As ações da Petrobras caíam na manhã desta terça-feira (3), acompanhando a desvalorização dos contratos de petróleo, que recuaram na segunda-feira e voltaram a cair no dia seguinte. As negociações entre autoridades do Irã e do Catar alimentaram expectativas de um possível fim à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e de estabilização do abastecimento no Oriente Médio.
Ações da Petrobras acompanham o petróleo
Por volta da manhã desta terça, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) recuavam 4,25%, a R$ 57,62. Os papéis ordinários (PETR3) caíam 3,97%, a R$ 50,64. A queda ocorreu após o recuo dos preços internacionais do petróleo, que também afetou ações de outras petroleiras.
Os principais contratos de petróleo chegaram a abrir o pregão desta terça-feira em alta, mas passaram a cair. O barril do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, recuava 2,11%, a US$ 94,42. O Brent, referência internacional, perdia 2,76%, a US$ 101,66.
Na véspera, os preços dos dois contratos haviam caído mais de 7%. O Brent fechou em queda de US$ 9,25, ou 8,15%, a US$ 104,18 por barril. Já o WTI recuou US$ 8,08, ou 7,76%, para US$ 96,04.
A variação do petróleo é acompanhada por investidores da Petrobras, cujas ações registraram queda junto com a commodity. Como não houve pregão no Brasil na segunda-feira, por causa do feriado de Finados, a reação dos papéis da estatal ao movimento ocorrido no mercado internacional ficou concentrada na sessão desta terça.
Conversas sobre a guerra influenciam os contratos
A queda do petróleo na segunda-feira ocorreu em meio a sinais de avanço nas negociações para encerrar a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Conversas entre representantes iranianos e mediadores do Catar alimentaram a expectativa de que o conflito possa chegar ao fim e de que o abastecimento de petróleo no Oriente Médio se estabilize.
O presidente do Irã afirmou que o líder supremo concedeu ao governo “certas atribuições” para tratar das negociações de paz. Negociadores iranianos mantiveram conversas durante vários dias com mediadores do Catar, com o objetivo de buscar um fim para a guerra.
Uma autoridade a par das negociações disse que um rascunho de proposta está circulando. Também existe a possibilidade de uma reunião de acompanhamento, segundo essa fonte. As tratativas e as expectativas em torno do abastecimento foram os fatores apontados para a forte queda dos preços na véspera.
Reflexos em outras petroleiras
Os efeitos do recuo do petróleo também alcançaram ações de empresas do setor fora do Brasil. Os recibos de ações da Petrobras negociados nos Estados Unidos chegaram a cair 4,40% na segunda-feira. Esses papéis são conhecidos pela sigla ADR, de American Depositary Receipts.
Na sessão desta terça-feira, o movimento também atingia ADRs de companhias como YPF, Shell e BP, além das ações de ExxonMobil e Chevron. A queda das empresas ocorre em um momento de recuo dos principais contratos de petróleo, depois das perdas registradas na segunda-feira.
No caso da Petrobras, o feriado brasileiro impediu que os investidores negociassem as ações na mesma sessão em que o Brent e o WTI tiveram suas maiores perdas recentes citadas no mercado. Com a retomada do pregão nesta terça, os papéis da estatal passaram a refletir o movimento acumulado, enquanto os preços da commodity continuavam em baixa.