Uma enfermeira que participava da resposta ao ebola foi assassinada por manifestantes em Bafwasende, área rural da província de Tshopo, no leste da República Democrática do Congo (RD Congo). A morte ocorreu durante o atendimento a um alerta de possível contágio, segundo autoridades que confirmaram o caso nesta segunda-feira. Outro profissional de saúde ficou gravemente ferido e foi hospitalizado.
As Nações Unidas condenaram o ataque e pediram uma investigação sobre o crime, além de proteção para as equipes que atuam contra a doença. O episódio ocorre enquanto profissionais de saúde tentam conter um surto causado pela cepa Bundibugyo do vírus ebola, para a qual não há vacina aprovada.
ONU pede proteção às equipes
Julien Harneis, coordenador da Resposta ao Ebola da ONU, manifestou condolências à família e aos colegas da enfermeira. Ele pediu uma investigação aprofundada sobre o assassinato e fez um apelo às comunidades para que protejam os trabalhadores de saúde e permitam que realizem suas atividades com segurança.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, também reforçou a necessidade de garantir a integridade dos profissionais que estão na linha de frente. Segundo ele, os trabalhadores precisam poder atuar com dignidade e segurança, e os serviços de saúde devem ser protegidos.
O ataque deixa um profissional morto e outro gravemente ferido durante uma ação ligada a um alerta de contágio. Os pedidos da ONU e da OMS destacam a segurança das equipes como parte da resposta ao surto, que exige trabalho de atendimento e contenção em diferentes localidades.
Surto se espalhou por oito províncias
Desde a declaração do surto, em 15 de maio, a RD Congo registrou mais de 9,76 mil casos e cerca de 4,72 mil mortes, de acordo com estimativas da OMS. A doença é considerada o surto de ebola mais letal da história do país.
O vírus foi inicialmente notificado no leste congolês e, desde então, chegou a oito províncias: Bas-Uélé, Haut-Uélé, Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Sud Ubangi, Tshopo e Nord-Ubangi. A província de Tshopo, onde fica Bafwasende, está entre as áreas atingidas.
A cepa Bundibugyo não conta com vacina aprovada, o que ocorre enquanto as equipes médicas procuram limitar a disseminação da doença. Além da RD Congo, a resposta regional envolve países que registraram casos ou adotaram medidas de vigilância. Uganda controlou a doença em agosto, enquanto casos pontuais foram notificados na França, no Quênia e na Nigéria.
Nigéria transfere paciente para a Suíça
A Nigéria confirmou na semana anterior seu primeiro caso. Nesta segunda-feira, a paciente — uma cidadã suíça que havia viajado de Uganda — e o marido foram evacuados clinicamente para a Suíça. O diretor regional da OMS para a África, Mohamed Janabi, elogiou a rapidez das autoridades nigerianas para estabilizar a mulher durante a fase aguda da doença.
Com a transferência, a Nigéria deixou de registrar casos ativos. As autoridades mantêm 52 contatos sob vigilância rigorosa. O monitoramento acompanha pessoas associadas ao caso, enquanto a resposta busca identificar possíveis sinais da doença.
Contatos no Quênia encerram quarentena
No Quênia, 20 pessoas relacionadas ao primeiro caso importado de ebola no país completaram o período obrigatório de monitoramento de 21 dias. Todas permaneceram sem sintomas durante o isolamento e foram liberadas da quarentena nesta segunda-feira para voltar às suas famílias.
As autoridades quenianas afirmaram que a conclusão do acompanhamento reforça os protocolos de vigilância epidemiológica e de contenção transfronteiriça aplicados em coordenação com a OMS. A medida encerra o monitoramento desse grupo, enquanto a resposta regional continua acompanhando os casos e contatos relacionados ao surto.

