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Reforma Tributária Saindo do Papel

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Grupo de trabalho da reforma tributária da câmara dos deputados divulga calendário.

Para que a reforma se concretize, é necessário o envolvimento do congresso nacional. Esse se dará, por meio de Propostas de Emenda Constitucional (PECs). Tais alterações devem ser aprovadas em dois turnos em cada Casa do Congresso, com pelo menos três quintos dos Deputados e Senadores. 

Muito vem sendo falado a respeito da Reforma tributária eminente. Isso porque, com sua realização, os tributos e alíquotas podem mudar em relação aos que estão presentes no atual fisco, gerando certa preocupação no mercado e na sociedade civil. 

O Grupo de trabalho da reforma tributária da Câmara dos Deputados, possui o intuito de realizar discussões parlamentares a respeito desse tema. Tal grupo é formado por 12 parlamentares de diferentes partidos e, a princípio, terá uma duração de 90 dias para a realização dessas discussões acerca da proposta. 

O previsto é que o grupo encerre suas atividades em 16 de maio de 2023, para que a matéria seja apreciada pelo congresso nacional e, por conseguinte, sendo votada pelo congresso. Para a realização da vista dessa proposição, o tramite fica à mercê dos presidentes das casas legislativas para colocarem em pauta. No Senado (onde a PEC será apresentada), o tramite mais célere ou em prazos normais fica a cargo do presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Um detalhe importante para se observar, é que a reforma é prioridade do governo Lula e para o ministério da fazenda. 

Principais Objetivos Da Reforma 

Para que o sistema tributário seja ideal, ele necessita ser transparente, eficaz e, acima de tudo, prezar pela concorrência empresarial a fim de que dessa forma possa incentivar e acelerar o crescimento econômico, gerando renda e reduzindo a taxa de desemprego no país. 

Ademais, o conjunto de leis tributárias devem ajudar o país como um todo, porém, este ainda carece de ajudar no desenvolvimento das competências e vocações do Brasil. No caso brasileiro, o novo fisco deve colaborar tanto com as indústrias e empresas, mas também com o setor agropecuário, gerador de grande parcela do PIB nacional. 

O intuito da Reforma é, e deve ser, consertar o cipoal tributário sem o aumento da pesada carga tributária que rege no Brasil atualmente. Para isso, a repaginação do sistema tributário buscará a simplificação de tributos por meio da aglutinação do PIS e do COFINS em um só tributo de valor agregado, o CBS (contribuição sobre bens e serviços). 

Ainda assim, outra importante junção de tributos seria a respeito do ICMS e ISS. Unificando impostos municipais e estaduais, mas reservando a essas entidades administrativas a arrecadação que lhes são devidas.

Por fim, conclui-se que a reforma tributária é de suma importância para o cenário econômico. Esta alteração, se cumprir as expectativas do mercado e da sociedade civil, trará inúmeros benefícios a economia nacional como redução do custo tributário, incentivo a investimentos no país e mais segurança jurídica e fiscal. 

Cronograma do Grupo de Trabalho da Reforma 

  • 06 a 10/03: Apresentação das propostas de Emenda à Constituição nºs 45 e 110, de 2019 – Aguinaldo Ribeiro (Relator da PEC 45), Roberto Rocha (Relator da PEC 110) e Bernard Appy (secretário extraordinário da Reforma Tributária) 
  • 13 a 17/03: Diagnóstico do sistema tributário atual 
  • 20 a 24/03: Melhores práticas internacionais de tributação sobre o consumo 
  • 27 a 31/03: Reforma sob a perspectiva federativa 
  • 03 a 06/04: Reforma sob a perspectiva setorial 
  • 10 a 14/04: Reforma sob a perspectiva distributiva 
  • 17 a 20/04: Reforma sob a perspectiva da economia digital e economia verde 
  • 24 a 28/04: Reforma sob a perspectiva da administração tributária 
  • 01 a 05/05: Missão oficial para países da OCDE 
  • 08 a 12/05: Seminário final do Grupo de Trabalho 
  • 16/05: Conclusão do Grupo de Trabalho 

