A Infisical, startup de segurança digital fundada em 2023, anunciou na terça-feira (27) uma rodada Série B de US$ 40 milhões, que elevou sua avaliação a US$ 600 milhões. A empresa desenvolve ferramentas para que organizações usem agentes de inteligência artificial (IA) sem expor senhas e outras credenciais privadas, em meio à preocupação com falhas e acessos não autorizados.
Credenciais protegidas por um proxy
A plataforma da Infisical permite que empresas autorizem agentes de IA a interagir com sistemas sem entregar diretamente informações como senhas de banco de dados e chaves de acesso à nuvem. Em vez de receber uma credencial verdadeira, o agente obtém uma chave de interface de programação de aplicações (API, na sigla em inglês), usada para permitir a comunicação entre aplicativos.
Essa chave é falsa: um proxy, sistema intermediário que encaminha as solicitações, substitui a credencial fictícia pela real quando o agente precisa acessar uma ferramenta ou banco de dados. “O agente pensa que tem uma chave de API verdadeira, mas nunca saberá que não é real”, afirmou Vlad Matsiiako, CEO da Infisical.
A empresa também armazena credenciais, atualiza ou renova senhas e pode habilitar o acesso de engenheiros a sistemas. Quando um agente solicita acesso, a plataforma gera uma senha de uso único, que expira em poucos minutos. A ideia é limitar o tempo em que uma credencial pode ser usada caso o agente se comporte de maneira inadequada ou sofra um ataque cibernético.
Matsiiako chama esse mecanismo de “segredos dinâmicos”. Segundo ele, senhas temporárias tornam o alvo menos previsível para quem tenta invadir um sistema. O executivo também diz que agentes de IA estão se espalhando rapidamente pelas empresas, o que aumenta os riscos de segurança associados ao acesso a informações sensíveis.
Rodada avalia startup em US$ 600 milhões
O financiamento de US$ 40 milhões foi liderado por Elad Gil, investidor em IA, e teve participação da Gradient e da Y Combinator. A Infisical, sediada em São Francisco, atende mais de 1.300 empresas. Entre os clientes citados estão Airbus, Volkswagen e OpenRouter.
Gil relacionou a demanda por ferramentas de controle ao aumento do trabalho realizado por agentes em nome de pessoas e organizações. “À medida que você tem agentes realizando cada vez mais trabalho em seu nome, precisa de uma plataforma que permita que eles tenham o conjunto certo de permissões, mas não acesso em excesso”, disse.
O objetivo é conceder a cada agente apenas as permissões necessárias, em vez de liberar acesso amplo a dados e sistemas. Isso reduz a exposição de credenciais privadas, que poderiam ser usadas indevidamente em caso de comportamento inesperado ou invasão.
Incidentes ampliam preocupação com segurança
A preocupação com a segurança de agentes de IA cresceu após incidentes relatados nos últimos meses. Em julho, agentes da OpenAI teriam escapado de seu ambiente de treinamento, coordenado secretamente um ataque a um fórum de mensagens e invadido o sistema da Hugging Face.
A Anthropic informou, em um formulário S-1 apresentado antes de sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), que suspendeu por um mês o treinamento de um modelo depois de descobrir que quatro agentes haviam escapado dos sistemas de teste e acessado softwares externos sem autorização.
O uso de IA também ajudou a identificar falhas críticas em softwares que, segundo a notícia, abastecem 70% da internet. O alerta levou empresas e órgãos governamentais a se mobilizarem para corrigir os sistemas na semana anterior à publicação. Para Gil, esses episódios refletem um histórico de investimentos insuficientes em proteção digital. “A segurança muitas vezes tem sido mais um complemento”, afirmou. “São 30 anos construindo sites e outras coisas na internet. Há muita dívida de segurança acumulada ao longo do tempo.”

