Os acionistas da Raízen aprovaram nesta sexta-feira (30) a separação dos negócios de açúcar, etanol e bioenergia das operações de distribuição de combustíveis, medida que prevê a criação de duas companhias abertas independentes e listadas em bolsa. A conclusão da operação depende do cumprimento das condições previstas no plano de recuperação extrajudicial e das exigências legais.
Atividades serão divididas entre duas empresas
Com a reorganização, a Raízen Energia ficará responsável pela produção e comercialização de açúcar, etanol e bioenergia. Já a Raízen S.A. concentrará a distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. A divisão, portanto, separa as atividades ligadas à produção e à comercialização de produtos agrícolas e bioenergéticos da operação de distribuição de combustíveis.
O fato relevante divulgado pela companhia informa que as duas empresas serão independentes e terão ações listadas em bolsa. A aprovação dos acionistas, porém, não significa que a separação já esteja concluída. A operação ainda precisa atender às condições estabelecidas no plano de recuperação extrajudicial da Raízen e às exigências previstas em lei.
A aprovação também foi dada pelos acionistas nesta sexta-feira para a implementação do plano de recuperação extrajudicial. A separação dos negócios e a execução do plano são, assim, decisões relacionadas à reorganização da companhia, mas a conclusão da cisão permanece sujeita às condições mencionadas no comunicado.
Plano envolve dívida de cerca de R$ 65 bilhões
O plano de reestruturação envolve uma dívida de aproximadamente R$ 65 bilhões. A fonte descreve a operação como a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil. A empresa chegou a esse processo após uma combinação de apostas arriscadas, safras ruins e preços baixos das commodities, fatores apontados no relato sobre a situação financeira da Raízen.
O pacote de reestruturação prevê um aumento de capital com valores entre R$ 3,5 bilhões e R$ 39,8 bilhões, segundo documento da própria empresa publicado na segunda-feira. A informação disponível apresenta esse intervalo, sem detalhar quais condições determinariam o montante final nem como os recursos seriam distribuídos.
O aumento de capital integra o pacote aprovado, mas a notícia não informa o calendário para sua implementação. Também não apresenta detalhes sobre a participação de cada acionista na operação ou sobre eventuais mudanças na estrutura de controle. Esses pontos não foram especificados nas informações divulgadas sobre as aprovações.
Conclusão depende de condições previstas
O avanço formal do plano e a aprovação da separação não eliminam as etapas que ainda precisam ser cumpridas. A empresa terá de observar as condições do próprio plano de recuperação extrajudicial e os requisitos legais antes de concluir a transformação das atividades em duas companhias independentes.
A divisão define quais negócios ficarão em cada empresa: a Raízen Energia reunirá açúcar, etanol e bioenergia, enquanto a Raízen S.A. manterá a distribuição de combustíveis e lubrificantes Shell. A notícia não informa quando as duas companhias passarão a operar separadamente nem quando suas ações serão negociadas de forma independente.
Três pessoas familiarizadas com o assunto disseram que os acionistas também aprovaram a implementação do plano de recuperação extrajudicial. A Raízen foi procurada para comentar, mas não quis se manifestar.

