O plantio de soja em Mato Grosso chegou a 89,05% da área prevista para a safra 2026/27 nesta semana, acima dos índices registrados no mesmo período do ciclo passado e da média das últimas cinco safras. O avanço foi impulsionado pela retomada das chuvas a partir da segunda semana de outubro, após um começo de temporada marcado por irregularidade das precipitações e baixa umidade do solo, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Na comparação com a semana anterior, a semeadura avançou 13,24 pontos percentuais no maior Estado produtor de soja do país. O índice atual supera em 12,92 pontos percentuais os 76,13% registrados no mesmo período do ano passado e em 10,58 pontos a média quinquenal, de 78,47%.
Chuvas aceleraram a semeadura
O ritmo atual contrasta com o início de outubro. Naquele momento, os produtores haviam semeado 10,23% da área projetada, abaixo da média de 11,23% observada nas cinco safras anteriores. A falta de umidade no solo e a distribuição irregular das chuvas limitaram as operações nas primeiras semanas após o fim do vazio sanitário, período em que o cultivo de soja é proibido.
A situação mudou a partir da segunda semana do mês, quando as precipitações retornaram e permitiram acelerar os trabalhos no campo. Em 9 de outubro, o plantio alcançou 33,28% da área, ante média histórica de 25,36%. Na semana seguinte, o índice chegou a 51,86%, enquanto a referência das últimas cinco safras era de 43,01%.
Em 23 de outubro, a semeadura já cobria 75,81% da área prevista, acima dos 64,31% que representam a média para a mesma data. O levantamento mais recente do Imea indica que o avanço prosseguiu e levou o Estado a 89,05% nesta semana.
A sequência dos números mostra uma inversão em relação ao começo do mês: o plantio iniciou abaixo do padrão histórico e, depois da volta das chuvas, passou a superar as médias nas datas acompanhadas pelo instituto. A diferença atual frente à média de cinco anos é de 10,58 pontos percentuais.
Área cresce, mas produção estimada recua
O Imea projeta que a soja ocupará 13,08 milhões de hectares em Mato Grosso na safra 2026/27. A área representa aumento de 0,60% em relação ao ciclo anterior. Apesar da expansão, a estimativa de produção é de 50,89 milhões de toneladas, queda de 1,43% frente à temporada passada.
A produtividade prevista é de 64,82 sacas por hectare, 2,02% inferior à registrada na safra anterior. Assim, as projeções do instituto apontam para uma área maior e, ao mesmo tempo, para recuos tanto na produção total quanto no rendimento por hectare. Os números são estimativas para o ciclo, enquanto o percentual de plantio mede o andamento dos trabalhos no campo.
Calendário também afeta o milho
O ritmo de plantio da soja tem reflexos no calendário do milho de segunda safra, cultivado depois da colheita da oleaginosa. A antecipação da semeadura da soja pode ampliar a área de milho plantada dentro da janela considerada de menor risco climático, de acordo com o texto do levantamento.
As regiões Médio-Norte e Oeste já lideravam o avanço estadual na semana anterior. O calendário da soja, portanto, influencia a sequência das operações agrícolas nessas áreas, pois a semeadura do milho depende da conclusão da colheita da oleaginosa. A fonte não apresenta percentuais regionais nem uma projeção específica de área para o milho.

