A produção de etanol de milho no Centro-Sul do Brasil está abaixo do esperado na safra 2026/27, com as usinas usando 49,6% da capacidade instalada, segundo análise divulgada nesta sexta-feira pela StoneX. A consultoria atribui o ritmo mais lento, entre outros fatores, à demora para liberar nove unidades concluídas e à demanda menor que a prevista no início de 2026.
Capacidade e projeção de produção
O Centro-Sul tem potencial para produzir cerca de 12,7 bilhões de litros de etanol de milho por ano. Para a safra 2026/27, a StoneX projeta produção de 10,5 bilhões de litros na região. Segundo os analistas Letícia Corrêa e Raphael Bulascoschi, a expectativa do mercado era de um avanço maior já nesta temporada.
O índice de utilização de 49,6% indica que as usinas do Centro-Sul operam abaixo da capacidade disponível. No Norte e Nordeste, a taxa é de 63,3%, de acordo com o relatório. Os números mostram diferenças no aproveitamento da estrutura produtiva entre as regiões, embora a consultoria não tenha detalhado as razões para a diferença.
As projeções de capacidade e produção se referem ao potencial anual e ao volume estimado para a safra, respectivamente. A StoneX aponta que a expansão da produção depende também da entrada em operação de novas instalações e de ampliações já concluídas.
Nove usinas aguardam autorização
Há nove usinas com obras finalizadas — tanto novas unidades quanto ampliações de capacidade — que ainda aguardam autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para começar a operar. Para a consultoria, a espera tornou mais lento do que o previsto o chamado ramp-up, termo usado para descrever o aumento gradual da produção ou da capacidade operacional.
Com as unidades ainda sem autorização, a capacidade que poderia ser incorporada ao setor não está disponível para a produção em andamento. Os analistas da StoneX afirmam que essa demora contribui para o ritmo mais lento de expansão do etanol de milho no Centro-Sul nesta safra.
A consultoria também relaciona o desempenho à demanda. O consumo ficou abaixo das expectativas no início de 2026, o que reduziu o estímulo para que os produtores ampliassem a produção. Segundo a análise, esse cenário começou a se reverter em julho, mas a demanda mais fraca no fim da safra 2025/26 e no começo da temporada seguinte já havia influenciado as decisões do setor.
Estoques e oferta de etanol
Ao mesmo tempo, a StoneX cita a possibilidade de escassez de etanol anidro, componente misturado à gasolina. Entre os fatores mencionados estão o aumento da mistura obrigatória para 32% e o avanço das vendas de gasolina C no início do ano. A gasolina C é o combustível comercializado com a mistura de etanol.
Esse quadro ocorre com estoques de etanol no Centro-Sul 13% menores que os registrados na safra anterior. A temporada passada já havia terminado com níveis considerados “estressados” pela análise, expressão que indica estoques apertados em relação à oferta disponível.
Na primeira quinzena de outubro, a produção do biocombustível também foi reduzida pela queda acentuada na moagem de cana-de-açúcar. As chuvas excessivas contribuíram para diminuir o processamento da matéria-prima, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura. A combinação de estoques menores, demanda que começou fraca e demora na entrada de novas usinas compõe o cenário de produção abaixo do esperado apontado pela StoneX.

