

Em um cenário desafiador para o setor sucroenergético, marcado por margens apertadas e preços sob pressão, a Zilor Energia e Alimentos decidiu adotar uma perspectiva diferente. A empresa, que alcançou um impressionante recorde de 12,7 milhões de toneladas de cana processadas na safra 2025/26, estabelece agora uma ambiciosa meta de aumentar essa produção em 10,2%, elevando-a para 14 milhões de toneladas. Para impulsionar essa estratégia, a Zilor não descarta a possibilidade de novas aquisições. Essa visão está respaldada por uma estrutura financeira robusta, governança profissional aprimorada e a integração da mais recente usina incorporada ao grupo.
“A questão central é como a Zilor vai crescer”, explica André Inserra, que assumiu o cargo de CEO em dezembro de 2024, em entrevista exclusiva à Forbes Agro. O executivo, que construiu uma carreira sólida em multinacionais de setores como energia e automação – incluindo a ABB e a Schindler – compartilha sua visão sobre o futuro da empresa. Em breve, essa conversa poderá ser conferida no podcast “Palestra da Forbes”, disponível no YouTube da Forbes Brasil.
Logo após assumir, Inserra dedicou-se a explorar os canaviais e as unidades industriais da Zilor. A companhia atualmente gerencia cerca de 200 mil hectares cultivados, combinando produção própria com a de fornecedores de cana. Com sede em São Paulo e usinas e plantações no interior do estado, em localidades como Lençóis Paulista, Macatuba, Quatá e Lucélia, a Zilor possui 80 anos de história. Na edição de 2025 do ranking Agro100, a Zilor destacou-se ao ocupar a 70ª posição geral e a 14ª entre as empresas do segmento Agroenergia.
A Zilor fechou a safra 2025/26 com uma receita líquida impressionante de R$ 3,6 bilhões e um EBITDA ajustado de R$ 1,3 bilhão, resultando em uma margem EBITDA de 36%. Nesse contexto, a empresa conseguiu reduzir sua alavancagem para 1,11 vez da dívida líquida sobre o EBITDA, consolidando um processo de reestruturação que havia se iniciado anos antes, quando esse indicador chegou a próximos de cinco vezes.
A abordagem da Zilor é especialmente relevante em um momento de turbulência para a agroindústria canavieira. Após um período de preços altos das commodities, o setor enfrenta uma queda nos valores do açúcar e do etanol, além de oscilações cambiais e desafios climáticos que impactaram diversas regiões produtoras. Em algumas áreas, chuvas excessivas atrasaram a colheita, enquanto geadas e variações climáticas prejudicaram o rendimento das lavouras. A Zilor, embora tenha enfrentado dificuldades climáticas na safra anterior, conseguiu registrar resultados recordes, reforçando sua resiliência.
Entretanto, esse panorama não altera a visão de longo prazo da Zilor. Apesar dos desafios de curto prazo, as expectativas para o setor sucroenergético continuam indicando um crescimento sustentável. De acordo com um estudo da Embrapa, a cadeia sucroenergética brasileira deve movimentar US$ 206,6 bilhões até 2030, com um Produto Interno Bruto setorial projetado em US$ 74,5 bilhões. O levantamento também prevê uma arrecadação tributária significativa, estimando US$ 19,2 bilhões e sugerindo a necessidade de cerca de 80 novas usinas para atender à crescente demanda, o que exigirá investimentos próximos de US$ 31,4 bilhões.
“Estamos muito focados no longo prazo. Queremos garantir que nossa empresa seja saudável nos próximos dez anos e, quem sabe, nos próximos 80”, afirma Inserra.
Crescimento Antes do Próximo Ciclo

A ambição de expandir a moagem na Zilor vai além de uma simples meta operacional. Segundo Inserra, essa visão orienta toda a organização. “Em vez de focar somente na entrega de resultados imediatos, incentivamos a equipe a pensar no crescimento. Estabelecemos uma meta desafiadora e estimulamos todos a se engajar nessa expansão”, destaca.
Essa mudança de foco transforma a dinâmica interna da empresa, que agora conecta produtividade agrícola, disponibilidade de terras e crescimento industrial em uma única estratégia. “Para aumentar nossa moagem, precisamos de cana saudável; para isso, precisamos de terra”, resume Inserra.
A Aquisição que Iniciou um Novo Capítulo

O caminho para o crescimento teve início antes da chegada de Inserra. Em 2025, a Zilor fez sua primeira aquisição de usina em quase 40 anos, ao incorporar a Unidade Salto Botelho, localizada em Lucélia (SP). Esta aquisição não só ampliou a capacidade industrial da empresa, mas também elevou a moagem a um novo patamar.
Além disso, a Zilor realizou uma reorganização estratégica ao formar uma joint venture com a francesa Lesaffre para operar a Biorigin. Nesse arranjo, a Lesaffre passou a controlar 70% do negócio de derivados de levedura, enquanto a Zilor ficou com os 30% restantes, focando seus investimentos na matriz sucroenergética.
Inserra menciona que a integração da nova usina, a reorganização da Biorigin e o início de sua gestão exigiram uma dedicação intensa às operações. “É fundamental se envolver diretamente com o negócio no dia a dia; do contrário, muito se perde”, ressalta.
Felizmente, o processo de integração ocorreu conforme o planejado e fortaleceu a capacidade da Zilor para novas expansões. Durante a entrevista, o CEO enfatiza que o crescimento poderá vir tanto do aumento da eficiência operacional quanto de aquisições que façam sentido dentro da estratégia da empresa. “Estamos abertos a novas aquisições, e com certeza iremos buscar as 14 milhões de toneladas”, conclui Inserra.
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