markdown
Como a Alta dos Preços de Fertilizantes Impacta a Economia Brasileira
De acordo com o Banco Mundial, os preços dos fertilizantes devem subir 31% em 2023, com a ureia, o fertilizante nitrogenado mais comum, liderando essa alta com um aumento de 60%. Essa substância é obtida a partir da conversão do gás natural em amônia e dióxido de carbono. O desafio se intensifica para o Brasil, que depende de importações para cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no país. Essa situação pressiona ainda mais a inflação e impacta diretamente o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O Impacto da Alta dos Fertilizantes na Economia em Duas Etapas
Um relatório da Lev Intelligence apresenta uma análise sobre como o aumento dos preços dos fertilizantes afeta a inflação em duas etapas distintas:
- Primeira Etapa: O impacto inicial se reflete nos custos de produção das lavouras e nos preços no atacado. Aumento dos preços internacionais ou flutuações cambiais elevam rapidamente o custo de produção para culturas como milho, soja e trigo. Esse fenômeno é visível no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) em um prazo de até um mês.
- Segunda Etapa: Nesse caso, o efeito é mais demorado, mas tem um impacto macroeconômico mais significativo. A alta nos custos de produção eventualmente chega ao consumidor final, afetando preços de alimentos ao longo da cadeia de suprimentos. Grãos e hortifruti são impactados primeiro, seguidos por proteínas como carne, leite e ovos devido ao aumento no custo da ração.
Esse ciclo de alta nos preços de fertilizantes não é novidade. Entre 2021 e 2022, por exemplo, a ureia teve um aumento superior a 100% em um ano, o que teve um reflexo direto nos preços agrícolas.
Cronograma da Influência dos Fertilizantes na Inflação
A primeira fase do impacto nos preços no atacado ocorre em questão de dias a semanas. Já a produção agrícola experimenta o efeito em um prazo entre três a seis meses. No que diz respeito aos alimentos, os preços começam a subir em dois a quatro meses para itens in natura, enquanto os produtos de proteína podem levar de quatro a nove meses para apresentar variações significativas.
Estudos sugerem que em um cenário em que os fertilizantes aumentam em 20%, o custo agrícola pode subir cerca de 6%. Essa elevação, relacionada à elasticidade entre 0,25 e 0,35 pontos percentuais, traduz-se em um acréscimo aproximado de 3% nos preços finais dos alimentos.
Considerando que a alimentação representa cerca de 17% no IPCA, o efeito final pode alcançar cerca de 0,5 ponto percentual no índice global. Essa compressão pode ser gradual, com cerca de 0,20 a 0,25 pontos percentuais oriundos de grãos e hortifruti. Impressionantes outros 0,25 a 0,30 pontos aparecem posteriormente com o aumento de preços de proteínas e alimentos processados.
Contudo, em situações mais extremas — influenciadas por fatores como câmbio, geopolítica e clima — esse impacto pode ultrapassar 0,80 ponto percentual.
A Vigilância do Copom e a Resiliência Inflacionária
Um aspecto importante a considerar é que o efeito do aumento dos preços de fertilizantes não é simétrico. Os preços sobem rapidamente quando os custos dos insumos aumentam, mas o alívio nas quedas é mais lento e parcial. Jason Vieira, economista-chefe da Lev, destaca que esse entendimento está em concordância com as observações do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Na semana passada, o Copom anunciou um corte da taxa Selic de 14,75% para 14,50%, seguindo as expectativas do mercado.
“O problema não está apenas na alta de preços inicial, mas na sua persistência, especialmente no setor de proteínas”, observa Vieira. Ao decidir pela redução de 0,25 ponto percentual, esse raciocínio foi considerado. “O Copom não se baseia exclusivamente no aumento dos custos dos fertilizantes em si, mas sim no risco de que esses custos se espalhem ao longo da cadeia de produção, dado o histórico de ocorrências semelhantes.”
O economista ressalta que a inflação demonstra uma certa resistência, referindo-se à solidez do núcleo inflacionário. “Qualquer nova variável que se adicione ao cenário aumenta a cautela das autoridades monetárias. Embora o fertilizante não seja a causa principal, ele contribui para a assimetria da inflação, tornando-se um fator adicional de preocupação.”
Reflexões Finais sobre o Cenário Atual
O aumento nos preços de fertilizantes é um tema que merece atenção, pois interferências no setor agrícola podem reverberar por toda a economia. Entender esses impactos não só permite que consumidores se preparem melhor para variações nos preços, mas também ajuda investidores e formuladores de políticas a tomar decisões mais informadas.
Enquanto o Brasil enfrenta a complexidade de manter a segurança alimentar e controlar a inflação, é fundamental que haja diálogo sobre soluções inovadoras e sustentáveis para minimizar impactos futuros. O que você acha que pode ser feito para melhor lidar com essa situação? Compartilhe suas ideias e começamos a conversa!


