Itaú lidera rivais em lucro entre os bancos no 3T26


Os resultados do terceiro trimestre de 2026 mostram desempenhos distintos entre Itaú, Bradesco e Santander, apesar de os três bancos operarem em um cenário de juros elevados, desaceleração do crédito e pressão da inadimplência. O Itaú liderou em lucro e rentabilidade, enquanto o Bradesco avançou em ganhos, mas ainda enfrenta obstáculos na recuperação, e o Santander registrou queda no resultado. A divulgação do Itaú, na terça-feira (3), completou a comparação entre as instituições.

O Itaú teve lucro recorrente de R$ 12,6 bilhões, alta de 6,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Bradesco registrou R$ 7,1 bilhões, crescimento de 14,6%. Já o lucro do Santander foi de R$ 2,9 bilhões, recuo de 28% na comparação anual.

Rentabilidade e inadimplência diferenciam os bancos

O lucro absoluto não foi o único indicador a separar os resultados. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) mede quanto uma instituição gera de lucro em relação ao capital dos acionistas. No Itaú, o indicador chegou a 23,6%. O Bradesco teve retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 15,6%, percentual que sobe a 16,1% quando se desconsidera o efeito do aumento de capital de R$ 10 bilhões. No Santander, o ROE ficou em 11,9%.

Assim, a rentabilidade do Itaú foi quase o dobro da registrada pelo Santander, com uma diferença de 11,7 pontos percentuais entre os dois. A inadimplência também variou entre as instituições. Considerando atrasos superiores a 90 dias, o índice foi de 2% no Itaú, 4,6% no Bradesco e 3,4% no Santander.

O tamanho da carteira e da margem financeira ajuda a dimensionar a operação do Itaú. A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 1,54 trilhão, enquanto a margem financeira gerencial somou R$ 34,6 bilhões. O resultado combina uma carteira de crédito de grande porte com um índice de inadimplência menor que o dos outros dois bancos no período.

Estratégias e desafios no trimestre

A liderança do Itaú está associada, segundo a análise apresentada no balanço, à seletividade na concessão de crédito e ao controle de riscos. Para Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, analistas da XP, o resultado indica capacidade de atravessar um ambiente econômico mais desafiador. A XP manteve recomendação de compra para as ações ITUB4 e apontou o banco como sua principal escolha entre os grandes bancos.

No Bradesco, o crescimento do lucro e os ganhos de eficiência convivem com a pressão da inadimplência. Rafael Reis, analista do BB Investimentos, avaliou o trimestre como mais negativo do que neutro. Na avaliação dele, o aumento das despesas com crédito e a pressão sobre as margens dificultam uma recuperação mais rápida da rentabilidade. O BB Investimentos manteve recomendação de compra para BBDC4, mas reduziu o preço-alvo de R$ 24 para R$ 23.

O Santander adotou uma estratégia de reduzir a exposição ao crédito de clientes de menor renda para conter riscos. Essa escolha, porém, também diminui a participação de operações com margens mais elevadas. A XP considerou o resultado ligeiramente acima de suas estimativas, embora tenha identificado sinais de fraqueza nas receitas.

Perspectivas para os próximos trimestres

Os três resultados apontam desafios diferentes para as instituições. O Itaú encerrou a temporada com indicadores de rentabilidade e qualidade de crédito superiores aos dos concorrentes analisados. A geração de capital e o controle da carteira sustentam sua posição relativa, embora os números do trimestre não eliminem os riscos ligados ao ambiente econômico.

Para o Bradesco, o avanço dos ganhos de eficiência terá de compensar o custo maior do crédito e a inadimplência. No Santander, a recuperação das margens será importante para elevar a rentabilidade, enquanto a redução da exposição a clientes de menor renda limita operações mais lucrativas.

Os balanços mostram que o volume de lucro, isoladamente, não revela quanto cada banco entrega de retorno aos acionistas. Rentabilidade, inadimplência e margem financeira ajudam a explicar por que instituições sujeitas a condições econômicas semelhantes podem apresentar resultados tão diferentes.

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