O VN-Index, principal índice da bolsa do Vietnã, fechou em 1.774 pontos na semana que antecedeu a sessão de 27 de outubro, quase 70 pontos acima do encerramento da semana anterior. A alta ocorreu apesar das vendas líquidas de investidores estrangeiros, que superaram 3,1 trilhões de dongs vietnamitas (VND), e foi acompanhada por ganhos de ações imobiliárias. O avanço refletiu expectativas de medidas para reduzir custos de crédito e de mudanças em leis do setor, mas ainda não confirma uma recuperação duradoura dos fundamentos das empresas.
Ações imobiliárias avançam
Além das oscilações de papéis do grupo Vingroup, como VIC e VHM, ações de diferentes empresas do setor imobiliário registraram altas por pelo menos três sessões consecutivas. Entre elas estão CTD, KDH, DPG, HDC, NLG e SZC.
As ações da Coteccons Construction Joint Stock Company (CTD) subiram de cerca de 63 mil para 67 mil VND. No segmento imobiliário industrial, os papéis da Sonadezi Chau Duc Joint Stock Company (SZC) avançaram por quatro dias seguidos, de 17.300 para 20.200 VND.
Segundo a Maybank Securities, os esforços do governo para reduzir as taxas de juros dos empréstimos e a análise, pela Assembleia Nacional, de mudanças nas leis ligadas ao setor imobiliário ajudaram a melhorar o sentimento dos investidores após a forte correção do mercado no início de outubro.
Juros e mudanças legais
O governo e o Banco Central do Vietnã pediram uma redução de 1,5% a 2% nas taxas de juros de empréstimos para a indústria de transformação, o comércio e outros setores prioritários. O mercado imobiliário não está entre os diretamente contemplados, mas pode ser beneficiado por custos de capital menores, condições de crédito mais favoráveis e maior confiança de compradores de imóveis.
A medida surge depois de as taxas médias de empréstimos em VND de médio e longo prazo passarem de uma faixa de 6,7% a 9% no fim de 2025 para 8,4% a 10,7% em agosto. No mesmo período descrito pela fonte, as taxas de depósitos com prazo superior a 12 meses aumentaram cerca de 1 ponto percentual.
A Assembleia Nacional também analisa alterações à Lei de Terras, à Lei de Habitação e à Lei de Negócios Imobiliários. A discussão inclui entraves à avaliação e à aquisição de terrenos, ao reassentamento e a projetos com execução lenta. Esses fatores contribuíram para a recente recuperação das ações do setor, segundo a avaliação apresentada pela Maybank Securities.
Um especialista da instituição, que não foi identificado, ponderou que os anúncios ainda não significam que os juros tenham efetivamente caído. “A política de redução das taxas de juros e os esforços para eliminar obstáculos legais são sinais positivos para o setor imobiliário. No entanto, trata-se apenas de uma diretriz política e não significa que as taxas de juros tenham efetivamente diminuído”, afirmou. Ele disse que será necessário acompanhar os dados de setembro e outubro e as taxas praticadas pelos bancos comerciais para medir o efeito sobre os empréstimos comerciais e imobiliários.
Endividamento aumenta a atenção
Nguyen The Minh, diretor de Banco de Investimentos da An Binh Securities Company (ABS), afirmou que os juros preocupam mais os investidores do que a melhora da classificação do mercado. Se as taxas permanecerem estáveis ou caírem ligeiramente, o VN-Index poderá oscilar entre 1.700 e 1.900 pontos. A possibilidade de chegar a 2.000 pontos no curto prazo dependerá, em grande medida, de uma redução dos juros. Minh também alertou para a pressão de venda por realização de lucros quando o índice se aproximar de níveis de resistência, patamares em que investidores podem vender ações após a alta.
Outro fator acompanhado por analistas é a dívida de margem, o dinheiro emprestado por investidores às corretoras para comprar ações. Dados da FiinTrade mostram que o saldo ultrapassou 457,5 trilhões de VND no fim do terceiro trimestre em 78 corretoras, que representam 99,6% do capital do setor. O valor aumentou 11,7 trilhões de VND em relação ao trimestre anterior e 56,4 trilhões ante o fim do ano passado. É o maior nível já registrado, embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado frente ao trimestre anterior.
Em muitas corretoras, os juros cobrados nesses empréstimos ficam entre 13% e 13,5% ao ano. Quando as ações ficam estáveis ou caem, o custo pesa para quem investiu com recursos emprestados. A queda no valor dos ativos dados como garantia também pode levar a pedidos de mais garantias ou à venda forçada de papéis. O risco, porém, varia conforme o perfil do cliente, o grau de alavancagem e a qualidade dos ativos oferecidos.
Lucros podem orientar a recuperação
Luong Duy Phuoc, diretor de análise da Kafi Securities Company, considera que os lucros das empresas, e não apenas a expectativa de juros menores, sustentam o impulso imediato de recuperação do índice. Na avaliação dele, a demanda elevada por capital no fim do ano dificulta uma queda rápida das taxas de depósitos. Os resultados do terceiro trimestre e as perspectivas para 2027 devem influenciar a capacidade de atrair recursos para a bolsa.
“Ações com lucros crescentes, forte fluxo de caixa e avaliações razoáveis terão vantagem”, disse Phuoc. Para ele, o mercado pode atingir o fundo antes de os juros caírem, se os investidores entenderem que a fase mais intensa de pressão sobre as taxas já passou. O cenário que descreve para o VN-Index é de recuperação intercalada com períodos de acumulação, com desempenho desigual entre empresas, sem expectativa de uma alta ampla e forte. A alta recente dos papéis imobiliários, portanto, expressa expectativas de políticas públicas e melhora do sentimento, mas não basta para comprovar uma recuperação sustentável do setor.

