Por Que os Americanos Apreciam o Agro Sustentável e os Brasileiros Ainda Não? Descubra a Diferença!


Nos Estados Unidos, termos como ética, sustentabilidade e rastreabilidade não são apenas detalhes. Eles são essenciais na estratégia de vendas das marcas. Durante minha recente visita a Nova York, observei uma transformação significativa no modo como as empresas estão valorizando os produtores locais que priorizam a origem dos seus produtos em seus modelos de negócio.

Expressões como “bem-estar animal”, “regenerativo”, “livre de hormônio” e “sem antibióticos” não estão apenas em pequenos rótulos – elas estão em destaque, ocupando o centro do packaging, tão visíveis quanto o nome da marca. Por exemplo, o sebo bovino que comprei foi anunciado como “da fazenda à mesa e regenerativo” antes mesmo de explicar o que realmente era. Já o caldo de ossos apresentava um selo feito à mão com a inscrição “100% regenerativo” como símbolo de qualidade e compromisso.

O consumidor americano não se limita às perguntas tradicionais de “É bom?” ou “Qual é o preço?”. Eles questionam: “Como esse animal foi tratado?”, “Quem são os responsáveis por cuidar dele?” e “Esta produção contribui ou prejudica o meio ambiente?”. E mais, estão dispostos a pagar um valor premium por essas informações, muitas vezes o dobro do que custaria um produto similar convencional.

A Nascente do Termo: Regenerativo vs. Orgânico

Esse movimento ganhou tanta força que a palavra “regenerativo” atualmente pode até superar “orgânico” em termos de valor percebido nas prateleiras das lojas americanas. Não é suficiente oferecer um produto que não cause danos; ele precisa demonstrar que está ativamente restaurando a saúde do solo, proporcionando bem-estar aos animais e apoiando a comunidade ao redor.

O Brasil está posicionado para ser um protagonista nessa narrativa, não apenas um seguidor. Temos pastagens que se mantêm verdes durante todo o ano, sistemas de produção regenerativos autênticos e agricultores que já operam dessa maneira há gerações. O que nos falta é contar essa história com a mesma energia e orgulho que os americanos compartilham sobre a deles.

Da Fazenda para a Marca: O Protagonismo do Produtor

Nos Estados Unidos, optar por produtos de pequenos produtores não é visto como um sacrifício, mas sim como uma escolha que agrega valor. O consumidor se orgulha de pagar mais, sentindo satisfação ao apoiar o trabalho dos produtores locais. A rastreabilidade é um desejo do consumidor, passando de uma necessidade regulatória para um verdadeiro apelo emocional.

Aqui no Brasil, o produtor muitas vezes fica oculto atrás das grandes marcas. No entanto, lá fora, o produtor é a própria marca. Nós também temos a oportunidade de aprimorar essa narrativa, compartilhando a história de quem cria os bois, de onde eles vêm e com quais cuidados.

A questão não é se a carne de qualidade prevalecerá nessa disputa, mas sim se seremos protagonistas desse diálogo ou meros espectadores de uma tendência que teve sua origem aqui em nosso país.

*Sobre a autora: Amália Sechis é bacharel em direito pela Fundação Armando Álvares Penteado, empresária e fundadora da BeefPassion, uma marca de carne bovina brasileira que, em 2015, conquistou o certificado internacional da Rainforest Alliance, se tornando a primeira empresa de carne brasileira a receber a certificação de agricultura sustentável.

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