O petróleo Brent fechou a sexta-feira (24) a US$ 116,72 por barril, maior cotação desde abril, em meio ao temor de novos ataques entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a escalada surpreendeu a companhia, que ainda não decidiu se repassará a alta aos preços da gasolina e do diesel no Brasil.
Tensão no Golfo sustenta os preços
A renovação das tensões na região impulsionou a cotação. O Irã ameaça bases americanas, enquanto rebeldes houthis atacam infraestrutura da Arábia Saudita. Os Estados Unidos mantêm há 100 dias um bloqueio naval ao Irã no Estreito de Ormuz.
Segundo levantamentos internacionais citados na notícia, o bloqueio já impediu a exportação de US$ 25 bilhões em petróleo iraniano. O contrato do Brent chegou a US$ 111 em 20 de outubro. No dia seguinte, recuou para US$ 108,79, com sinais de diálogo entre americanos e iranianos. Depois, voltou a subir e encerrou a sexta-feira no maior valor do mês.
O banco ING atribui a alta a um “prêmio de risco geopolítico”: investidores consideram a possibilidade de agravamento do conflito ao precificar o petróleo. A instituição ressalta, porém, que os fluxos físicos de petróleo pelo Golfo continuam normais e que não há escassez real de oferta. Assim, a alta ocorre apesar de o fornecimento pela região não ter sido interrompido.
Chambriard afirmou que a Petrobras não esperava que o barril chegasse a esse patamar no fim de outubro. “Quando o preço do petróleo foi para US$ 120 em meados do ano, todas as expectativas eram de que ele decrescesse. E que a guerra durasse pouco”, disse. “Ninguém imaginou que nós íamos ter um final de outubro com o barril a US$ 116.”
Decisão sobre combustíveis segue em aberto
O fechamento do Brent não altera automaticamente os valores cobrados nas bombas brasileiras. O eventual repasse depende de uma decisão da Petrobras, que ainda não anunciou reajuste para gasolina ou diesel. A empresa também não indicou prazo para definir o que fará diante do novo cenário.
“Estamos começando a tratar desse assunto, de um cenário que não era previsível. Mas temos que fazer alguma coisa em relação a isso. O que nós vamos fazer não está definido”, afirmou a presidente da estatal.
A pressão sobre o diesel já vinha sendo observada antes da nova alta. Na semana anterior, a margem do combustível quase alcançou o teto do subsídio do governo, quando o petróleo estava abaixo da cotação atual. Além disso, a Petrobras já havia admitido a possibilidade de o diesel subir até 50% depois do segundo turno, conforme projeção do banco Goldman Sachs.
Chambriard relacionou a alta do diesel também aos efeitos do conflito sobre o refino. “O que a gente viu com a guerra entre Estados Unidos e Irã foi uma destruição de refino no mundo, com um salto no spread do diesel”, disse. Spread é a diferença entre preços usada para acompanhar a relação entre produtos e referências de mercado; a executiva não detalhou o cálculo a que se referia.
Petrobras cita política de preços anterior
Ao avaliar uma possível resposta aos preços internacionais, a presidente mencionou a política adotada pela Petrobras em 2018 e 2019. Naquele período, a companhia acompanhava as cotações externas diariamente. Chambriard disse que a empresa não pretende repetir a estratégia.
“Fomos perseguir pari passu os preços internacionais e, no final, buscando ganhar muito dinheiro, acabamos perdendo dinheiro e market share, que foi difícil recuperar depois”, afirmou. “Pari passu” significa acompanhar de perto, ou em paralelo, uma referência. Market share é a participação de uma empresa no mercado.
A estatal também considera a meta de atender 100% da demanda nacional de diesel, acima do nível anterior, de 85%. A notícia informa ainda que o governo deve manter o subsídio aos combustíveis enquanto durar a tensão no Oriente Médio. Esses fatores compõem o cenário em que a Petrobras avalia se e como responder à valorização do petróleo, sem que a companhia tenha anunciado uma decisão sobre os preços domésticos.

