dos EUA na Era Trump
Quando Donald Trump iniciar seu segundo mandato como presidente, ele encontrará um cenário global que se tornou consideravelmente mais hostil aos interesses dos Estados Unidos. A China tem acelerado seus esforços para expandir sua influência militar, política e econômica em todo o mundo. A Rússia, por sua vez, trava uma guerra brutal e injustificável na Ucrânia. O Irã segue determinado a eliminar Israel, dominar o Oriente Médio e desenvolver capacidades nucleares. Juntos, esses adversários dos EUA, juntamente com a Coreia do Norte, estão se unindo como nunca antes para desafiar a ordem mundial liderada pelos americanos, uma estrutura que garantiu paz e prosperidade no ocidente por quase um século.
A Resposta da Administração Biden e Seus Limites
A administração Biden tentou gerenciar essas ameaças por meio de engajamento e acomodação. Contudo, as potências revanchistas da atualidade não estão interessadas em integrar-se mais profundamente à ordem internacional existente; elas a rejeitam de forma contundente. Elas prosperam sobre a fraqueza americana, e sua ânsia por hegemonia cresce à medida que os EUA vacilam.
Em Washington, muitos reconhecem essa ameaça, mas utilizam-na para justificar prioridades domésticas que pouco têm a ver com a competição global em curso. Embora mencionem a rivalidade entre potências, evitam investir no poder militar efetivo, que é a verdadeira base dessa competição. As consequências dessas suposições equivocadas já estão se mostrando evidentes. A resposta à fraqueza observada nos últimos quatro anos não pode ser mais quatro anos de isolamento.
A Pressão por Prioridades Regionais
Apesar de a competição com a China e a Rússia ser um desafio global, Trump provavelmente ouvirá sugestões para concentrar seus esforços em apenas uma região, negligenciando interesses em outros lugares. Muitas dessas vozes defenderão que os EUA se voltassem para a Ásia, em detrimento de compromissos na Europa ou no Oriente Médio. Esse tipo de pensamento é comum entre conservadores isolacionistas e liberais progressistas que confundem internacionalismo com um fim em si mesmo. A direita tende a se retrair diante da agressão russa na Europa, enquanto a esquerda demonstra uma aversão crônica a desencorajar o Irã e apoiar Israel. Nenhum desses grupos se comprometeu a manter a superioridade militar ou a sustentar alianças necessárias para contestar as potências revisionistas. Se os EUA continuarem a recuar, seus inimigos terão prazer em preencher o vazio.
Reforçando o Poder Militar
Trump deve apoiar uma política externa fundamentada na liderança americana duradoura: o poder militar. Para reverter a negligência da força militar, sua administração precisará investir significativamente em aumento de gastos com defesa, em investimentos fundamentais na base industrial de defesa e em reformas urgentes para acelerar o desenvolvimento de novas capacidades e expandir o acesso de aliados e parceiros a elas.
No entanto, à medida que a administração toma essas medidas, haverá clamores dentro do Partido Republicano para que desista da primazia americana. Esses apelos devem ser rejeitados. Ignorar a necessidade de focar em múltiplas ameaças simultaneamente é desconsiderar os interesses globais dos EUA e os planos globais de seus adversários. A grandeza americana não será restaurada por aqueles que apenas desejam administrar o declínio do país.
O Desafio da China
A China representa o maior desafio de longo prazo aos interesses dos EUA. Embora presidentes sucessivos tenham reconhecido essa realidade, suas políticas foram inconsistentes. As administrações falharam em concordar sobre o objetivo básico da competição com a China: é apenas uma corrida para produzir mais produtos? Uma oportunidade para vender mais produtos americanos? Ou trata-se de uma luta pelo futuro da ordem internacional? A administração de Trump deve reconhecer a gravidade dessa luta geopolítica e investir de forma condizente.
Além disso, deve evitar repetir os erros do chamado “pivô para a Ásia” da presidência de Barack Obama. A administração Obama não respaldou sua política com os investimentos necessários em poder militar dos EUA. Ao priorizar cortes de defesa sem uma estratégia adequada, abandonou o planejamento de força que delineava a possibilidade de enfrentar dois conflitos ao mesmo tempo.
A Interdependência das Ameaças
Enfrentar a China exigirá que Trump desconsidere conselhos míopes que o instruem a priorizar esse desafio abandonando a Ucrânia. Uma vitória russa não apenas prejudicaria os interesses dos EUA na segurança europeia, mas também ampliaria as ameaças provenientes da China, do Irã e da Coreia do Norte. A hesitação diante da agressão de Putin já tornou esses desafios interconectados ainda mais agudos.
Trump merece crédito por reverter as limitações da administração Obama sobre a assistência à Ucrânia, incluindo a autorização de transferências de armas letais a Kyiv. Durante seu primeiro mandato, os EUA usaram força contra a Síria, a fim de finalmente estabelecer um limite contra armas químicas e intensificaram a produção de energia para contrabalançar a Rússia.
A Importância dos Aliados
Trump irá se deparar com perguntas sobre a importância dos aliados na prosperidade americana. Os argumentos de que a América pode se isolar ignoram a necessidade de manter a credibilidade entre países que estão em dúvida. O avanço dos aliados europeus é promissor, especialmente com os recentes aumentos nos orçamentos de defesa. Mais de dois terços dos membros da OTAN estão agora aumentando seus gastos em defesa, o que é um sinal encorajador.
Os aliados europeus reconhecem as ligações crescentes entre China e Rússia e veem a primeira como um rival sistêmico. Durante uma visita a Filipinas, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, destacou que “a segurança na Europa e no Indo-Pacífico é indivisível”. Os aliados dos EUA na Ásia compartilham essa perspectiva.
A Necessidade de Investimentos em Defesa
Os EUA gastam quase 900 bilhões de dólares anualmente em defesa, mas esse valor é insuficiente diante dos desafios globais e das exigências militares. Os gastos com defesa devem representar uma parte maior do orçamento federal. Se não investirmos o necessário, como conseguiremos competir com a "ameaça de ritmo" da China?
Para atender a múltiplas ameaças ao mesmo tempo, é crucial que os Estados Unidos estabeleçam um orçamento que reflita sua estratégia. A história nos mostra que a negligência militar pode ter custos elevados a longo prazo.
Colaboração e Sustentabilidade
Um aspecto importante da competição dos EUA contra a China e a Rússia é a colaboração com aliados. A crescente integração nas cadeias de suprimento deve ser uma prioridade. A produção em conjunto de armas e a transferência de tecnologia são cruciais para fortalecer a capacidade de resposta em tempos de crise.
Embora existam desafios, como o atraso nos processos de aquisição e a burocracia excessiva, há um potencial significativo para otimizar a produção e a resposta em situações de emergência.
Foco no Futuro
A história nos ensina que os Estados Unidos precisam garantir que suas forças armadas estejam equipadas e preparadas para lidar com múltiplas ameaças em um cenário global complexo. A ênfase em um amplo conjunto de alianças é essencial para fortalecer a presença dos EUA no cenário internacional.
Um Chamado à Ação
Os EUA precisam urgentemente de um consenso bipartidário sobre a centralidade do poder militar em sua política externa. É necessário um compromisso que transcenda a política interna e enxergue a necessidade de restaurar a força americana agora.
O momento exige uma reflexão sobre o papel dos EUA no mundo, e é essencial que lideremos com confiança e determinação. O caminho à frente é de compromisso e colaboração, em vez de uma visão isolacionista que nos deixaria vulneráveis a ameaças globais. Pensem em como podemos apoiar essa trajetória, compartilhando suas ideias e visões sobre o futuro da política exterior americana.


