Varejo alimentar cresce em outubro, e setor cita fim das bets como fatorેણ


As vendas do varejo alimentar brasileiro avançaram nas semanas de 5 a 11 e de 12 a 18 de outubro, segundo o NIQ Monitor, levantamento da NielsenIQ. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) relacionaram o movimento, especialmente, à assinatura, no fim de setembro, da medida provisória que proibiu as bets no Brasil.

Na semana de 12 a 18 de outubro, o setor registrou crescimento de 6,9% no faturamento e de 1,8% em valor, conforme os indicadores apresentados pelo levantamento. Na semana anterior, as altas foram de 7,9% e 4,5%, respectivamente. O resultado veio após um período de retração: entre 28 de setembro e 4 de outubro, o volume vendido caiu 4,4%, enquanto o valor cresceu 0,4%.

O presidente da Abras, João Galassi, afirmou que o fim das apostas trouxe aumento do consumo nos lares e disse que a expansão ocorreu em todos os estados e canais de venda. A associação apontou avanços tanto em receita quanto em volumes. Os dados, porém, mostram diferenças de desempenho entre formatos de loja, regiões e categorias de produtos.

Atacarejo lidera entre os formatos

Na semana mais recente analisada, o atacarejo — formato que combina características de atacado e varejo — teve o melhor resultado entre os canais: alta de 8,1% no faturamento e de 2,9% nas unidades vendidas. Hipermercados avançaram 6,9% em faturamento, enquanto supermercados de grande porte cresceram 6,6%.

O formato Super Pequeno foi o único a registrar queda no volume comercializado, com recuo de 2,6% nas unidades. Ainda assim, seu faturamento aumentou 3,9%. A Abad afirmou que o resultado reforça a relevância dos diferentes formatos para o varejo alimentar e chamou atenção para a percepção de que as vendas cresceram após as proibições das bets pelo governo federal.

Sul tem maior avanço regional

O Sul liderou o crescimento do faturamento, com alta de 8,4% considerando o total de lojas e de 4,1% nas mesmas lojas, indicador que compara unidades em operação nos períodos analisados. O resultado superou a média nacional e foi impulsionado principalmente por hipermercados e atacarejos.

Na região, os hipermercados do canal AS Hiper avançaram 12,4% no total de lojas e 6% nas mesmas lojas. No atacarejo, as altas foram de 11,1% e 6,3%, respectivamente. O interior de São Paulo e o agrupamento de Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro também tiveram resultados positivos, mas abaixo dos registrados no Sul.

Houve retrações pontuais em outras áreas. No Centro-Oeste, o faturamento dos hipermercados recuou 7,7% no total de lojas e 9,7% nas mesmas lojas. No Nordeste, as quedas foram de 3,5% e 1,1%. O canal Farma cresceu em faturamento em praticamente todas as regiões; a exceção foi a Grande Rio de Janeiro, onde houve recuo de 2,2% no total de lojas e de 6% nas mesmas lojas.

Bebidas e limpeza puxam as cestas

Entre as cestas de produtos, Bebidas teve a maior alta de faturamento, de 10,8%. Limpeza cresceu 10,3%, e Higiene e Beleza, 7,8%. Eletrônicos foi a única cesta citada com retração em valor, de 2%, enquanto Commodities avançou 0,5%.

Em unidades vendidas, Limpeza subiu 4,7%, Higiene e Beleza avançou 3,9% e Bebidas cresceu 2,5%. Bazar e Têxtil também teve expansão, de 5,1%. Já Commodities recuou 2,4% e Tabaco caiu 3,2%. Para a Abad, os resultados indicam que o avanço não foi uniforme entre produtos de abastecimento, consumo recorrente e categorias de maior valor agregado.

As bebidas energéticas se destacaram entre as categorias, com alta de 50,3% no faturamento e de 41,8% nas unidades. Misturas alcoólicas cresceram 39,5% em volume, enquanto refrigerantes avançaram 4,8% em unidades comercializadas. Cebola e brinquedos tiveram aumentos expressivos de faturamento, de 134,9% e 70,4%, respectivamente. Cortes bovinos, arroz e queijos também contribuíram positivamente.

Entre as quedas em faturamento, café em pó recuou 17,8%, embutidos de carne diminuíram 7,4% e óleo comestível caiu 6,2%. Morango, melancia e laranja tiveram retrações de 32,4%, 21,2% e 13,3%. Em unidades vendidas, leite asséptico caiu 9,3%, tomate recuou 24,3% e batata, 9,6%. Cervejas, suco em pó e iogurtes também pressionaram o volume comercializado.

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