A Ambição de Aurélio Pavinato: Como Transformar a SLC Agrícola em uma Potência Triple A


SLC Agrícola: Uma Revolução Sustentável no Agronegócio Brasileiro

Quando Aurélio Pavinato assumiu a liderança da SLC Agrícola em dezembro de 2012, a empresa cultivava cerca de 300 mil hectares. Hoje, treze anos depois, essa área saltou para mais de 730 mil hectares, fazendo da SLC uma das principais produtoras de commodities agrícolas do Brasil. Recentemente, a companhia alcançou a nota máxima do CDP em Florestas e Segurança Hídrica, um reconhecimento que destaca suas práticas sustentáveis. Mas como essa transformação aconteceu? Vamos explorar os principais aspectos da trajetória da SLC Agrícola rumo à sustentabilidade.

A Visão de Longo Prazo de Aurélio Pavinato

Aurélio Pavinato é agrônomo e cultivou sua carreira na SLC por mais de 20 anos antes de se tornar CEO. Com mestrado e doutorado em Ciência do Solo, sua experiência moldou uma visão única sobre como a sustentabilidade deve ser implementada em práticas agrícolas. Pavinato acredita que a pergunta central é: “Como produzir para sempre de maneira sustentável?” Essa reflexão é o alicerce que fundamenta suas decisões, que buscam um equilíbrio entre os aspectos agronômicos, econômicos e ambientais.

Crescimento Acelerado e Desafios do Setor Agrícola

A Grande Escala da SLC Agrícola

Atualmente, a SLC opera com uma área de aproximadamente 731,6 mil hectares, distribuídos em 23 unidades de produção em oito estados brasileiros, incluindo Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. O mix de produtos da empresa é diversificado, com destaque para:

  • Algodão
  • Soja
  • Milho
  • Sementes

Entretanto, o modelo de negócios da SLC é intenso em capital e está sujeito a volatilidade de preços e condições climáticas. Em 2024, a empresa alcançou uma receita líquida arredondada em R$ 7 bilhões, uma leve queda de 4,4% em relação ao ano anterior, reflexo da produtividade menor na soja e no milho.

Superando Desafios

Apesar dos desafios, o algodão demonstrou resiliência, com um volume recorde de 364 mil toneladas exportadas. O EBITDA ajustado chegou a R$ 2 bilhões, com uma margem de 29,4%, e a alavancagem permanecia controlada em 1,8 vez. Com investimentos em bens de capital (CAPEX) de R$ 1,1 bilhão, a SLC direcionou recursos para:

  • Expansão da área plantada
  • Aquisição de novas máquinas
  • Correção de solo
  • Sistemas de irrigação

Essas iniciativas mostram como a eficiência operacional e a mitigação de riscos são essenciais para manter margens de lucro no longo prazo.

Desmatamento Zero: Um Compromisso Sustentável

A classificação “A” do CDP em Florestas reflete uma decisão estratégica da SLC, que desde 2015 não adquire novas áreas com vegetação nativa. Em 2021, a empresa formalizou uma política de desmatamento zero, com compromisso de não operar em áreas convertidas após essa data.

Pavinato destaca: “Sustentabilidade não se constrói em um ou dois anos, e o crescimento tem sido sustentado por arrendamentos e melhorias de produtividade, evitando a conversão de novas áreas.” Essa política não é apenas uma resposta ao mercado; é um estilo de vida corporativo que visa a preservação de ecossistemas.

O Modelo de Expansão

  • A SLC produz todos os seus produtos em áreas próprias ou arrendadas que são isentas de desmatamento.
  • O controle rigoroso sobre fornecedores de gado reduz riscos regulatórios, jurídicos e reputacionais, fatores cada vez mais relevantes para o setor.

Gestão Hídrica: Um Recurso Crítico

Outro ponto que merece destaque é a gestão hídrica. A SLC utiliza mais de 99% da água proveniente de chuvas, com a irrigação sendo suplementar e baseada em demandas reais das plantas. Pavinato explica que, embora o Brasil tenha a vantagem de depender das chuvas, isso ainda requer uma gestão eficiente. Para isso, a empresa investe em:

  • Telemetria
  • Monitoramento do balanço hídrico
  • Sensoriamento remoto

Essas iniciativas permitiram uma redução de até 90% no consumo de água em certas operações, reforçando a governança sobre um recurso que, com certeza, se torna cada vez mais valioso.

A SLC no Cenário Nacional e Internacional

Com seus esforços, a SLC se destaca entre um grupo restrito de empresas que obtiveram a classificação máxima do CDP. No Brasil, somente a Klabin e a Marfrig alcançaram o Triple A simultaneamente em Clima, Florestas e Água. Isso ressalta que o CDP não é apenas um critério ambiental, mas um meio de medir a maturidade corporativa.

A Importância da Transparência

Em 2025, cerca de 640 investidores, responsáveis por US$ 127 trilhões em ativos, utilizaram dados do CDP para fundamentar decisões de investimento. Neste cenário, a transparência e a consistência se tornam pré-requisitos para o acesso ao capital, impulsionando práticas empresariais mais responsáveis.

Avançando no Clima: Desafio e Oportunidade

Para Pavinato, não basta atingir o duplo “A”; o verdadeiro desafio é avançar na dimensão climática, que é considerada a mais complexa. “O clima exige escala, integração e governança,” afirma ele. O plano inclui:

  • Expansão da agricultura regenerativa
  • Aumento no uso de insumos biológicos
  • Substituição de fertilizantes sintéticos por biofertilizantes

A Necessidade de Medição e Reporte

Além disso, a mensuração e a redução de emissões na cadeia de valor, especialmente no escopo 3, são essenciais. Projetos de carbono precisam ser rigorosos e alinhados às normas regulatórias e técnicas.

Um Futuro Sustentável e Rentável

Sustentabilidade e eficiência hoje caminham lado a lado, como sintetiza Pavinato: “Não existe crescimento sustentável sem disciplina operacional e geração de valor no longo prazo.” Sob sua gestão, a SLC Agrícola integra clima, água, florestas e finanças em uma única abordagem.

O Triple A do CDP representa não apenas um selo, mas uma validação do modelo de negócios que busca escala, rentabilidade e resiliência em um ambiente cada vez mais exigente e competitivo.

A história da SLC Agrícola é um exemplo inspirador de como a combinação de inovação, eficiência e responsabilidade ambiental pode moldar o futuro do agronegócio no Brasil. A jornada está longe de terminar, mas as bases já estão estabelecidas para um impacto positivo duradouro nas práticas agrícolas e no meio ambiente.

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