Fonte: Plano de Trabalho do GT Reforma tributária 

Composição Do Grupo De Trabalho Da Reforma 

  • Reginaldo Lopes (PT-MG), coordenador 
  • Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), relator 
  • Saullo Vianna (União-AM) 
  • Mauro Benevides Filho (PDT-CE) 
  • Glaustin da Fokus (PSC-GO) 
  • Newton Cardoso Junior (MDB-MG) 
  • Ivan Valente (PSOL-SP) 
  • Jonas Donizette (PSB-SP) 
  • Sidney Leite (PSD-AM) 
  • Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) 
  • Vitor Lippi (PSDB-SP) 
  • Adail Filho (Republicanos-AM) 

O Viés de Confirmação: Como o Sucesso Profissional Anterior Pode Prejudicar o Trader no Mercado Financeiro

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É comum ouvir de alunos expressões de indignação e insatisfação com os próprios resultados no mercado financeiro. As reclamações geralmente se baseiam na sensação de incoerência entre os sucessos que já experimentaram na vida pessoal e o fracasso nas operações de trade.

Cada profissão, independentemente de qual seja, exige habilidades específicas para ser bem executada. Mesmo que alguém nunca tenha atuado em determinada área, será necessário dispor de pré-requisitos que permitam aprender e desempenhar bem a função em tempo hábil para alcançar os objetivos do cargo.

A profissão de trader não é diferente. Ignorar essa informação pode levar a uma distorção na forma como os traders avaliam seu próprio desempenho diante da tela.

Traders que já têm carreiras bem-sucedidas em outras áreas tendem a confiar bastante na capacidade de transferir esse sucesso para o ambiente de negociação. No entanto, infelizmente, isso nem sempre acontece.

Esse fenômeno está relacionado a um viés muito comum nesse público: o “viés de confirmação”. Ele leva os traders a focarem em informações que reforçam suas crenças, criando uma distorção na percepção.

Na vida pessoal e profissional, muitos traders passam por experiências que os fazem interpretar informações do mercado financeiro sob a ótica desse viés de confirmação. Isso pode levá-los a repetir atitudes que já lhes trouxeram bons resultados no passado.

Por exemplo, eles costumam esperar que a recompensa seja proporcional ao dinheiro, ao tempo e ao esforço investidos. Também acreditam que, quanto mais experiência adquirirem (em termos de tempo e esforço), mais rapidamente atingirão a consistência e o retorno financeiro esperado.

Esses aspectos apontam para hábitos que associam recompensas à quantidade de trabalho realizado e ao tempo necessário para concluí-lo. Como resultado, imaginam que a recompensa será diretamente proporcional à dificuldade e exigência do trabalho.

No entanto, no trade, nem o tempo nem o esforço garantem um retorno financeiro consistente. Manter essa expectativa pode gerar frustração e resultados aquém do esperado.

Em resumo, comparar o histórico de sucesso em outras profissões aos resultados ainda não alcançados no trade é, muitas vezes, uma expectativa injusta. No mercado financeiro, o trader precisa desaprender certos hábitos que foram eficazes no passado, pois, apesar de serem atitudes produtivas, podem não ter o mesmo impacto para gerar lucro e acumular riqueza no mundo das operações financeiras.

Peso-real, o Euro do Mercosul ?

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Em dezembro de 1992 foi assinado entre os países da Comunidade Econômica Europeia (CEE), o Tratado de Maastricht, que tinha como finalidade especial, a livre circulação de mercadorias, capitais, pessoas, serviços, além de uma política comercial comum. A partir dessa integração, abriu-se a porta para a criação de uma moeda única entre esses países, o Euro. Criado em 1999 e consolidado em uso em 2000, o Euro foi a unificação das moedas usadas pelos países da CEE, tendo como economia base a alemã, com seu Banco Central, o Bundesbank.

Em reunião com a Comissão de Relações Exteriores do Senado, o ex-Ministro da economia, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil seria igual a Alemanha em um cenário de moeda comum na América do Sul, sendo a economia base para essa moeda de troca. Dentre os países que compõem o Mercosul, o Brasil tem a maior estabilidade econômica, fiscal e inflacionária, que Guedes usou como argumento para sua afirmação.

