Ambev (ABEV3) lucra R$ 4,37 bilhões no 3T26, e ações recuam


A Ambev (ABEV3) registrou lucro líquido de R$ 4,37 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 10,2% em relação aos R$ 4,863 bilhões obtidos no mesmo período de 2025. O resultado, divulgado na madrugada desta quinta-feira (29), superou a estimativa de R$ 3,9 bilhões dos analistas consultados pela IBES, mas as ações da companhia recuavam durante a manhã.

Por volta das 11h10, os papéis da cervejaria caíam 2,76%, a R$ 14,80. A reação negativa ocorreu apesar do lucro acima da projeção. Na avaliação do JPMorgan, o balanço trouxe sinais mistos: o lucro superou as expectativas, enquanto o Ebitda ficou abaixo do esperado, pressionado pela fraqueza dos volumes de cerveja no Brasil.

Lucro ajustado cresce, mas imposto pesa

Em uma medida ajustada, que considera os critérios apresentados pela empresa para avaliar o desempenho, o lucro líquido somou R$ 4,393 bilhões, alta de 14,3% na comparação anual. Esse número não deve ser confundido com o lucro líquido reportado, que caiu 10,2% no período.

O avanço do resultado ajustado foi sustentado principalmente pelo crescimento do Ebitda e pela redução das despesas financeiras líquidas. O efeito positivo desses fatores foi parcialmente compensado pelo aumento dos gastos com imposto de renda, segundo os dados divulgados pela companhia.

Ebitda é a sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. O indicador é usado para observar o desempenho operacional antes desses itens. No trimestre, o Ebitda orgânico ajustado da Ambev alcançou R$ 7,271 bilhões, crescimento de 8,9% ante o terceiro trimestre de 2025. A margem do indicador avançou 0,4 ponto percentual.

Receita aumenta com preço por hectolitro e volumes

A receita líquida orgânica chegou a R$ 21,595 bilhões entre julho e setembro, alta de 7,6% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. A companhia atribuiu o avanço ao aumento de 6,8% na receita líquida por hectolitro e ao desempenho dos volumes.

Hectolitro é uma unidade equivalente a 100 litros. A receita líquida por hectolitro, portanto, indica quanto a empresa obtém em receita líquida por essa quantidade de produto. No balanço, a Ambev informou crescimento desse indicador, ao mesmo tempo que citou o desempenho dos volumes como um dos fatores que contribuíram para a receita.

O comentário do JPMorgan sobre a fraqueza dos volumes de cerveja no Brasil aponta uma diferença entre as linhas do resultado: a receita e o Ebitda avançaram na comparação anual, mas o indicador operacional ficou aquém das projeções dos analistas. A análise também ajuda a contextualizar a avaliação de que o balanço teve resultados mistos.

Fluxo de caixa e recompra de ações

O fluxo de caixa das atividades operacionais ficou em aproximadamente R$ 7,7 bilhões, cerca de R$ 759 milhões acima do registrado no terceiro trimestre de 2025. Esse fluxo representa o dinheiro gerado pelas operações da empresa. Conforme as informações do balanço, a melhora refletiu sobretudo a expansão do Ebitda ajustado e uma dinâmica mais favorável do capital de giro, que reúne recursos ligados à operação cotidiana.

Além dos resultados trimestrais, o Conselho de Administração aprovou um programa para recomprar até 190 milhões de ações ordinárias da Ambev. O prazo previsto para a execução é de 18 meses. A decisão foi divulgada junto aos dados do período, mas a empresa não informou, no conteúdo do balanço apresentado, o volume de ações que pretende adquirir em cada etapa.

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