A Vamos (VAMO3), empresa de aluguel de caminhões controlada pela Simpar (SIMH3), teve lucro líquido de R$ 150,9 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 199,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia atribuiu o resultado à demanda em quase todos os setores atendidos e ao aumento da rentabilidade.
Entre julho e setembro, a receita líquida chegou a R$ 1,594 bilhão, alta anual de 4,3%. O Ebitda, indicador de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 1,035 bilhão, avanço de 15,7%. A margem Ebitda, que relaciona esse resultado à receita, passou de 58,5% para 65%.
Locação impulsiona receita
A Vamos apontou desempenho mais forte da locação em comparação com a venda de caminhões seminovos. Nesse segmento, o valor das extensões de contratos alcançou R$ 970,1 milhões nos nove primeiros meses de 2026, um recorde para a companhia.
O montante superou a referência prevista para o ano, chamada de guidance, ainda antes do fim do período. O valor correspondeu a 129% do ponto médio da projeção, de R$ 750 milhões, e a 108% do limite superior, de R$ 900 milhões. A empresa não detalhou, no balanço divulgado, quanto cada setor atendido contribuiu para a demanda ou para a expansão da rentabilidade.
As extensões de contratos e a maior locação de ativos usados também foram citadas entre os fatores que influenciaram a redução dos estoques de veículos disponíveis para aluguel ou venda. Esse estoque somava R$ 2,2 bilhões em setembro, queda de 18% na comparação anual. A companhia relacionou a diminuição, entre outros pontos, à ampliação dos contratos e ao maior uso de ativos usados na operação de locação.
Dívida e alavancagem recuam
A dívida líquida terminou setembro em R$ 11,723 bilhões, 2% abaixo do nível registrado um ano antes. O resultado financeiro, que reúne receitas e despesas financeiras, foi negativo em R$ 479,8 milhões no trimestre. Apesar de continuar no campo negativo, o valor caiu 14,7% na comparação anual.
A alavancagem ficou em 2,93 vezes, ante 3,27 vezes no terceiro trimestre de 2025. O indicador expressa a relação entre o endividamento e a capacidade financeira da empresa segundo a métrica adotada pela companhia. A Vamos não informou, no texto do balanço, uma meta específica para esse índice.
Os números de dívida e resultado financeiro acompanham o avanço do lucro e do Ebitda, mas representam medidas diferentes. O lucro líquido considera o resultado final da empresa no período; já o Ebitda busca refletir o desempenho operacional antes de determinados custos e despesas. A redução da alavancagem, por sua vez, mostra uma proporção menor que a observada um ano antes, sem eliminar o volume de dívida líquida registrado ao fim de setembro.
Empresa cita eficiência operacional
Em declaração sobre os resultados, o CEO da Vamos, Christian Hahn da Silva, afirmou que o desempenho demonstra a capacidade da companhia de obter ganhos de eficiência na base existente de ativos e conquistar novos negócios rentáveis. Segundo ele, esses fatores beneficiam a geração de valor para os stakeholders, termo usado para se referir aos públicos relacionados à empresa.
A companhia não apresentou no material divulgado uma abertura detalhada do lucro por segmento. Os dados informados mostram, porém, que a receita total cresceu em ritmo inferior ao Ebitda, enquanto a margem avançou 6,5 pontos percentuais em um ano. A Vamos também registrou queda anual na dívida líquida e no índice de alavancagem, além de apontar a locação como destaque em relação ao negócio de seminovos.