No caso do Peso-real, não está sendo discutida a criação de uma moeda única, como o Euro, mas sim a criação de uma moeda comum. A diferença entre elas é simples, uma moeda única é criada para substituir as já existentes e em circulação nos países que a adotaram. Já a moeda comum vem como uma simples moeda de troca entre os países, assim, mantendo suas moedas locais.

Para um possível cenário de moeda única no Mercosul, é necessário que haja, antes, uma convergência de leis tributárias, alfandegárias, fiscais, como também a livre movimentação de capitais, até porque se trata de uma ÚNICA moeda entre os países. Além do mais, Brasil, Argentina, e outros membros pertencentes ao Mercosul, não são agraciados com os melhores passados no quesito inflacionário.

ARGENTINA – INDICADORES ECONÔMICOS (tradingeconomics.com)

Os indicadores acima demonstram como é notória a fraqueza e deficiência da economia argentina, tendo sua inflação acima de dois dígitos desde 2015, com sua curva de juros se expandindo concomitantemente. Todos esses fatores influenciam na desvalorização do Peso argentino, que passou a valer 208 Pesos argentinos (ARS) por 1 dólar, na cotação oficial do governo.

BRASIL – INDICADORES ECONÔMICOS (tradingeconomics.com)

Um tanto quanto melhor que a Argentina, o Brasil não pode sair cantando vitória. Apesar de ter os melhores resultados econômicos entre os países pertencentes ao Mercosul, o Brasil ainda tem alguns problemas que impedem a estabilidade inflacionária e econômica local, mesmo com uma taxa real de juros de 8,15%. Essa, de acordo com a tabela acima, é o que “brilha” nos olhos dos investidores estrangeiros, criando um fluxo de positivo de dólares para o Brasil.

Analisando os resultados econômicos das duas maiores economias da América do Sul, fica difícil idealizar uma moeda única vigente para o Mercosul que teria êxito no curto e médio prazo. Entretanto, seria mais viável para essa linha de pensamento, uma moeda pareada à reserva mundial, o dólar. Essa, seria uma espécie de currency board (moeda conversível), ou seja, cada dólar entrado no bloco é igualmente transmutável à moeda local.

Considerando a complexidade das economias envolvidas e as muitas transformações necessárias para a criação de uma moeda comum estável, juntamente com um bloco econômico integrado fiscal, aduaneira e tributariamente, o Peso-real está sendo projetado para ser uma moeda exclusivamente de troca e comércio entre os países. Embora a criação de uma moeda única seja um objetivo a longo prazo, é importante que cada país mantenha sua soberania econômica e fiscal no curto prazo para garantir a estabilidade e o progresso em suas economias individuais.





A Espiral do Silêncio

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Proposto em 1977, pela socióloga alemã Elisabeth Noell – Neumann, a Espiral do Silêncio é um termo utilizado para descrever um fenômeno que é característico da conduta da mídia. Consiste em inibir as opiniões indesejadas, ou seja, contrárias às opiniões daquele órgão de imprensa em particular, transmitindo a impressão de que elas são minoritárias e de que expressá-las em público pode trazer isolamento e até marginalização. Assim, os indivíduos ficam temerosos em declarar abertamente suas ideias, porque elas já foram preliminarmente taxadas como irrelevantes, embora em primeira análise não aja meios de averiguar a veracidade dessa impressão.

Na particularidade brasileira, a presença do ente descrito por Noell aufere soberbos níveis de visualidade. Pois é justamente a Opinião majoritária que está sendo rotulada como minoritária, logo, marginalizada. Vê-se pelas pesquisas de opinião realizadas pelo Instituto Datafolha. Em 2020, um estudo encomendado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mostra que aproximadamente 86% dos brasileiros se declaram cristãos, 53% católicos e 33% evangélicos. Apenas 8% disseram não ter filiação religiosa. Outra pesquisa realizada pela mesma instituição, em 2021, afirmou que 54% dos entrevistados se opunham à legalização do aborto, enquanto apenas 36% se diziam a favor. Além disso, 51% dos entrevistados disseram ser contra uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, enquanto 45% mostravam-se favoráveis. Esses dados sugerem que os brasileiros tendem a ser conservadores em questões sociais e morais.

