Açúcar sobe com chuvas no Brasil; café arábica atinge menor cotação em um mês


Os contratos futuros de açúcar bruto negociados na ICE subiram 0,7% na quinta-feira (29), para 19,47 centavos de dólar por libra-peso, diante de preocupações com a oferta após a previsão de novas chuvas excessivas em áreas canavieiras do Brasil. No mesmo pregão, o café arábica caiu 0,5%, atingiu a menor cotação em um mês e fechou a US$ 2,8545 por libra-peso, pressionado por sinais de recuperação dos estoques e pelo real fraco.

Açúcar reage a risco de oferta

O açúcar bruto avançou 0,13 centavo por libra-peso, ampliando a recuperação iniciada após a queda de 5,6% na segunda-feira. Na ocasião, a desvalorização da moeda brasileira contribuiu para a baixa. A cotação de quinta-feira ficou em 19,47 centavos por libra-peso, unidade usada para expressar o preço de contratos de commodities agrícolas.

As preocupações com a produção brasileira ganharam força após dados divulgados pelo Ministério da Agricultura na quarta-feira (28). A produção de açúcar na região Centro-Sul, uma importante área produtora do país, recuou 27,1% na primeira quinzena de outubro em comparação com o mesmo período do ano anterior. O volume foi de 1,87 milhão de toneladas métricas.

As lavouras de cana-de-açúcar brasileiras enfrentam chuvas excessivas associadas ao El Niño, e há previsão de novas precipitações para o fim de semana e a semana seguinte. A perspectiva de continuidade das chuvas acrescentou pressão às expectativas de oferta e ajudou a sustentar os contratos de açúcar no pregão.

A corretora AMDIS afirmou que os preços vêm recebendo suporte desde julho por previsões de redução da oferta global. Segundo a empresa, o calor e a seca prejudicam a safra de beterraba na Europa, enquanto uma monção fraca reduziu as expectativas para a produção de cana na Índia. Esses fatores se somam às preocupações com as condições das lavouras brasileiras.

O açúcar branco também fechou em alta. O contrato subiu 0,4%, para US$ 527,60 por tonelada métrica. Assim, os dois tipos de açúcar mencionados no mercado tiveram avanço na sessão, embora em medidas e unidades de cotação diferentes.

Arábica cai com estoques e câmbio

O café arábica recuou 1,3 centavo por libra-peso, ou 0,5%, e terminou o dia a US$ 2,8545. Durante o pregão, chegou a US$ 2,8080, seu menor nível desde o fim de setembro. O movimento ocorreu enquanto surgiam sinais de que a redução dos estoques certificados pela ICE pode estar perdendo força.

Dados indicaram que mais de 42 mil sacas chegaram aos armazéns da bolsa e aguardam recomendação. A entrada de café nos depósitos é acompanhada pelo mercado em meio à queda recente dos estoques certificados. A possibilidade de moderação nessa redução pesou sobre os preços do arábica.

O real brasileiro enfraquecido também pressionou a cotação. Como o Brasil é o maior produtor mundial de café, a moeda tem influência nas decisões de venda de usinas, agricultores e exportadores do país. Com o real mais fraco, vender contratos futuros cotados em dólares pode elevar o retorno desses agentes em moeda local, o que aumenta a disposição para vender e pesa sobre os preços.

Robusta enfrenta pressão da colheita

O café robusta caiu 0,7%, para US$ 3.176 por tonelada. Na segunda-feira, o contrato havia atingido seu menor nível desde março de 2024. Além da trajetória recente da cotação, a variedade enfrenta pressão pelo aumento expressivo dos estoques nas bolsas e pelo avanço da colheita no Vietnã, maior produtor mundial de robusta.

O início da colheita vietnamita também tem pressionado os preços internos no país, segundo as informações do mercado. A combinação de estoques em alta e oferta chegando da safra em andamento contrasta com os fatores que sustentaram o açúcar: enquanto chuvas e perdas de produção alimentam preocupações sobre a disponibilidade da commodity, no café a chegada de sacas aos armazéns e a colheita no Vietnã reforçam a pressão vendedora.

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