O Novo Capítulo das Fachadas Ativas em São Paulo
Nos últimos anos, o cenário imobiliário de São Paulo começou a mudar, especialmente em relação ao conceito de fachadas ativas. Até bem pouco tempo, essa ideia enfrentava grandes dificuldades para se consolidar. No entanto, agora, cada vez mais incorporadoras estão se mostrando atentas às necessidades dos espaços e se alinhando com investidores, transformando até compradores em sócios em empreendimentos residenciais. Vamos entender o que está mudando neste panorama e como essas inovações podem impactar a cidade.
O Que São Fachadas Ativas?
Basicamente, fachadas ativas são aquelas que integram o ambiente urbano e incentivam o comércio e serviços no térreo dos edifícios. Desde a aprovação do Plano Diretor de 2014, que buscava promover a utilização dessas fachadas, o objetivo é criar um espaço mais dinâmico e conectado à cidade. Mas, apesar das intenções, o cenário ainda apresenta desafios, como as altas taxas de vacância em áreas comerciais, com números que variam de 60% a 80% em alguns casos.
Desafios e Oportunidades
Historicamente, muitos dos projetos iniciais não consideraram o consumidor final, gerando dificuldades na hora de vender ou alugar os espaços comerciais. Muitas vezes, a equipe encarregada da venda de imóveis residenciais não tinha noção de como lidar com a área comercial, levando a resultados insatisfatórios.
Mas por que as incorporadoras ainda optam por incluir essas fachadas? A resposta está no potencial construtivo: cada metro quadrado de loja no térreo pode ser convertido em mais andares de apartamentos acima, aumentando a rentabilidade do empreendimento.
Um Novo Olhar para o Planejamento
Recentemente, o foco começou a mudar. As incorporadoras começaram a se perguntar: “Como criar um espaço que realmente atenda às necessidades dos usuários?” O diretor da consultoria JLL, Roberto Patiño, destaca que a estratégia deve ser pensada desde o início do projeto, semelhante ao que é feito nos residenciais. É preciso entender a lógica de uso desses espaços.
Exemplos Práticos de Sucesso
Várias incorporadoras têm adotado medidas inovadoras. A One Innovation, por exemplo, decidiu reduzir a metragem das fachadas ativas em seus empreendimentos. Ao invés de grandes áreas, que poderiam dificultar a locação, optaram por espaços mais acessíveis, resultando em uma taxa de ocupação de 80%.
O Papel da Localização e das Especificidades dos Bairros
É importante ressaltar que a localização é crucial. Bairros como Vila Mariana, Ibirapuera e Vila Madalena se destacam na adoção de fachadas ativas, enquanto a Santa Cecília é conhecida por abrigar a maior proporção dessas construções. No entanto, o vice-presidente da ACSP, Andrea Matarazzo, alerta que não se pode aplicar uma solução única para todos os bairros. Cada rua pode demandar uma análise específica, considerando as peculiaridades locais.
A Evolução do Desenho das Fachadas
Os projetos mais recentes têm levado em conta questões estruturais que antes eram negligenciadas. Por exemplo, a gestão de resíduos se tornou um ponto crucial para a operação diária dos espaços, evitando desconfortos para os lojistas e consumidores. As soluções adotadas vão desde a entrada e saída de materiais até a organização do delivery de restaurantes.
A Aposta na Gestão de Ativos
Outra prática que tem se mostrado eficaz é a gestão ativa dos espaços. A incorporadora Porte implementou uma área dedicada à “Gestão de Ativos”, formada por especialistas em varejo. Essa equipe ajuda os investidores a encontrar inquilinos adequados para as fachadas ativas, resultando em taxas de ocupação que variam de 70% a 80%.
A Diversidade nos Estabelecimentos
A variedade de serviços e comércio é essencial. A ideia é criar um ambiente que atraia diferentes grupos de consumidores, semelhante ao modelo de shopping, onde lojas âncora podem atrair um público maior, beneficiando os pequenos estabelecimentos.
O Futuro das Fachadas Ativas em São Paulo
A melhoria nas infraestruturas e a nova abordagem ao planejamento de fachadas ativas são passos importantes para mudar a face do comércio em São Paulo. O que antes era dominado por lojas de conveniência e minimercados agora dá espaço para uma diversidade maior de serviços de qualidade, que realmente atendam às necessidades da população.
Para alcançar esse objetivo, é vital que as incorporadoras continuem investindo em pesquisa e adaptação. Afinal, a construção de um prédio é apenas uma parte do desafio; o verdadeiro valor está em desenhar projetos que criem experiências enriquecedoras para os moradores e para a comunidade.
Reflexões Finais
Com as mudanças que estão em curso, as fachadas ativas podem se tornar uma verdadeira revolução no ambiente urbano de São Paulo. Mas para que isso aconteça, é necessário um esforço conjunto entre incorporadoras, investidores e poder público. Somente assim será possível transformar a cidade em um espaço onde comércio, serviços e moradia convivem em harmonia.
E você, o que pensa sobre essa transformação? Acha que as fachadas ativas podem mudar a maneira como nos relacionamos com a cidade? Compartilhe suas opiniões!


