Ibovespa futuro sobe com Selic mantida e expectativa de fim da guerra no Irã


O Ibovespa Futuro subia 0,30%, aos 170.005 pontos, às 9h02 desta quinta-feira (5), após o Banco Central manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano e interromper o ciclo de cortes iniciado em março. O pregão também era marcado pela divulgação de resultados de empresas, pela expectativa de novos balanços após o fechamento e pelas movimentações nos mercados internacionais diante de sinais de possível redução das tensões entre Estados Unidos e Irã.

Decisão do BC deixa próximos passos em aberto

Na quarta-feira (4), o Banco Central decidiu manter a Selic, taxa básica de juros da economia, em 13,75% ao ano. Foi a primeira decisão de política monetária da instituição após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A notícia surpreendeu os mercados e contribuiu para a queda de ativos brasileiros na véspera.

O BC citou a perspectiva de inflação mais alta nos próximos anos e descreveu um cenário de incertezas ampliadas e desafiador para a política monetária. A autoridade monetária não antecipou qual será sua próxima decisão, deixando em aberto o rumo dos juros após a interrupção dos cortes.

A manutenção da Selic é um dos fatores observados pelos investidores na avaliação dos ativos brasileiros. No início do pregão desta quinta, o Ibovespa Futuro avançava, enquanto o dólar futuro recuava 0,15% na B3, a R$ 5,478. Os movimentos indicavam comportamentos distintos entre os contratos negociados no mercado local naquele momento.

Porto Seguro divulga lucro e balanços são aguardados

Entre os resultados já anunciados, a Porto Seguro informou lucro líquido de R$ 839 milhões no terceiro trimestre. O valor representa alta de 0,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Depois do fechamento do mercado, a agenda de balanços inclui Allos, Assaí, Fleury, Localiza, Petroreconcavo, Renner, Sabesp, Suzano e Vivara. Os números dessas companhias podem oferecer informações sobre o desempenho de diferentes setores, mas os resultados ainda não haviam sido divulgados no início da sessão.

O pregão também coincide com compromissos do presidente Lula. Às 15h30, ele participa da primeira reunião do conselho de minerais críticos. Às 19h, está prevista uma live com o deputado André Janones, da Rede-MG.

Eleição nos EUA influencia expectativas sobre o conflito

No cenário externo, os mercados reagiam à vitória dos democratas nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. O resultado aumentou as expectativas de que a guerra entre os Estados Unidos e o Irã possa chegar ao fim. Operadores avaliam que o presidente norte-americano, Donald Trump, enfrentaria um Congresso controlado pelos democratas e a pressão dos preços elevados de energia associados ao conflito no Oriente Médio. Nesse contexto, apostam que ele teria menos disposição para ampliar a guerra.

Em Wall Street, os contratos futuros apresentavam sinais diferentes. O Dow Jones Futuro subia 0,60%, enquanto o S&P 500 avançava 0,17%. O Nasdaq, por sua vez, recuava 0,47%.

As bolsas da Ásia-Pacífico fecharam sem uma direção única. As ações de fabricantes de chips tiveram novas quedas acentuadas: o índice Kospi, da Coreia do Sul, recuou 4,8%, e as ações de Taiwan caíram 2,6%. A movimentação foi associada à preocupação dos investidores com o destino dos grandes gastos em centros de dados, tema mencionado no contexto das eleições.

Petróleo e minério têm movimentos distintos

As informações sobre o petróleo apontavam estabilidade perto das mínimas recentes em um trecho do pregão e alta em outra atualização. A expectativa de que as perdas do Partido Republicano nas eleições para o Congresso possam reduzir o risco de escalada do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã foi citada entre os fatores acompanhados pelos investidores.

O ouro e outros ativos avançaram após o resultado eleitoral norte-americano, enquanto as cotações do minério de ferro na China fecharam em alta pela segunda sessão consecutiva. O minério atingiu o maior preço em um mês, impulsionado pela forte valorização das ações chinesas e pela melhora das margens do aço.

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