Vale (VALE3) registra lucro líquido de US$ 1,25 bilhão no 3º trimestre


A Vale registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, queda de 53% em relação ao mesmo período do ano passado e de 9% ante o trimestre anterior. O resultado, divulgado nesta quinta-feira (29), ficou abaixo da estimativa de US$ 1,38 bilhão compilada pela LSEG, em um período marcado por preços menores do minério de ferro e custos mais altos.

A receita líquida de vendas somou US$ 10,6 bilhões, alta anual de 2%. Já o Ebitda ajustado — indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — caiu 24%, para US$ 3,32 bilhões. Na métrica pro forma, que exclui efeitos de Brumadinho e da descaracterização de barragens, o indicador recuou 20%, para US$ 3,5 bilhões.

Minério de ferro pressiona resultado

A Vale atribuiu a redução do Ebitda ajustado à queda dos preços realizados dos finos de minério de ferro e às pressões externas sobre os custos. No principal segmento da companhia, Soluções de Minério de Ferro, o Ebitda foi de US$ 2,63 bilhões, baixa de 34% em um ano. Além dos preços menores, pesaram a valorização do real frente ao dólar e a alta das despesas de frete e produção.

O preço médio realizado do minério de ferro ficou em US$ 85,10 por tonelada, 10% abaixo do registrado no segundo trimestre. A produção da commodity alcançou 88,4 milhões de toneladas, recuo anual de 6%. No Sistema Norte, a produção caiu 14%, pressionada pela menor disponibilidade de minério em Serra Norte.

Mesmo com a redução da produção, as vendas de minério de ferro cresceram 0,3% na comparação anual. A Vale também informou que reafirmou a previsão de produção para 2026, entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas.

Os custos unitários também avançaram. O custo caixa C1, que acompanha os gastos diretos de produção do minério, foi de US$ 23,10 por tonelada, alta de 12% em um ano. Segundo a companhia, o indicador refletiu a apreciação do real e o custo do diesel. Já o custo all-in, que considera as despesas da mina ao porto, subiu 21%, para US$ 60,40 por tonelada, principalmente por causa do frete.

Metais básicos avançam com o cobre

A divisão Vale Base Metals teve desempenho mais forte. Seu Ebitda somou US$ 1,1 bilhão, avanço de 61% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A empresa atribuiu o crescimento a resultados operacionais consistentes e a preços realizados mais altos nas commodities de seu portfólio.

O cobre respondeu pela maior parte do resultado da divisão, com Ebitda de US$ 1,021 bilhão, alta anual de 66%, favorecido pelos preços mais elevados do metal e de seus subprodutos. O Ebitda do níquel foi de US$ 98 milhões, queda de 14%, enquanto outros itens tiveram resultado negativo de US$ 14 milhões.

A produção de cobre recuou 6%, para 85,5 mil toneladas, afetada pela reforma programada em Sossego. As vendas do metal caíram 4%, conforme esperado pela companhia. No níquel, a produção aumentou 6%, para 49,7 mil toneladas, e as vendas cresceram 16,1%, apoiadas pelo maior volume produzido. A Vale informou que as previsões de produção para 2026 foram mantidas, com cobre e níquel na metade superior de suas faixas.

Caixa, dívida e avaliação do trimestre

O fluxo de caixa livre recorrente foi de US$ 1,4 bilhão, redução de US$ 200 milhões em um ano. A Vale disse que estratégias de proteção financeira, chamadas de hedge, e a gestão do capital de giro compensaram parte do efeito do Ebitda pro forma menor. O fluxo de caixa livre total ficou em US$ 2,2 bilhões.

A dívida líquida expandida encerrou setembro em US$ 16,4 bilhões, queda de 2% frente ao trimestre anterior. A cifra está dentro da faixa de referência da companhia, entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões, mas acima de US$ 15 bilhões. Segundo a Vale, nesse patamar há menos espaço para dividendos extraordinários, como forma de preservar a disciplina de capital.

O Itaú BBA classificou o resultado como neutro. O banco apontou que preços realizados mais fracos e custos de frete maiores continuaram pressionando o negócio de minério de ferro, embora as vendas tenham superado o desempenho esperado e o custo C1 tenha melhorado. A instituição também destacou a produção abaixo do ideal no Sistema Norte e o resultado da divisão de metais básicos ligeiramente acima das projeções, impulsionado pelo cobre.

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