No entanto, desde a década de 1970, com a consolidação da rede televisiva mainstream, que a partir de então vem adotando pautas gradativamente mais orientadas ao progressismo em sua dramaturgia e grade de programas, o Brasil vê-se órfão de uma organização midiática que represente os reais anseios da população média. Há ainda a acepção do excecional, do raro, do divergente ou do anormal no que concerne à visão de mundo expressa pelo cidadão ordinário, com uma vaga tonalidade de que somente pessoas exóticas ou mentalmente perturbadas podem aderir a essas ideias, a não ser que estejam diretamente interessadas em determinados movimentos, quiçá sejam financiadas para isso. Tal proposição torna-se evidente ao analisarmos o retrato de núcleos familiares tradicionais nas telenovelas. Quase sempre disfuncionais, nota-se uma áurea de insinuações malévolas que não são apresentadas ostensivamente, mas ficam na atmosfera do enredo como uma ameaça rarefeita, ao passo que se relata com certo entusiasmo configurações alternativas.

Retornando ao campo da abstração conceitual, é importante que a intimidação gestada pela aparente hegemonia permaneça subliminar, porque caso se explicite muito, corre-se o risco de que a mesma venha a ser objeto de discussão, o que seria a antítese do movimento, como o próprio nome sugere de caráter silencioso. Trata-se de um jogo de impressões e emoções vagas, não aludindo propriamente a um processo de doutrinação ideológica, termo em voga e, portanto, não surpreendentemente banalizado, que em sua justa acepção baseia-se na imbuição dogmática.

Para que a espiral se imponha, basta haver uma coesão entre as concepções veiculadas pelos grandes comunicadores institucionais, que em conjunto operam de modo a excluir ideais desconformes a sua orientação primária, negando-lhes a possibilidade de expressão direta, mas sempre transmitindo-os de maneira caricatural por olhos alheios, descomprometidos intelectualmente e emocionalmente com eles. Pela prática da confirmação recíproca, esse pequeno grupo acaba metamorfoseando a sua interpretação da realidade, no padrão opinativo aceito naquela sociedade, via a simples passagem do tempo, onde gestam-se novas gerações, submissas a uma agora concretamente homogênea vontade.  Porém, o advento da informação descentralizada e distribuída, possibilitada pela revolução técnico-informacional, aparenta ter comprometido as estruturas da comunicação de massa, sendo decisória inclusive em eleições presidenciais, como a americana de 2016 e a brasileira em 2018. De todo modo, ainda é cedo para mensurar os efeitos desencadeados pela “livre” comunicação instantânea. Sem dúvidas, um dos cenários mais otimistas passa-se na cabeça do CEO do Twitter e da SpaceX, Elon Musk, que almeja transformar a plataforma homônima da Big Tech em uma espécie de Ágora contemporânea em escala global. Ao menos é neste sentido em que se tem pronunciado. Ou talvez cheguemos à conclusão do escritor e filosofo italiano Umberto Eco: “a internet deu voz aos imbecis”.

Entenda a Relação Entre Juros Altos e Inflação no Brasil: Por Que Não é Simples Reduzir a Selic?

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Nos últimos anos, a taxa de juros do Brasil, conhecida como Selic, tem sido um dos principais temas de discussão econômica. Com uma economia marcada por alta inflação e juros elevados, a Selic impacta diretamente no crescimento econômico e no custo do crédito para consumidores e empresas. Porém, a questão principal é: como reduzir essa taxa de forma sustentável?

No final de 2022, o Brasil viu uma leve retração de 0,2% no PIB, ainda que o crescimento anual tenha superado as expectativas, fechando em 2,9%. Para entender melhor, o Banco Central do Brasil (BC) tem mantido a Selic alta na tentativa de controlar a inflação, que persiste acima da meta estipulada. Isso visa combater a perda de poder de compra, especialmente entre as classes mais vulneráveis.

