Produção de café da América Central e do México deve cair em 2026/27


A produção de café da América Central e do México deve recuar 9,3% na safra 2026/27, iniciada em outubro, e ficar abaixo de 18 milhões de sacas de 60 quilos. A estimativa é da Sucafina, empresa de comércio de commodities agrícolas, que atribui a queda a anomalias climáticas e ao ciclo de baixa do arábica. Honduras e México devem registrar as maiores reduções, seguidos de perto pela Guatemala.

Queda após safra acima do esperado

A previsão contrasta com o resultado da temporada 2025/26, quando a produção regional de arábica e robusta chegou a 19,68 milhões de sacas, acima do esperado. Com a retração projetada, o volume da nova safra ficará abaixo de 18 milhões de sacas, segundo o relatório divulgado pela Sucafina nesta quarta-feira.

A diferença entre os dois períodos indica uma mudança na disponibilidade esperada de café produzido na região. A estimativa de queda de 9,3% considera a produção combinada dos países da América Central e do México. O relatório não detalha, no conteúdo divulgado, as projeções individuais de volume para cada país nem a divisão entre arábica e robusta.

O desempenho da safra anterior, portanto, não deve se repetir em 2026/27. A Sucafina associa a redução prevista a condições que afetam o potencial produtivo em diferentes áreas: o clima observado no primeiro semestre de 2026 e o ciclo bienal de produção do arábica. A empresa descreve a temporada atual como um “ano de baixa” para essa variedade.

Clima afeta frutos e aumenta danos

A falta de chuvas e as temperaturas mais altas atingiram as principais regiões de cultivo, de acordo com o relatório. Essas condições prejudicaram o crescimento dos frutos e elevaram os danos provocados por brocas, insetos que atacam o café. A combinação de fatores também contribui para a incerteza sobre a qualidade da safra.

A Sucafina não apresentou uma avaliação definitiva sobre o padrão dos grãos que serão colhidos. A empresa afirmou que a qualidade ainda é incerta, em parte porque o desenvolvimento dos frutos foi afetado pelas condições climáticas. Assim, a previsão de produção menor vem acompanhada de dúvidas sobre o resultado final da colheita.

Além da quantidade produzida, a evolução das lavouras nos próximos meses será relevante para avaliar o resultado. Oscar Fernando Hurtado Ramirez, diretor global de pesquisa de produção da Sucafina, afirmou que “o controle de pragas e doenças no último trimestre do ano será fundamental”. A declaração ressalta a atenção da empresa aos riscos que podem afetar as plantações no período final do ano.

Honduras e México concentram as maiores quedas

Entre os países mencionados no relatório, Honduras e México devem enfrentar as reduções mais acentuadas. A Guatemala aparece logo depois. A Sucafina não informou os percentuais de queda por país, mas apontou que os três estão entre os mais afetados pela perspectiva de menor produção regional.

Para o mercado, a previsão reúne dois fatores distintos: a redução esperada no volume e a incerteza sobre a qualidade. O relatório não apresenta projeções de preços nem estima efeitos sobre o comércio. Os dados divulgados se concentram na produção prevista para a safra 2026/27 e nas condições que podem limitar o desempenho das lavouras.

A estimativa considera a produção combinada de arábica e robusta na América Central e no México. Como a temporada começou em outubro, a previsão poderá ser acompanhada ao longo do ciclo por meio da evolução do clima e do controle de pragas e doenças, pontos destacados pela Sucafina. Até o momento, a empresa projeta um volume inferior a 18 milhões de sacas, depois da safra anterior de 19,68 milhões.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Atribuir valor ao risco climático pode atrair investimentos

Empresas que operam no Chile ainda medem pouco o impacto financeiro dos riscos climáticos, apesar da intensidade dos eventos...

Quem leu, também se interessou