A Europol realizou uma operação para restringir a circulação de jogos e materiais online que simulam ações terroristas e violentas. A iniciativa encaminhou mais de 9 mil links de conteúdo extremista encontrados em 47 plataformas de jogos e redes sociais, com o objetivo de interromper a promoção de ideologias violentas e possíveis esforços de recrutamento.
Os links identificados estavam associados a extremismo jihadista, de extrema direita, de esquerda e anarquista. As autoridades não informaram quantos endereços foram removidos nem se a ação resultou em prisões. O conteúdo teria sido produzido e compartilhado por diferentes indivíduos, grupos, redes e organizações.
Jogos e comunidades online
Em Portugal, a Polícia Judiciária encontrou 54 endereços de internet, ou URLs, e os compartilhou com provedores de serviços online para análise. Entre eles estavam jogos que simulavam ataques terroristas contra escolas e uma mesquita, além de materiais que glorificavam os autores desses ataques.
A investigação também identificou mapas para download do jogo de realidade virtual Bonelab, usados para recriar cenários violentos e que incluíam avatares com referências ao islamismo militante. Outros itens encontrados foram avatares com temática extremista no Roblox e convites para comunidades terroristas no Discord.
As autoridades alertaram que atividades desse tipo podem evoluir para ações coordenadas de produção e disseminação de propaganda, além de iniciativas para atrair novos membros e seguidores. O risco inclui jovens e menores de idade. A incorporação de ideologias terroristas ou extremistas a experiências interativas pode contribuir para processos de radicalização.
A preocupação não se limita ao conteúdo disponível dentro de um jogo. As comunidades podem se conectar a redes sociais e serviços de mensagens, onde materiais e convites circulam entre usuários. Na operação, foram encontrados tanto elementos incorporados às experiências de jogo quanto referências a grupos em plataformas adjacentes.
Roblox como ponto de contato
Uma pesquisa da Rede Global sobre Extremismo e Tecnologia (GNET, na sigla em inglês) apontou que extremistas exploram a flexibilidade de criação do Roblox e o fato de sua audiência ser formada majoritariamente por menores de 16 anos. Segundo a organização, experiências jogáveis podem recriar utopias ideológicas, como o califado do grupo Daesh, e incluir roupas virtuais com símbolos da organização e nomes de usuário codificados.
De acordo com a GNET, esses recursos podem servir para atrair jovens e reduzir barreiras psicológicas em relação à violência. Os pesquisadores afirmaram que, quando potenciais recrutados demonstram interesse, recrutadores os direcionam a jogos que simulam atividades terroristas. Também compartilham trechos desses jogos no TikTok. Na avaliação da pesquisa, essa circulação pode transformar o Roblox e conteúdos relacionados em uma porta de entrada para normalizar ideologias violentas entre menores.
O relatório descreve um percurso que pode começar com experiências virtuais e avançar para outros espaços digitais. A pesquisa relaciona a criação de ambientes ideológicos e a divulgação de materiais em redes sociais a estratégias de aproximação de jovens. A operação europeia, por sua vez, encontrou exemplos em diferentes serviços, incluindo jogos, plataformas sociais e comunidades no Discord.
Problema persiste na União Europeia
Esta foi a segunda vez que a Unidade de Referência da Internet da União Europeia direcionou uma ação a jogos desse tipo. A operação anterior ocorreu em 2025, após denúncias. Apesar das iniciativas, o problema persiste e pode estar se agravando, segundo o relato da ação.
Em relatório recente, a Comissão Europeia alertou que jogadores estão expostos a níveis elevados de conteúdo prejudicial e de discurso de ódio em espaços digitais de jogos. A exposição pode ocorrer tanto por ferramentas de comunicação integradas aos games quanto em plataformas relacionadas a eles.
Investigadores afirmaram que a violência em ambientes de jogos online é disseminada e diversificada, podendo atingir usuários em toda a União Europeia. Eles também relacionaram o fenômeno aos esforços do bloco contra o terrorismo e o extremismo desde o ataque de Christchurch, em 2019. A operação não detalhou quais providências os provedores adotaram após receber os links nem apresentou um balanço de remoções.