Por Que a Inflação Continua Alta?
Embora o BC esteja mantendo uma Selic elevada, as expectativas de inflação permanecem desestabilizadas. Após as eleições de 2022, o mercado previa uma redução gradual da Selic para 11,25% em 2023 e 8% em 2024. No entanto, com o anúncio de um aumento de gastos públicos por parte do novo governo, a curva de juros futuros se ajustou para cima.

Entre os fatores que contribuíram para essa incerteza, está a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) com a previsão de aumento no orçamento, inicialmente estimado entre R$ 60 e R$ 70 bilhões. Entretanto, as previsões subiram para um total de até R$ 200 bilhões, o que elevou a preocupação do mercado quanto à trajetória fiscal.

O Risco da Dívida Pública
O aumento de gastos pressiona a dívida pública, afetando diretamente as expectativas para a inflação e os juros futuros. Em um cenário onde os gastos ultrapassam R$ 100 bilhões anuais, a relação Dívida/PIB torna-se insustentável, o que demandaria novos cortes ou aumentos de receita para compensar o impacto.

Redução da Meta de Inflação: Solução ou Armadilha?
Recentemente, discutiu-se a possibilidade de elevar a meta de inflação, atualmente definida em 3% para 2024. A ideia é de que uma meta de inflação mais alta permitiria uma redução da Selic. No entanto, isso pode afetar a credibilidade do BC e tornar a política monetária menos eficaz.

Exemplo da Argentina
Um exemplo próximo dos riscos de flexibilizar a meta de inflação é a Argentina. Em 2017, a meta de inflação foi elevada de 10% para 15%. Esse ajuste fez com que a inflação e as expectativas de juros continuassem a subir, gerando um ciclo vicioso que, em 2022, resultou em uma inflação de 95% ao ano e níveis críticos de pobreza.

Conclusão
Reduzir a Selic é um desejo legítimo, mas deve ser feito de forma responsável e técnica. Para isso, é necessário o compromisso do governo com uma trajetória fiscal sustentável e uma comunicação clara de que os gastos públicos estão sob controle.

Inadimplentes perderão a CNH e Passaportes? 

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Nos últimos dias muito tem se falado a respeito da decisão em plenário do supremo tribunal federal com o resultado de 10 votos a 1 para se julgar constitucional a apreensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e o passaporte de pessoas inadimplentes (aqueles que possuem dividas). 

Ademais, vale ressaltar que tal julgado não leva a apreensão automática da CNH ou do passaporte. Isso porque, para que chegue a esse ponto, é necessário que haja um processo judicial para que ocorra a cobrança da dívida (e este necessita estar em sua fase de execução, onde não há mais debate se, de fato, o indivíduo possui tal débito). 

A decisão a respeito desse tema, foi no tocante da aplicabilidade constitucional das medidas coercitivas para que haja o pagamento da inadimplência. Entretanto, por mais que o placar da votação tenha sido favorável a constitucionalidade, os ministros que tiveram seus votos como maioria fizeram algumas ressalvas em seus juízos, as quais determinam que, para a aplicabilidade dessas medidas são necessários os atendimentos dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, além do zelo aos direitos fundamentais.  

Quem se utiliza da CNH para o trabalho, dessa maneira, não terá seu documento apreendido em razão da inadimplência. 

Ainda assim, esse tema gera preocupações na sociedade civil, visto que o perfil dos endividados brasileiros representa cerca de 65,19 milhões de pessoas segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), representando boa parcela da população adulta brasileira que pode ter seus documentos apreendidos. 

Posto isso, é evidente que a decisão do Supremo Tribunal Federal influenciará a dinâmica econômica brasileira, uma vez que forçará devedores buscarem novos métodos para quitar seus débitos e evitar a inadimplência para que não inflija as medidas coercitivas que outrora eram evitadas de serem aplicadas. 

A Esperança Como Armadilha no Day Trade: O Perigo da Positividade Exagerada para Traders

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Neste artigo de estreia, começo a explorar as principais emoções que impactam os investidores de day trade e os resultados de suas operações. Meu objetivo não é oferecer fórmulas mágicas para controle emocional, mas sim um guia prático para ajudar traders a reconhecer e gerenciar suas emoções.

