Lula reúne Haddad, Durigan e Galípolo para discutir dívida pública e rumo da economia


Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião com integrantes da equipe econômica e antigos colaboradores para discutir os rumos da economia brasileira nesta quinta-feira (5), em Brasília. O encontro ocorre após a reação negativa dos mercados à reeleição do petista e em meio à pressão por medidas de ajuste fiscal. A dívida pública e a condução das políticas econômica e monetária estão entre os temas em debate.

Equipe econômica e ex-ministros participam

Entre os convidados estão o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e seu antecessor, Fernando Haddad. Também devem participar o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega; o ministro do Planejamento, Bruno Moretti; e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante.

Lula chamou economistas de sua confiança para discutir a política econômica. O avanço da dívida pública deve ser um dos principais assuntos do encontro, que acontece um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros, manter a Selic em 13,75% ao ano. A decisão interrompeu o ciclo de redução dos juros.

Ao justificar a cautela, o Banco Central apontou riscos de inflação e a deterioração das expectativas econômicas. A autoridade monetária também elevou suas projeções de inflação após a desvalorização do real e a piora das expectativas fiscais. A manutenção dos juros ocorre enquanto o governo discute alternativas para reduzir o custo da dívida e estimular a atividade econômica.

Dívida e ajuste fiscal no centro do debate

A dívida bruta brasileira está próxima de 83% do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede o conjunto de bens e serviços produzidos no país. As despesas com juros acumulam cerca de 9% do PIB em 12 meses. Esses números ampliam a cobrança por medidas para estabilizar o endividamento sem comprometer as promessas sociais feitas por Lula durante a campanha presidencial.

Durigan defende um ajuste fiscal gradual, com revisão de despesas e de benefícios tributários. Na terça-feira (3), o ministro afirmou que o governo pretende melhorar as contas públicas preservando os compromissos assumidos com a população. A equipe econômica ainda não apresentou um pacote definitivo de medidas para 2027.

A falta de medidas concretas e as incertezas sobre a composição do próximo ministério têm contribuído para a volatilidade dos ativos brasileiros. A discussão fiscal também se conecta ao custo dos juros: com a Selic mantida em patamar elevado, o governo busca alternativas para lidar com o peso da dívida, enquanto o Banco Central sinaliza preocupação com a inflação e as expectativas econômicas.

Propostas para os juros dividem aliados

A reunião ocorre em meio a divergências entre integrantes do campo governista sobre a coordenação das políticas fiscal e monetária. André Lara Resende, economista e um dos formuladores do Plano Real, propôs criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional e reduzir gradualmente a Selic para 7,5% ao ano.

A proposta recebeu apoio de José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha de Lula, mas também provocou críticas de integrantes da equipe econômica e preocupação entre investidores. Durigan afirmou que a iniciativa apresenta deficiências e rejeitou mecanismos administrativos para limitar os juros. Mercadante também disse que o tabelamento da Selic não está em discussão no governo.

A presença de Galípolo na reunião se dá nesse contexto. Cabe ao presidente do Banco Central conduzir a política monetária, que permanece restritiva, enquanto o Planalto procura caminhos para reduzir o custo da dívida e estimular a atividade. O debate reúne, portanto, posições distintas sobre o papel dos juros e a forma de compatibilizar o controle das contas públicas com os compromissos sociais.

Composição do governo de 2027 segue indefinida

O encontro acontece durante as articulações para a formação do quarto governo Lula. Haddad deixou o Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo, mas continua entre os principais conselheiros econômicos do presidente. Durigan conduz as discussões sobre ajuste fiscal e a preparação do Orçamento de 2027.

O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), citado como possível candidato ao Ministério da Fazenda, não está entre os participantes. Ainda não há confirmação de que Lula tratará de nomeações na reunião. O presidente prepara um pronunciamento em rede nacional para domingo (8), no qual pretende reafirmar o compromisso com as contas públicas e com a manutenção dos programas sociais.

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