São Paulo ocupa a 30ª posição no ranking global de custos para construir data centers, com média de US$ 11,66 por watt de capacidade elétrica instalada, equivalente a R$ 62,12. O levantamento da Turner & Townsend, empresa de gestão de projetos, coloca a capital paulista perto da mediana e indica custos inferiores aos de polos consolidados, como o Vale do Silício.
O Rio de Janeiro aparece em 20º lugar, com custo de US$ 12,59 por watt, ou R$ 67,05. Segundo a consultoria, o valor reflete a expansão da capacidade da cidade e sua atratividade para novos investimentos. As duas capitais brasileiras estão entre as localidades latino-americanas incluídas no ranking.
Comparação entre os polos globais
No Vale do Silício, nos Estados Unidos, o custo médio chega a US$ 15,01 por watt, cerca de R$ 76,55. No norte da Virgínia, outro importante polo americano, a média é de US$ 11,80 por watt. São Paulo fica abaixo dos dois em dólares, enquanto o Rio supera a capital paulista.
O ranking reúne 63 localidades. Tóquio lidera, com US$ 18,28 por watt, seguida por Osaka, com US$ 17,15, e Zurique, com US$ 15,93. No outro extremo, Xangai registra o menor valor, de US$ 5,79 por watt. Entre as cidades latino-americanas, São Paulo aparece depois do Rio e de Monterrey, no México, que ocupa a 23ª posição, com US$ 12,41.
O indicador “custo por watt” mede o custo médio de construção da infraestrutura para cada watt de capacidade elétrica do data center. Ele permite comparar instalações de tamanhos diferentes e não representa o preço da eletricidade consumida durante a operação.
Brasil atrai investimentos em infraestrutura digital
Henrique Cicchetto, diretor de Real Estate da Turner & Townsend no Brasil, afirma que as posições de São Paulo e do Rio de Janeiro reforçam o país como principal polo de infraestrutura de data centers da América do Sul. Ele associa a atratividade brasileira à matriz energética diversificada, à demanda crescente por capacidade de computação em nuvem e à expansão da inteligência artificial (IA).
O executivo também menciona o interesse de grandes investidores e de empresas globais de hiperescala, conhecidas como hyperscalers. Essas companhias operam serviços digitais em grande escala e demandam capacidade para armazenar e processar dados, segundo a descrição apresentada no levantamento.
Os números do estudo indicam que a expansão prevista para o setor deve aumentar a pressão sobre recursos e projetos. Cerca de 52% dos especialistas consultados estimam que, até o próximo ano, a maioria dos projetos de data centers desenvolvidos no mundo será destinada a cargas de trabalho de IA.
Energia e mão de obra são gargalos
A disponibilidade de energia é apontada como um dos principais obstáculos: 56% dos especialistas a classificam como um entrave crítico. O levantamento também registra demora para obter aprovações e conexões à rede elétrica. Para 52% dos entrevistados, esses processos levam de um a dois anos; outros 32% afirmam que podem ultrapassar 24 meses.
A falta de profissionais qualificados também aparece como desafio. Segundo a pesquisa, 81% dos participantes relatam restrições moderadas ou graves à disponibilidade de mão de obra altamente especializada.
Lloyd Wallace, diretor de Real Estate e Data Centers para a América Latina da Turner & Townsend, avalia que a região atravessa uma etapa decisiva de amadurecimento da infraestrutura digital. Ele cita o volume de capital destinado a mercados estratégicos como Brasil, México e Chile como sinal do potencial regional.
Wallace afirma, porém, que ampliar a capacidade operacional para acompanhar a expansão da IA exige enfrentar limitações no fornecimento de energia elétrica, melhorar a eficiência no uso da água e ampliar a disponibilidade de trabalhadores especializados. O relatório aponta esses fatores como desafios para viabilizar novos projetos e atender à demanda por capacidade computacional.

