O senador eleito pelo Rio Grande do Sul Marcel van Hattem (Novo) afirmou na segunda-feira, 26, que a prioridade da oposição no Senado será impedir que Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) volte à presidência da Casa. Em entrevista à Jovem Pan, ele defendeu o senador eleito Rogério Marinho (PL-RN) para o cargo e disse que a direita precisa se unir antes da posse dos novos parlamentares, em fevereiro, para disputar a eleição.
Disputa pelo comando do Senado
Van Hattem declarou que já escolheu seu candidato e vinculou a disputa à tentativa de encerrar o que chamou de hegemonia de Alcolumbre no Senado e de Hugo Motta na Câmara. “Meu candidato é Rogério Marinho, até já deixo isso claro aqui. Eu acho que é importante que a gente trabalhe para ele ser o candidato a presidente do Senado”, afirmou.
O senador eleito contestou a avaliação de que Alcolumbre já teria votos suficientes para permanecer no comando da Casa. Para Van Hattem, a oposição pode formar uma bancada capaz de competir, reunindo integrantes do PL, do Novo e de outras legendas. Ele citou os números que espera para a próxima legislatura: 29 senadores do PL e três do Novo, totalizando 32 parlamentares desses dois partidos.
A eleição exige 41 votos para a vitória. Assim, os 32 senadores mencionados por Van Hattem não alcançariam sozinhos o número necessário, e a articulação com outras siglas seria parte da estratégia defendida por ele. O parlamentar não detalhou quais partidos poderiam apoiar Marinho nem quantos votos adicionais espera obter.
A posse dos novos parlamentares, prevista para fevereiro, aparece como um marco para essa articulação. Van Hattem argumentou que a direita precisa chegar unida ao início da legislatura, em vez de deixar a definição da candidatura e a busca de apoios para depois. A prioridade anunciada por ele é, portanto, tanto construir uma candidatura em torno de Marinho quanto reunir votos suficientes para enfrentar Alcolumbre.
Pedidos de impeachment do STF
Van Hattem também relacionou a presidência do Senado ao avanço de pautas da oposição, em particular aos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a tramitação desses pedidos depende de uma decisão do presidente da Casa de colocá-los em pauta.
“A primeira é eleger o presidente do Senado, por isso que eu falei do Rogério Marinho, porque para pautar pedido de impeachment precisa o presidente do Senado colocar”, disse. Com isso, o senador eleito apresentou o resultado da eleição interna como um fator que pode influenciar a agenda do Senado e a possibilidade de a oposição dar encaminhamento a essas solicitações.
A declaração não especificou quais pedidos estariam em discussão nem indicou que eles seriam pautados caso Marinho fosse eleito. Van Hattem afirmou que a escolha do presidente é uma condição para a pauta, mas não detalhou outros passos ou o desfecho esperado para os processos.
Críticas ao Judiciário e incerteza política
Na entrevista, Van Hattem ainda criticou a atuação do Judiciário durante o segundo turno da eleição presidencial e descreveu um cenário de instabilidade após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele também apontou a posição de Flávio Bolsonaro (PL) diante da derrota como um elemento que, em sua avaliação, aumenta as incertezas para os dias seguintes.
“Agora claro que a gente tem uma situação de incerteza para os próximos dias, já contratada pelo fato de o candidato que recebeu quase 60 milhões de votos dizer que não reconhece o resultado das eleições”, afirmou. Na fala, Van Hattem não nomeou o candidato a que se referia nesse trecho.
O senador eleito avaliou ainda que a controvérsia poderia ter repercussão fora do Brasil. “A crise de confiança e de credibilidade ela extrapola o ambiente nacional e vai precisar ser trabalhada internacionalmente”, disse. As declarações foram feitas no mesmo contexto em que Van Hattem defendeu a união da direita para a eleição do comando do Senado e a candidatura de Marinho.