Um dos maiores obstáculos para traders é o emocional. Muitas pessoas acabam negligenciando o impacto das emoções no mercado, especialmente em um contexto onde a ansiedade e outros distúrbios emocionais são tão comuns. De fato, muitos traders tentam “controlar o emocional” sem perceber que as emoções não podem ser totalmente controladas, mas sim direcionadas com inteligência.

Hoje, vamos falar sobre um sentimento que pode ser perigoso para os traders: a esperança. Essa emoção, impulsionada por uma positividade excessiva, muitas vezes atrapalha ao fazer com que o trader ignore a realidade do mercado. Redes sociais, por exemplo, promovem essa visão de que “tudo dará certo” e que com positividade se consegue qualquer coisa. No entanto, essa esperança pode se transformar em uma armadilha quando o mercado não segue o rumo esperado.

Esperança em Posições Perdedoras
Muitos traders mantêm posições perdedoras na esperança de que o mercado se recupere, mas essa expectativa pode levar a perdas maiores. É importante lembrar que o mercado não vai ao seu favor simplesmente porque você deseja que ele mude de direção. Na prática, saber a hora de zerar uma posição perdedora e aguardar novas oportunidades é fundamental para preservar seu capital.

Esperança Mesmo em Posições Vencedoras
O efeito da esperança é duplo, pois mesmo quando uma operação está indo bem, a positividade exagerada pode levar o trader a não encerrar o trade na hora certa. Com isso, a pessoa se vê arriscando os ganhos, esperando que o mercado continue favorecendo sua posição. Isso pode, muitas vezes, resultar na perda de um lucro já obtido.

Desenvolvendo uma Mentalidade Realista
A chave para uma performance consistente no day trade é uma mentalidade realista e fundamentada. Abandonar a esperança e focar em um plano de trading estruturado e baseado em análises racionais ajuda a melhorar o controle emocional, evita a impulsividade e pode ser a base para decisões mais assertivas.

Conclusão
O mercado financeiro é implacável para aqueles que se deixam levar pelas emoções. Para ter sucesso no day trade, os traders precisam entender que o mercado opera por suas próprias regras e não responde a desejos ou expectativas. Em vez disso, os resultados vêm de uma abordagem disciplinada e baseada em riscos calculados.

Benjamin Graham e o valor intrínseco de uma ação

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O economista e professor Benjamin Graham (1894-1976) é amplamente considerado o pai do investimento em valor, uma estratégia que busca prospectar e investir em papeis (ações) subvalorizadas pelo mercado. Tendo em sua autoria um clássico praticamente unanime no mundo dos investimentos, o livro “O investidor inteligente”.

Uma das principais contribuições de Graham para a teoria de investimentos é a fórmula de valor intrínseco. Trata-se de um modelo matemático que é utilizado para estimar o valor justo de uma empresa, ou seja, o seu valor real.

O modelo presente em “O investidor inteligente” segue a seguinte fórmula:

VI = √ (22,5 x LPA x VPA)

Descreve-se da seguinte forma: o Valor Intrínseco é calculado pelo LPA, significando Lucro Por Ação, dado por lucro líquido dividido pelo número de ações em circulação e VPA que designa Valor Patrimonial Por Ação, que é igual ao patrimônio líquido dividido pelo número de ações em circulação. A constante 22,5 foi determinada pela experiência pessoal do autor, já que ele aceitava pagar, no máximo, 15 vezes pelo lucro de um negócio e 1,5 vez pelo patrimônio líquido, portanto: 15 x 1,5 = 22,5.

A teoria de Graham é baseada na suposição de que o mercado é eficiente a longo prazo e que o preço de uma ação eventualmente se aproximará do seu valor intrínseco. Logo, se um papel estiver sendo negociado abaixo do seu preço justo, ele pode ser considerado uma oportunidade de compra. Por outro lado, se uma ação estiver cotada acima desse referencial, configurará uma oportunidade de venda.

Outro ponto marcante em sua trajetória foi seu relacionamento com aquele que viria a ser reconhecido como o maior investidor de todos os tempos: Warren Buffet. O fundador da Berkshire Hathaway, empresa na presente data avaliada em mais de 600 bilhões de dólares, foi aluno de Graham na Universidade de Columbia e, posteriormente, tornou-se seu pupilo e amigo próximo. A filosofia de investimentos de seu professor, baseada em análises fundamentais e disciplina, modulou a abordagem do Oráculo de Omaha, e é vastamente considerada como uma das principais razões por trás de seu sucesso no mundo dos negócios.

