Petróleo recua mais de 4% com expectativa de paz; Goldman projeta US$ 140


Os preços do petróleo recuavam mais de 4% nesta segunda-feira, 2 de novembro, depois que negociações entre representantes do Irã e mediadores do Catar alimentaram expectativas de uma solução diplomática para a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A possibilidade de reduzir as interrupções no abastecimento do Oriente Médio diminuiu, ao menos por enquanto, a pressão de alta sobre as cotações.

Os contratos futuros do Brent caíam US$ 4,79, ou 4,2%, para US$ 108,64 por barril. O West Texas Intermediate (WTI), referência do mercado norte-americano, recuava US$ 4,41, também 4,2%, para US$ 99,71. A queda ocorreu após o Brent encerrar outubro no nível mais alto em seis meses, em meio ao temor de que o conflito pudesse se intensificar depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para terça-feira.

Negociações alimentam expectativa de acordo

Uma autoridade a par das conversas afirmou que os negociadores iranianos concluíram uma rodada com mediadores do Catar. Uma minuta de proposta circulava, e uma reunião posterior ainda poderia ocorrer. As tratativas têm como objetivo pôr fim à guerra com os Estados Unidos.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse no domingo que as negociações estavam “em andamento e progredindo”. Segundo ele, o propósito era manter as consultas com os mediadores do Catar. Araqchi afirmou também que Teerã estava preparada tanto para “a defesa quanto para a diplomacia”.

Para Tamas Varga, da corretora de petróleo PVM, o início do mês trouxe novas esperanças de avanço no impasse iraniano. Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, avaliou que a expectativa de progresso diplomático e a falta de uma escalada militar significativa durante o fim de semana aliviaram parte da pressão imediata sobre os preços.

Estreito de Ormuz segue no centro das preocupações

As conversas ocorrem em meio a ataques recentes contra petroleiros que passam pelo Estreito de Ormuz, rota marítima afetada pelo conflito. Ao mesmo tempo, há sinais de aumento nos embarques de alguns grandes exportadores. Em outubro, a Arábia Saudita elevou as exportações de petróleo bruto em relação a setembro, apesar de ataques dos houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, contra sua infraestrutura de energia. A informação foi apontada por duas das três empresas de rastreamento de navios citadas no relato.

O início da guerra envolvendo o Irã, no fim de fevereiro, contribuiu para a redução dos estoques de petróleo. O presidente-executivo da ADNOC, companhia estatal de petróleo de Abu Dhabi, afirmou que o mundo consumiu quase 1 bilhão de barris das reservas desde que o conflito interrompeu o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.

Esse quadro ajuda a explicar por que a perspectiva de uma queda nas cotações convive com alertas de que os preços ainda podem subir. As expectativas de negociações reduziram o risco imediato percebido pelos investidores, mas os ataques a navios e os danos à infraestrutura petrolífera mantêm preocupações sobre a oferta.

Goldman Sachs vê risco de alta

O Goldman Sachs elevou no domingo suas previsões para os preços do petróleo, citando riscos elevados de abastecimento. O banco afirmou que o Brent poderia chegar a US$ 140 por barril em 2027 caso a produção de petróleo do Golfo permanecesse 3,5 milhões de barris por dia abaixo da média de 2025.

Em relatório, a instituição apontou o aumento dos ataques a navios, os danos à infraestrutura petrolífera e um prêmio de risco mais persistente como fatores capazes de impulsionar uma alta. O prêmio de risco é o valor adicional incorporado aos preços quando o mercado considera que há maior incerteza sobre a oferta. Assim, a queda observada nesta segunda-feira reflete as esperanças de avanço diplomático, enquanto os riscos de interrupção continuam presentes nas projeções para o mercado.

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