Por Que as Seguradoras Podem Ignorar as Perdas do Mercado Francês Após Ataque Hacker?


Impactos de um ataque cibernético nos supermercados da França

Recentemente, os supermercados franceses enfrentaram um interessante, mas preocupante fenômeno: um ataque digital aos seus sistemas de refrigeração resultou em milhões de euros em prejuízos. As empresas se viram obrigadas a descartar uma grande quantidade de alimentos deteriorados. O aspecto mais alarmante? As seguradoras confirmaram que esses danos provavelmente não serão cobertos pelos seguros.

O detalhe do ataque

Na noite de domingo, 11 de setembro, hackers ainda não identificados conseguiram assumir o controle das unidades de refrigeração de aproximadamente 350 supermercados em território francês. Eles elevaram a temperatura interna das geladeiras e freezers, que são conectados à internet, a impressionantes 50 graus Celsius (122 graus Fahrenheit). Esses números não apenas jogam um alerta sobre a segurança digital, mas também levantam questões sobre a vulnerabilidade de sistemas que, ao serem conectados, podem ser alvos de ataques.

Os danos acumulados

Thierry Cotillard, presidente da Les Mousquetaires, grupo proprietário da renomada rede de supermercados Intermarché, citou os possíveis custos totais do ataque: eles podem ultrapassar dezenas de milhões de euros. Para agravar a situação, ele revelou que os supermercados planejam uma ação judicial para tentar descobrir quem deve ser responsabilizado pelas perdas.

  • As seguradoras apontam que o seguro contra eventos digitais frequentemente não cobre danos físicos resultantes de ataques.
  • Caso a atualização de software não tenha sido realizada nos aparelhos comprometidos, os pedidos de indenização podem ser prejudicados.

Além disso, se um agente estatal for considerado responsável pelo ataque, a situação pode se complicar ainda mais. Apólices de seguro para danos eletrônicos costumam não cobrir atos de guerra, segundo um agente do setor de seguros que preferiu permanecer anônimo.

Um novo cenário de segurança cibernética

Nos últimos anos, muitas empresas têm promovido a chamada “Internet das Coisas” (IoT), que é a conexão de diversos dispositivos à rede. Embora essa inovação traga benefícios, como maior produtividade e redução de custos, ela também abre espaço para novas ameaças de segurança, potencializadas por desenvolvimentos em inteligência artificial.

Entre 2020 e 2025, as perdas econômicas decorrentes de ataques digitais na França, Alemanha, Itália e Espanha podem atingir a marca de 300 bilhões de euros, segundo a corretora de seguros Howden. Esse dado ressalta a seriedade da questão e a necessidade de um planejamento robusto em segurança digital.

Recomendações para proteção de ativos

David Molony, líder na área de riscos digitais da corretora de seguros Aon, sugere que empresas em setores vulneráveis, como o varejo e a farmácia, considerem a adoção de seguros específicos para mercadorias perecíveis. Esses produtos exigem condições de armazenamento rigorosas, o que aumenta a responsabilidade das empresas em garantir a segurança dessas cadeias logísticas.

“Com a crescente digitalização das operações e a interconectividade dos sistemas, é fundamental que as empresas avaliem cuidadosamente suas políticas de segurança digital”, enfatiza Molony.

Implicações da cobertura de seguros

É importante destacar que, embora as apólices de seguro para riscos eletrônicos possam cobrir alguns custos associados, como investigações internas ou contratações de consultores de comunicação, perdas físicas normalmente não estão inclusas. A Intermarché confirmou à agência de notícias AFP que o seu seguro não abrange incidentes dessa natureza. Os outros grandes jogadores do mercado, como Carrefour, Monoprix, Coopérative U e E.Leclerc, optaram por não se pronunciar sobre o assunto.

Dados sobre os sistemas comprometidos

A investigação revelou que o ataque atingiu geladeiras que utilizam software de empresas como Danfoss, Copeland e Dixell. A Danfoss, inclusive, advertiu que muitos dispositivos estavam operando com software desatualizado ou haviam chegado ao fim de sua vida útil, o que inviabiliza atualizações de segurança. Esta descoberta aumenta a responsabilidade das empresas em manter seus sistemas em conformidade e atualizados.

Ademais, a questão de como a falta de atualização do software pode afetar o seguro depende dos pormenores de cada contrato. Muitas vezes, ao contratar uma apólice, as empresas devem declarar sua política sobre atualizações, comprometendo-se a realizá-las em prazos específicos.

Tendências em seguros na era digital

À medida que as ameaças digitais se tornam mais comuns e danosas, os varejistas estão cada vez mais em busca de planos de seguro que também cubram danos físicos. Essa mudança já é observada em setores como energia, transporte marítimo e defesa, que adotaram apólices que abordam esse tipo de risco.

Recentemente, a Aon aconselhou grandes varejistas e outros clientes a buscarem seguros que incluam proteção para “estoques perecíveis”. Molony declarou que já tem participado de negociações para a introdução de apólices de alto valor, com limites de indenização que atendam a essa nova demanda.

Aumento dos custos de seguro?

O aumento dos ataques digitais, especialmente em países como o Reino Unido e a França, pode influenciar o aumento dos prêmios de seguro. Em resposta à pergunta sobre a possibilidade de os varejistas europeus enfrentarem uma elevação nos custos, Sydonie Williams, responsável por riscos eletrônicos internacionais na Beazley, afirmou: “Acredito firmemente que isso pode ocorrer.”

Paul Gooch, da Tokio Marine Kiln, concorda que a tendência é direcionar um maior foco em produtos de seguro que tratem especificamente das perdas físicas resultantes de ataques. Segundo ele, “o incidente recente que afetou sistemas de refrigeração na França deve servir como um alerta para aqueles que subestimam as consequências físicas de incidentes cibernéticos”.

Em suma, os desafios que os supermercados franceses enfrentam revelam uma realidade cada vez mais complexa e interconectada. À medida que as empresas buscam inovação e eficiência, a segurança cibernética deve ser uma prioridade indiscutível. Proteger ativos, desde mercadorias perecíveis até sistemas críticos, é vital não apenas para a saúde financeira das empresas, mas também para a segurança de todos os envolvidos na cadeia de suprimentos.

A reflexão que fica é: como sua empresa está se preparando para enfrentar os desafios da era digital? Compartilhe suas ideias e experiências nos comentários!

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