A Vivara registrou lucro líquido ajustado de R$ 119,9 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 22,2% em relação ao mesmo período de 2025. A companhia atribuiu o resultado, entre julho e setembro, ao desempenho do Ebitda, apesar de uma melhora no resultado financeiro ligada à redução da dívida líquida.
A margem líquida ajustada, que indica quanto da receita se converteu em lucro, ficou em 17,3%, ante 23,2% um ano antes. Os valores consideram a visão pré-IFRS 16, norma contábil que trata do registro de arrendamentos.
Receita cresce, mas custos pressionam resultado
A receita operacional líquida avançou 4,3% na comparação anual, para R$ 692,9 milhões. Já a receita bruta líquida de devoluções somou R$ 867,4 milhões, alta de 7,7% ante os R$ 805,4 milhões do terceiro trimestre de 2025. Segundo a empresa, o crescimento foi impulsionado pelas categorias Life e Relógios.
O Ebitda ajustado — indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — caiu 22,4%, para R$ 132,7 milhões. No mesmo intervalo do ano passado, havia alcançado R$ 170,9 milhões. A margem Ebitda recuou de 25,7% para 19,1%.
A Vivara relacionou a queda à menor receita de subvenção líquida de tributos, ao aumento dos Gastos Gerais de Fabricação (GGF) e à inclusão, a partir do segundo trimestre de 2026, do Plano de Incentivo de Longo Prazo (ILP). Esse plano também contribuiu para a alta das despesas operacionais ajustadas, que aumentaram 11,3%, de R$ 303 milhões para R$ 337,3 milhões, com impacto adicional de gastos com marketing e pessoal.
Quando excluídos esses efeitos, o Ebitda recuou 4,3% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A companhia citou a compressão temporária do markup — diferença entre o custo de um produto e seu preço de venda —, os investimentos em marketing de marca e pessoal e a menor expansão da receita.
Preços do ouro e vendas digitais
As matérias-primas também influenciaram o desempenho da categoria de Joias. Após sucessivas altas, o preço do ouro no mercado à vista caiu 24% entre fevereiro e julho. A Vivara moderou os repasses de preços para conter perdas de volume, segundo a empresa. A decisão comprimiu temporariamente o markup e limitou o avanço da receita de Joias a 2,1% na comparação anual, para R$ 430,5 milhões.
As vendas digitais totalizaram R$ 140,7 milhões, crescimento de 25,3% em um ano, e representaram 16% das vendas totais. O aplicativo móvel teve alta de 144% nas vendas e respondeu por 87% do crescimento do canal digital. Em setembro, a base instalada do aplicativo era de 907 mil clientes.
As despesas operacionais mais elevadas ocorreram em um trimestre de crescimento da receita, mas contribuíram para a redução da margem. No lucro líquido, a Vivara também informou um impacto negativo líquido de R$ 5,1 milhões decorrente da revisão dos critérios de mensuração de estoques, almoxarifado e créditos tributários.
Dívida líquida cai no período
Ao fim de setembro, a dívida líquida da varejista de joias era de R$ 149,7 milhões, R$ 204,9 milhões abaixo dos R$ 354,6 milhões registrados no mesmo trimestre de 2025. A relação entre dívida líquida e Ebitda, usada para acompanhar o nível de alavancagem da empresa, passou de 0,5 vez para 0,2 vez.
De acordo com a Vivara, a melhora de R$ 5,2 milhões no resultado financeiro, favorecida pela redução da dívida líquida na comparação anual, compensou parcialmente o aumento da depreciação e a leve retração em IRPJ e CSLL em relação ao terceiro trimestre do ano anterior. A companhia afirmou que a evolução do lucro líquido acompanhou a dinâmica do Ebitda no período.

