Target eleva projeções e vê retomada das vendas após três anos de queda


A Target elevou nesta quarta-feira sua previsão de vendas e lucro para o ano fiscal, após divulgar resultados do segundo trimestre acima das estimativas dos analistas. A revisão indica uma possível recuperação após três anos de queda de receita e reflete o avanço nas vendas e os esforços da varejista para atrair consumidores.

A companhia agora espera que as vendas líquidas cresçam cerca de 5% no exercício, que termina no início de 2027. A estimativa representa uma alta de um ponto percentual em relação à projeção anterior. A Target também aumentou a faixa prevista para o lucro ajustado, que considera os efeitos de itens específicos.

As ações da empresa chegaram a subir 4,7% no pregão de quarta-feira, levando a valorização acumulada no ano a mais de 60%. O resultado e a nova projeção podem fortalecer a confiança dos investidores na estratégia do CEO Michael Fiddelke, voltada à renovação dos produtos, à tecnologia e à experiência de compra.

Vendas comparáveis avançam

As vendas comparáveis — indicador que considera lojas abertas há pelo menos um ano — cresceram 3,8% no trimestre encerrado em 1º de agosto. O avanço foi impulsionado pelo aumento do fluxo de clientes e superou as expectativas do mercado, embora tenha sido mais lento do que no trimestre anterior.

O lucro ajustado por ação também ficou acima das estimativas. O resultado foi beneficiado, em parte, por US$ 994 milhões em reembolsos tarifários antes dos impostos. A Target prevê lucro ajustado anual entre US$ 9,90 e US$ 10,90 por ação, incluindo os valores relacionados à devolução de tarifas. A empresa informou que já recebeu a maior parte dos reembolsos, mas espera novos pagamentos.

“Estamos encorajados com o progresso alcançado até aqui, mas também temos clareza sobre o importante trabalho que ainda temos pela frente”, disse Fiddelke em conversa com jornalistas.

Steven Shemesh, analista da RBC Capital Markets, afirmou que as expectativas do mercado já eram altas antes da divulgação do balanço. Na avaliação dele, a Target provavelmente adotou uma postura conservadora ao atualizar suas projeções. Para que as ações avancem de forma mais expressiva, acrescentou, a varejista terá de mostrar uma aceleração dos resultados na segunda metade do ano.

Renovação do sortimento

A Target tenta recuperar consumidores com novos produtos e itens que ganharam popularidade nas redes sociais, como chips ricos em proteína e capas de celular estampadas. A iniciativa ocorre depois de anos em que o mix de produtos da rede perdeu atratividade e os consumidores priorizaram alimentos e itens essenciais em vez de categorias como decoração e vestuário.

A empresa também enfrentou controvérsias políticas após mudanças em suas políticas de diversidade. Enquanto isso, concorrentes como Walmart e Costco ampliaram sua presença ao reforçar a oferta de preços e melhorar seus produtos.

Em resposta, a Target reformulou seu portfólio e passou a apostar em produtos exclusivos e lançamentos para estimular uma experiência de compra de “caça ao tesouro”. A rede tem mais de 2 mil unidades e também trabalha para reduzir filas, melhorar a disponibilidade de mercadorias e qualificar o atendimento.

Executivos da companhia afirmaram que os consumidores têm reagido positivamente às mudanças. As categorias de alimentos, beleza, brinquedos, eletrônicos e esportes registram crescimento consistente, segundo a empresa.

Alimentos puxam desempenho

A Target promoveu recentemente a maior reformulação de sua linha de alimentos embalados em mais de uma década. No segundo trimestre, as vendas de snacks cresceram em ritmo de dois dígitos, com destaque para produtos ricos em proteína e opções consideradas mais saudáveis. As áreas de produtos para bebês, beleza e bem-estar, que começaram a ser renovadas no início do ano, também apresentam crescimento sustentado.

Na temporada de volta às aulas, as vendas avançam quase 20%, impulsionadas por novos produtos e promoções. A companhia informou que manteve ou reduziu os preços de 95% dos itens voltados para esse período.

O desempenho, porém, ainda é desigual entre as categorias. Vestuário e artigos para casa tiveram crescimento praticamente estável no trimestre. A Target afirmou que pretende fazer mudanças em produtos de cama, mesa, banho e cozinha em 2027.

Consumidor e concorrência

As varejistas dos Estados Unidos enfrentam um cenário econômico irregular. A confiança do consumidor caiu em agosto pela primeira vez em três meses, em meio a preocupações com a inflação, enquanto o mercado de trabalho apresenta sinais de desaceleração.

Os resultados recentes do setor também variam. A Lowe’s, rede de materiais de construção, reduziu suas projeções para o ano e citou fraqueza nos gastos discricionários, aqueles destinados a produtos e serviços não essenciais. Já a Home Depot afirmou que a demanda continua resiliente, apesar da estagnação do mercado imobiliário.

Walmart, Costco e Kroger ampliam investimentos para reduzir os preços dos alimentos e atrair consumidores ainda pressionados por anos de inflação elevada. Nesse contexto, a Target busca combinar a recuperação das vendas com melhorias na oferta e na operação de suas lojas.

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