Revolução à Vista: 60% das Empresas Brasileiras Apostam em IA Soberana em 2024!


O Caminho para a Soberania em Inteligência Artificial no Brasil

À medida que a inteligência artificial (IA) se torna cada vez mais presente em diversas áreas, a Soberania da IA — a capacidade de um país controlar seu próprio ecossistema de dados e tecnologias — ganha relevância. No Brasil, essa busca se traduz na ideia de IA Soberana, que envolve o desenvolvimento de infraestrutura física e técnica, como data centers locais, aquisição de GPUs e a criação de modelos de linguagem treinados nacionalmente.

Iniciativas do Brasil em Inteligência Artificial

O Brasil está se posicionando para se tornar um protagonista em IA por meio de dois projetos principais: o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028 e o recente lançamento da plataforma SoberanIA. Este último foi oficialmente apresentado na última terça-feira (19) em Brasília, refletindo o compromisso do governo brasileiro em invertir R$ 23 bilhões ao longo de quatro anos, sob a coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT).

Mas quais são os próximos passos? O IDC lançou um estudo chamado “Building a Sovereign AI Foundation for Government”, patrocinado pela Dell Technologies, que investiga a percepção das organizações sobre a IA como ferramenta para autonomia tecnológica e proteção de dados.

A Realidade da Adoção de IA Soberana

O estudo revela que 25% das organizações no Brasil estão em fase experimental avançada com IA soberana, superando a média global de 20,5%. Vicente Moliterno, diretor de Setor Público da Dell no Brasil, destaca que “testar IA soberana é relativamente simples, mas o verdadeiro desafio é transformar esses testes em operações reais e sustentáveis”. Isso significa que é preciso olhar para infraestrutura robusta, segurança e compliance.

Desafios e Oportunidades em Organizações Públicas

Enquanto 61,1% das organizações governamentais no Brasil planejam começar a investir em IA soberana nos próximos 12 a 18 meses — em linha com a média global de 60,5% —, apenas 8,3% estão investindo significativamente. Essa discrepância mostra que, apesar do otimismo, há um caminho a percorrer. Moliterno observa que “existe uma preocupação com os investimentos necessários em infraestrutura e segurança”.

Os dados reforçam essa preocupação: 41,7% dos entrevistados brasileiros veem os custos elevados de infraestrutura como um impedimento, comparado a 31,4% globalmente. Esse cuidado é importante, especialmente com questões sensíveis de privacidade e soberania de dados.

Resistência à Adoção de IA Soberana

O estudo também identificou uma resistência significativa à adoção de IA soberana: 27,8% dos respondentes brasileiros expressaram essa preocupação, mais do que os 22,1% no cenário global. Moliterno explica que essa resistência se relaciona à percepção de complexidade e risco, já que muitos enxergam a tecnologia como algo difícil de implementar, especialmente devido à falta de profissionais qualificados.

Principais Preocupações:

  • Complexidade tecnológica: 52,8% mencionaram que a dificuldade de gerenciar ambientes de IA soberana é uma preocupação.
  • Falta de suporte: O receio de que as equipes de TI careçam da experiência necessária para operar em larga escala é também uma barreira significativa.

A Crise da Escassez de Talentos

Essa problemática da falta de profissionais capacitados se reflete globalmente, com 55,4% dos entrevistados apontando a escassez como um dos principais obstáculos para implementação da IA. No Brasil, 44,4% identificaram a falta de profissionais com os conhecimentos necessários, levemente acima da média mundial de 41,9%.

Além disso, a dificuldade de se obter dados de alta qualidade é uma preocupação para 36,1% dos brasileiros, em comparação a 34,9% globalmente.

Caminhos para a Educação e Capacitação

Para enfrentar esses desafios, o Brasil precisa focar na formação de talentos em IA, cibersegurança, nuvem e governança de dados. Moliterno ressalta a importância de uma colaboração maior entre empresas, universidades e o setor público, criando programas que atendam às demandas do mercado.

Uma estratégia viável é a requalificação profissional, adaptando talentos existentes às novas exigências tecnológicas. Apenas formar novos talentos não é suficiente; é crucial que esses profissionais entendam o contexto e as particularidades do Brasil.

Autonomia e Dependência Tecnológica

Outro aspecto importante abordado na pesquisa é a dependência do Brasil em relação a fornecedores estrangeiros. Apesar de 44,4% dos brasileiros desejarem reduzir essa dependência, ainda há um longo caminho a percorrer. Esta é uma diferença significativa quando comparada com a média global de 28,3%.

Os brasileiros estão preocupados com a curadoria e proteção de bases de dados nacionais, melhorando assim a soberania de dados e reduzindo a exposição a riscos externos.

A Preservação Cultural e Linguística

A busca por uma IA que reflita a realidade local é preponderante, conforme Moliterno destaca. A IA Soberana pode ajudar a desenvolver soluções que considerem o contexto cultural e social do Brasil, permitindo um uso mais natural e inclusivo da tecnologia.

A pesquisa revelou que 41,7% dos brasileiros priorizam a preservação cultural e linguística na IA, superando a média global de 33,7%. Isso não só minimiza o risco de vieses culturais, mas também tem um papel essencial na preservação da identidade nacional.

Adoção de IA Agêntica

Atualmente, 44,4% das organizações pensam em investir em IA agêntica nos próximos meses, mas é notável que 50% ainda não têm planos; um número maior que o 35,7% global. A resistência pode ser atribuída à visão da IA agêntica como uma tecnologia ainda em sua infância no setor público, visto que muitas organizações estão focadas em estruturas mais básicas.

O Retorno Esperado

Quando perguntados sobre os benefícios da adoção da IA, 55,8% dos respondentes globalmente citaram maior controle sobre a residência de dados. No Brasil, a segurança nacional lidera o foco, com 63,9% das organizações apostando nessa área.

Outros benefícios destacados foram:

  • Criação de novos empregos e indústrias.
  • Aumento de produtividade.
  • Vantagem competitiva no mercado global.

Para transformar esses planos em realidades, Moliterno salienta a necessidade de políticas claras para equilibrar controle nacional e responsabilidade ética, além de promover alianças entre os setores público e privado.

Reflexão Final

A jornada rumo à Soberania em Inteligência Artificial no Brasil apresenta desafios e oportunidades únicas. Com o potencial de transformar não apenas a infraestrutura tecnológica, mas também a cultura e identidade nacional, é crucial que o país continue a investir em capacitação e infraestrutura. O futuro da IA soberana depende da colaboração entre diversas esferas da sociedade e do comprometimento em desenvolver soluções que respeitem a identidade brasileira.

O que você acha sobre a Soberania da IA? Como você vê o futuro dessa tecnologia em nosso país? Compartilhe suas opiniões e vamos continuar essa conversa!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Por que as Vendas de Trigo na Argentina Ficaram Abaixo do Esperado?

Queda nas Vendas de Trigo na Argentina: Um Desafio para os Agricultores Os agricultores argentinos estão atravessando um momento...

Quem leu, também se interessou