Ataque de houthis danifica prédio da Aramco no distrito financeiro de Riad


Janelas de vários andares da sede corporativa da Saudi Aramco, em Riad, foram estilhaçadas neste domingo, em uma tentativa de ataque reivindicada pelos houthis. O Ministério da Energia saudita informou que os danos à Torre Aramco foram limitados e que não houve mortos ou feridos, enquanto a coalizão liderada pelo reino disse ter interceptado mísseis sobre a capital.

O episódio amplia a sequência de confrontos entre a Arábia Saudita e o grupo iemenita, alinhado ao Irã, em meio à guerra mais ampla envolvendo Estados Unidos, Israel e Teerã. O Ministério da Energia não atribuiu oficialmente a responsabilidade pelo ataque ao prédio, embora os houthis tenham reivindicado a ação.

Defesas sauditas interceptaram mísseis

Segundo a coalizão liderada por Riad, as defesas aéreas sauditas interceptaram mísseis houthis sobre a cidade nas primeiras horas da madrugada. A aliança também informou que um míssil foi interceptado no domingo na Província Oriental, região onde se concentra a maior parte das reservas de petróleo e gás do país.

A coalizão afirmou ainda que destruiu dois lançadores de mísseis balísticos em Saada, no Iêmen. De acordo com o grupo, os equipamentos foram usados no ataque contra Riad. Os houthis têm intensificado ações contra instalações da Aramco nas últimas semanas, entre elas a sede da empresa em Dhahran, na Província Oriental.

A Arábia Saudita é o maior exportador mundial de petróleo bruto, e a Província Oriental concentra parte central de sua infraestrutura energética. O relato disponível não informa interrupções na produção ou nos serviços da companhia após os danos à torre.

Grupo também cita aeroporto de Riad

Desde setembro, os houthis ampliaram ataques com mísseis e drones contra portos e aeroportos sauditas. O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, afirmou que o aeroporto internacional de Riad foi um dos alvos dos ataques de domingo. As autoridades sauditas, porém, não confirmaram essa informação.

Um ataque ao aeroporto em outubro matou 13 pessoas e deixou mais de 300 feridos. A notícia não informa se os ataques mais recentes provocaram danos ou vítimas em outros pontos da capital além das janelas quebradas na sede da Aramco.

Apesar da escalada, a rotina presencial começou a ser retomada no reino. Muitas escolas voltaram às aulas presenciais neste domingo, após semanas de ensino à distância. Diversas agências do governo também retomaram o trabalho nos escritórios, suspenso depois de ataques anteriores dos houthis.

Avanço perto de rota marítima estratégica

Os confrontos entre os houthis e a coalizão que apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen se intensificaram depois que o grupo avançou, em setembro, em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb. A passagem marítima fica do outro lado da Península Arábica em relação ao Estreito de Ormuz e é considerada estratégica.

Em resposta aos ataques, a Arábia Saudita tem realizado bombardeios contra alvos houthis no Iêmen. A nova escalada ocorreu um dia depois de o Ministério da Saúde iemenita, controlado pelos houthis, afirmar que ataques aéreos sauditas mataram ao menos 33 pessoas perto de Sanaa. Autoridades sauditas disseram que investigavam o caso.

Riad combina ofensiva e diplomacia

O reino, aliado dos Estados Unidos, tem pedido apoio de países da Europa e do Oriente Médio, além dos norte-americanos, para ações defensivas e ofensivas contra o grupo iemenita. Ao mesmo tempo, busca uma saída diplomática para a crise.

No mês passado, altos funcionários de Riad, Ancara e Islamabad — países do Pacto de Defesa de Meca — se reuniram com autoridades iranianas em Teerã. Depois do encontro, o governo iraniano afirmou que as conversas com a Arábia Saudita continuavam, com o objetivo de buscar novos acordos de segurança regional sem envolvimento militar estrangeiro.

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