 A fórmula proposta pelo mentor de Warren Buffett é uma ferramenta útil para investidores de longo prazo que desejam investir em empresas sólidas com fundamentos saudáveis. Podendo ser usada para avaliar empreendimentos de qualquer setor (a exceção do de tecnologia) ou tamanho, desde pequenas empresas locais ou até grandes multinacionais. No entanto, é importante lembrar que a fórmula de Graham é apenas um instrumento quantitativo e que outros fatores, como as perspectivas do setor, a gestão de negócio e o ambiente regulatório, também devem ser levados em consideração no processo decisório de investimento.

Em resumo, a fórmula de valor intrínseco de Benjamin Graham é um recurso importante para os investidores em valor, mas deve ser usada com cautela e em associação a outras análises. É um lembrete importante de que o valor de uma empresa é mais do que seu preço de mercado e que investir em negócios subvalorizados pode ser uma estratégia de investimento lucrativa a longo prazo. Isso implica dizer que uma análise assertiva decorre do fato do analista se abster de preocupar-se com movimentos fortuitos de mercado, concentrando-se em identificar assimetrias causadas pelos vieses de medo e ganância de outros investidores mais emotivos e impacientes.

Payroll

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Muitas vezes, os investidores iniciantes, se deparam com alguns termos diferentes e confusos, relacionados tanto a economia quanto ao mercado de capitais. Dentre esses conceitos, vemos o, Nonfarm- Payroll, ou como é conhecido popularmente, Payroll.

O que é o Payroll?

Na tradução, Payroll significa “folha de pagamento” e mostra os principais dados relacionados a criação de novas vagas de emprego não-agrícolas, relacionados ao mês anterior, dos Estados Unidos. Ele é divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS). Em dias de sua divulgação, que geralmente são na primeira sexta-feira do mês às 8h30 de Washington D.C., os mercados, principalmente, bolsas de valores e futuros cambias, tendem a operarem com grande volatilidade. Este cenário de grande volatilidade pode beneficiar algumas pessoas dentro do mercado, que são os Traders. Como sua estratégia é a compra e venda de ativos no intraday (mesmo dia), a volatilidade antes e depois do resultado pode lhes proporcionar boas operações com lucro.

Qual sua finalidade?

Como o já dito, o Payroll, mostra a saúde empregatícia dos Estados Unidos e sua análise é de suma relevância e, por estarmos tratando da maior economia do mundo, ele se apresenta como um “termômetro” da economia norte americana. Quando o resultado da criação de empregos vem abaixo ou igual ao esperado, pode-se dizer que a economia terá uma estagnação ou arrefecimento, trazendo assim uma queda na arrecadação federal e encolhimento do PIB. Por outro lado quando o resultado vem acima do esperado, podemos constatar um aquecimento econômico, com maiores arrecadações, alta no PIB e valorização do dólar perante as moedas internacionais.

Relação Payroll x Inflação

É de se esperar que a inflação aumente quando os números do Payroll saem muito maior que o esperado. De primeiro momento temos uma alta nos trabalhadores que passaram a receber salários, assim, mais salários, significa mais dinheiro circulando na economia e, portanto, sendo gasto, porém a oferta dos produtos comercializados não acompanha a demanda em tão curto espaço de tempo, trazendo uma alta nos preços e concomitantemente a alta na inflação.

Outros indicadores relevantes do Payroll


Ganho médio por hora

Com este indicador podemos ter a noção da variação do valor médio recebido por hora trabalhada. Os resultados obtidos nesse relatório podem influenciar no poder de consumo da população, uma vez que mostra um aumento ou queda da renda pessoal.

Balança comercial

Neste índice, registra-se a diferença entre as importações e exportações. Maior demanda dos produtos fabricados nos EUA, representa maior exportação, e, consequentemente, valorização da moeda local, o Dólar.

