EUA criam 29 mil vagas no payroll, abaixo das previsões


Os Estados Unidos criaram 29 mil empregos líquidos em setembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (2) pelo Departamento do Trabalho. O resultado ficou abaixo das expectativas e veio acompanhado de revisões para baixo nos números de julho e agosto, além de avanço menor dos salários. Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a combinação reduz a pressão por novos aumentos dos juros americanos.

Contratações frustram as projeções

O saldo de setembro ficou distante das 85 mil vagas esperadas pelo mercado. Também foi inferior a todas as estimativas consultadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de 50 mil a 175 mil postos. O resultado corresponde à diferença entre empregos criados e eliminados no período.

O indicador, conhecido como payroll, acompanha a variação do número de empregos fora do setor agrícola nos Estados Unidos. Por isso, o dado é usado para avaliar o ritmo do mercado de trabalho americano. O número de setembro apontou uma criação de vagas menor do que a prevista pelos analistas.

“O resultado fraco, somado às revisões negativas, mostra um mercado de trabalho menos aquecido do que sugeria o dado de agosto”, afirmou Kayo. As revisões alteraram a leitura dos dois meses anteriores: a estimativa de agosto caiu de 162 mil para 133 mil vagas, enquanto julho passou de uma criação de 21 mil postos para uma perda de 10 mil.

Considerando as mudanças de julho e agosto em conjunto, os dois meses tiveram 60 mil empregos a menos do que havia sido informado anteriormente. O Departamento do Trabalho atribui esse tipo de atualização à incorporação de novas informações recebidas e a ajustes sazonais.

Desemprego e salários

A taxa de desemprego ficou em 4,2%, acima da expectativa de 4,1% citada pela Nomad. Apesar da alta em relação à projeção, o indicador permanece dentro da faixa de 4,1% a 4,3% observada desde março.

Os salários também avançaram menos do que o esperado. O ganho médio por hora subiu 0,1% em setembro e acumulou alta de 3% em 12 meses. Segundo Kayo, as previsões eram de crescimento de 0,3% no mês e de 3,1% na comparação anual.

O desempenho variou entre os setores. A área de saúde acrescentou 17 mil vagas, a construção criou 11 mil postos e a indústria somou 9 mil. Já as atividades financeiras eliminaram 7 mil empregos. Os números setoriais mostram que a criação de vagas não foi uniforme, embora o saldo total tenha permanecido positivo em setembro.

Dados entram no debate sobre juros

Para Kayo, contratações mais fracas e crescimento menor dos salários tendem a reduzir a pressão por novos aumentos dos juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. A taxa de desemprego, no entanto, continua baixa, enquanto a inflação permanece acima da meta de 2%, segundo a avaliação do economista.

Esse conjunto de fatores deixa o Fed diante de uma situação delicada após a recente elevação dos juros, afirmou Kayo. O mercado de trabalho mais fraco pode aliviar a pressão por novos aumentos, mas o nível de desemprego e a inflação acima da meta também fazem parte do quadro acompanhado pela autoridade monetária.

Ao comentar as expectativas para as próximas decisões, o economista disse: “Agora, a expectativa é de manutenção de juros no próximo Fomc e aumento somente na última reunião do ano.” O Fomc é o comitê responsável pelas decisões de política monetária do Fed. A projeção citada por Kayo indica manutenção na próxima reunião e uma nova alta na última reunião do ano, mas o dado de emprego, isoladamente, não altera a informação sobre a decisão efetiva do comitê.

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