O real caiu cerca de 10% no mercado futuro da Chicago Mercantile Exchange (CME), em Chicago, na noite deste domingo (25), após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser reeleito presidente no segundo turno. O resultado contrariou a expectativa do mercado, que atribuía maior probabilidade de vitória a Flávio Bolsonaro, e levou investidores a rever posições.
Às 22h20, pelo horário de Brasília, o contrato com vencimento em novembro recuava 10,02%. A cotação indicava um dólar implícito de R$ 5,56 para segunda-feira (26). Esse valor é uma referência derivada da negociação do contrato futuro, e não uma cotação informada para o mercado à vista.
Resultado contrariou expectativa do mercado
A reação ocorreu porque, segundo a notícia, os investidores não estavam posicionados para a reeleição de Lula. A mudança nas expectativas eleitorais alterou a leitura de risco para os ativos brasileiros. No mercado futuro, os preços refletem apostas sobre valores em datas posteriores; por isso, uma alteração nas perspectivas pode provocar ajustes antes mesmo da abertura dos mercados à vista.
Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, avaliou que o resultado foi a maior surpresa da eleição para o mercado. Ele afirmou que, diferentemente de um cenário de vitória de Bolsonaro, no qual uma vantagem maior poderia favorecer o desempenho dos ativos, a reeleição de Lula deveria levar a um ajuste severo de preços na abertura.
Balassiano esperava volatilidade, pressão de queda na bolsa, desvalorização do real e alta das taxas de juros. Na avaliação dele, esses movimentos poderiam persistir até que o novo governo reforçasse o compromisso com a responsabilidade fiscal. A declaração descreve uma expectativa para a reação dos mercados, e não um balanço de desempenho já confirmado na abertura.
Economistas apontam volatilidade
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, também prevê oscilações no câmbio. Ele estima que a moeda brasileira fique em torno de R$ 5,40 de forma sustentada em 2027. A projeção se refere a um horizonte mais longo e difere do dólar implícito de R$ 5,56 indicado para segunda-feira pelo contrato negociado na CME.
Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, afirmou que o resultado eleitoral representou uma mudança importante na percepção de risco do mercado brasileiro. A avaliação indica que a definição do presidente eleito alterou as referências usadas por investidores para precificar ativos, embora a fonte não detalhe a estimativa de Mendes para o câmbio ou para outros indicadores.
Reação dependerá dos próximos sinais
As avaliações dos especialistas apontam para um período de ajustes e maior instabilidade, mas não significam que todos os movimentos previstos ocorrerão na mesma intensidade. O contrato futuro mostrou uma queda expressiva na noite de domingo, enquanto as declarações de Balassiano tratavam das possíveis reações na abertura e Sung apresentou uma projeção para 2027.
Para quem acompanha o câmbio, a diferença entre esses horizontes é relevante: o valor implícito de R$ 5,56 se referia à segunda-feira, enquanto a estimativa de R$ 5,40 de Sung dizia respeito a uma cotação sustentada em 2027. A trajetória dependerá, segundo Balassiano, dos sinais do novo governo sobre responsabilidade fiscal. A fonte não apresenta outras projeções nem informa como os mercados fecharam após a abertura.