Desemprego

Um dos principais objetivos do Payroll é relatar a porcentagem de pessoas, em idade ativa, que durante os 30 dias anteriores foram a procura de vagas de trabalho.


Em geral, o Payroll, irá nos informar a condição da economia dos Estados Unidos, não somente no macroeconômico, como também no microeconômico, ressaltando a capacidade gerar empregos para as industrias e comércios. Servindo como uma forma de medir a temperatura de seu país.

Como as sanções contra a Rússia afetam o status do dólar como moeda global

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Dolar e Yuan
Face a face da nota de dólar dos EUA e da nota de Yuan da China para as 2 maiores economias do mundo,

A economia chinesa está bem perto de ultrapassar a dos EUA e muitos se perguntam se o yuan será o próximo concorrente ao dólar como a moeda global dominante. Uma vez que uma moeda se estabelece, é muito difícil de ser substituída, mesmo que seja uma economia poderosa como a da China que o faz. Isso foi demonstrado quando, apesar dos choques da crise de crédito em 2007, o comportamento dos investidores em todo o mundo ainda favoreceu o dólar. Em 2019, o dólar foi utilizado em quase 90% dos negócios de câmbio e, atualmente, representa cerca de 59% das reservas cambiais globais. No entanto, a recente guerra da Rússia contra a Ucrânia pode ter um impacto no status do dólar como moeda global.

Sanções foram impostas contra a Rússia que, combinadas com a apreensão de ativos privados de oligarcas russos, efetivamente neutralizaram metade das reservas cambiais da Rússia. Isso é significativo, porque muitos bancos centrais, especialmente nos mercados emergentes, mantêm essas reservas para salvaguardar o valor e a capacidade de troca de suas próprias moedas. Isso levou Pequim e outras economias emergentes a se preocuparem com sua própria dependência do dólar.

Desde a crise de 2008, a China tem questionado o papel do dólar e chegou a aventar a ideia de uma moeda “super-soberana” para transações internacionais. A China parece ter se resignado a usar a moeda dos EUA internacionalmente, com o Ministério das Finanças vendendo títulos soberanos em dólares nos últimos anos, para dar às empresas chinesas benchmarks para os custos de empréstimos offshore. Os bancos chineses detêm mais de US$ 1 trilhão em depósitos em dólares, a China possui mais de US$ 1 trilhão em títulos do Tesouro dos EUA e os mutuários chineses têm cerca de US$ 534 bilhões em títulos em circulação.

Porém, a situação com a Rússia pode mudar as coisas. Os EUA isolaram a Rússia, barrando transações com seu banco central e trabalharam para limitar o acesso das instituições financeiras russas ao sistema SWIFT, usado em pagamentos transfronteiriços. A Rússia é a 11ª economia do mundo, mas a ação dos EUA contra ela pode ser vista como um alerta para outros países de que a dependência excessiva do dólar pode ser perigosa.

A China é a economia que tem o potencial de desafiar a hegemonia da moeda americana, em virtude da grande quantidade de parcerias estratégicas que vem desenvolvendo, principalmente, no âmbito da Belt and Road Initiative (BRI). Nesse interim, a crise na Rússia pode ser o catalisador ideal para mudanças mais significativas no cenário financeiro global.

Um possível resultado dessa crise é que os países de economias emergentes se unam para criar um sistema alternativo de pagamentos internacionais que não dependa do dólar. Isso pode significar o aumento da utilização de moedas locais, como o yuan chinês, o rublo russo e o real brasileiro, para transações internacionais.

Entretanto, é importante lembrar que a hegemonia do dólar é resultada de muitos fatores, incluindo a força da economia americana e o papel dos Estados Unidos no cenário geopolítico global. Substituir o dólar como a moeda dominante pode levar décadas e, por si só, ser algo impraticável neste século.

De fato, a crise na Rússia está alimentando o debate sobre a moeda de reserva global e as possíveis implicações para o sistema financeiro internacional. Embora a China seja a economia que poderia apresentar o potencial de desafiar a hegemonia do dólar, ainda é preciso que diversos fatores se alinhem em um cenário muito complexo para vermos um real risco a hegemonia da moeda Americana.