A Embraer encerrou o terceiro trimestre de 2026 com uma carteira recorde de pedidos de US$ 35,7 bilhões, alta de 14% em 12 meses e de 3% ante o trimestre anterior. Em relatório divulgado na sexta-feira (23), a XP Investimentos manteve recomendação de compra para as ações EMBJ3 e preço-alvo de R$ 113, ao avaliar que os contratos dão maior previsibilidade ao crescimento da companhia.
A estimativa da corretora considera a cotação de referência de R$ 87,55 usada na análise e indica potencial de valorização de aproximadamente 29%. No trimestre anterior, a carteira já havia alcançado o recorde de US$ 34,5 bilhões.
Aviação comercial concentra maior parte dos pedidos
A aviação comercial responde pela maior parcela da carteira, com US$ 15,8 bilhões em encomendas. Entre julho e setembro, a Embraer recebeu 36 pedidos firmes de aeronaves da família E2. Os contratos incluem clientes como Grupo Abra, controlador de Avianca e Gol, Binter, Luxair e ANA Holdings.
O Grupo Abra encomendou 20 jatos E195-E2. O acordo prevê opções e direitos de compra que podem elevar o total para até 45 aeronaves. As opções não representam, por si só, pedidos firmes, mas permitem ampliar a quantidade conforme os termos do contrato.
As demais áreas também registraram volumes elevados. A aviação executiva chegou a US$ 8,2 bilhões, alta anual de 12%. Defesa e Segurança somou US$ 6,1 bilhões, avanço de 56% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Já Serviços e Suporte alcançou US$ 5,6 bilhões em contratos, crescimento de 14% em um ano.
- Aviação comercial: US$ 15,8 bilhões;
- Aviação executiva: US$ 8,2 bilhões;
- Defesa e Segurança: US$ 6,1 bilhões;
- Serviços e Suporte: US$ 5,6 bilhões;
- Total da carteira: US$ 35,7 bilhões.
Segundo os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, da XP, o volume de encomendas reduz a incerteza sobre o crescimento futuro. A carteira reúne pedidos e contratos que ainda serão convertidos em entregas, serviços e receitas ao longo do tempo.
Pedidos superam o faturamento nas divisões
Um dos indicadores considerados pela XP é a relação entre novos pedidos e faturamento, chamada de book-to-bill. Quando o índice fica acima de uma vez, o valor dos pedidos recebidos supera o faturamento reconhecido no período. De acordo com a corretora, a Embraer manteve essa relação acima de um em todas as divisões nos 12 meses anteriores.
Esse resultado, na avaliação dos analistas, ajuda a sustentar a atividade da empresa nos próximos anos. A XP também apontou possíveis contratos adicionais: as escolhas de Eslováquia e Lituânia por seis aeronaves KC-390 ainda não estavam incluídas na carteira. A eventual contribuição depende da formalização desses pedidos.
Com preço-alvo de R$ 113 para EMBJ3, a XP manteve a recomendação de compra. O valor projetado corresponde a uma alta potencial de aproximadamente 29% em relação aos R$ 87,55 considerados no relatório. A estimativa expressa a avaliação da corretora, não uma garantia de desempenho das ações.
Entregas avançam no terceiro trimestre
A fabricante entregou 66 aeronaves entre julho e setembro, aumento de 6% na comparação com o mesmo período de 2025 e o melhor resultado para um terceiro trimestre. Foram 22 aviões comerciais, 41 jatos executivos e três aeronaves de defesa.
Nos nove primeiros meses de 2026, as entregas somaram 175 unidades, alta de 14% ante igual intervalo do ano anterior. A XP calculou que a aviação comercial já havia atingido cerca de 63% do ponto médio da meta anual de entregas. O percentual supera a média histórica de 58% para esse estágio do ano.
Na aviação executiva, a empresa havia cumprido aproximadamente 70% do ponto médio da meta, acima da média histórica de 60%. Esses números mostram o ritmo de entregas em relação às metas e às médias usadas pela corretora. Para a Embraer, a carteira recorde e a produção do trimestre são indicadores acompanhados pelo mercado para avaliar a conversão dos contratos em resultados.

