O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta quinta-feira (5) que não teme questionamentos do Partido Democrata sobre a permanência de sua família nos Estados Unidos. A declaração foi feita após os democratas conquistarem o controle do Congresso americano nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3), cenário que, segundo ele, não altera a situação legal da família no país.
Em entrevista ao influenciador americano Joey Mannarino, Eduardo argumentou que o Congresso dos Estados Unidos não tem competência para cancelar vistos ou cidadanias. “Eles [democratas] vão tentar [questionar minha estadia], mas pela Constituição, pela lei americana, não cabe ao Congresso revogar vistos ou cidadanias. Portanto, não estou com medo quanto a isso. Minha situação é 100% legal”, afirmou.
Família recebeu Green Card em julho
Eduardo se mudou para os Estados Unidos em março de 2025, alegando perseguição política. Em julho deste ano, ele e seus familiares receberam o Green Card. A entrevista a Mannarino ocorreu antes da Conferência de Ação Política Conservadora (Cpac, na sigla em inglês), realizada em Mar-a-Lago, resort na Flórida pertencente ao presidente americano, Donald Trump.
Na conversa, o ex-deputado defendeu que o acolhimento de pessoas que se consideram perseguidas não seja tratado como uma disputa entre direita e esquerda. Para explicar sua posição, comparou a situação de sua família à de mulheres que deixam o Irã para escapar de represálias e do risco de morte por não usar o hijab.
“Eu estou 100% legal, assim como o meu irmão e a família dele, e não acho justo esse tipo de tratamento porque algumas questões não deveriam ser sobre direita e esquerda. Todos concordam que mulheres fogem do Irã porque, se ficassem lá sem usar o hijab, poderiam ser até mortas”, disse Eduardo.
Ele acrescentou que, em sua avaliação, pessoas nessa situação não deveriam ser enviadas de volta a uma ditadura. “Estou falando de Teerã. Poderia falar aqui sobre a Venezuela, assim como estamos falando agora sobre o Brasil”, afirmou.
Eduardo e Flávio enfrentam investigações
Eduardo foi condenado em julho pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão pelo suposto crime de coação no curso do processo. A Procuradoria-Geral da República (PGR) o acusou de articular sanções contra autoridades brasileiras junto ao governo Trump.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo, também é citado na entrevista. Ele chegou aos Estados Unidos no dia 28, depois que o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a entrega de seus passaportes e o proibiu de deixar o Brasil. A notícia de origem relata ainda que Flávio perdeu, em 25 de outubro, o segundo turno das eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro em inquérito relatado por Moraes. A defesa do senador afirmou que a relação entre os dois se limita à amizade entre as famílias e negou como falsas as informações de que teriam compartilhado uma conta bancária.
Polícia Federal apura financiamento de filme
Outra investigação da Polícia Federal trata de possíveis irregularidades no financiamento de Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. O caso veio a público em maio de 2026, depois que o site The Intercept Brasil divulgou gravações em que Flávio conversava com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre aportes de até R$ 134 milhões para a produção.
Flávio confirmou que pediu apoio financeiro, mas negou irregularidades. Pelo menos R$ 61 milhões teriam sido repassados ao filme. O inquérito foi aberto em julho, a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da PGR. Esses casos compõem o contexto das declarações de Eduardo sobre a situação de sua família nos Estados Unidos, embora ele tenha sustentado na entrevista que sua permanência no país está de acordo com as leis americanas.

