A Meta recebeu R$ 520,9 milhões em despesas de campanhas nas eleições de 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor supera em 33,6% os R$ 389,9 milhões registrados nas quatro eleições anteriores somadas, em um cenário no qual o Google não veiculou anúncios político-eleitorais.
Gastos com a Meta avançam
O montante destinado à Meta, empresa que controla Facebook e Instagram, ficou R$ 130,9 milhões acima da soma das despesas dos quatro pleitos anteriores. Os números incluem gastos com impulsionamento, modalidade de publicidade paga que amplia a distribuição de publicações nas redes sociais.
A comparação também mostra crescimento após o ajuste pela inflação. Corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com base em setembro de 2026, os gastos anteriores equivaleriam a R$ 460,98 milhões. Nesse cálculo, a diferença para os R$ 520,9 milhões de 2026 é de R$ 59,9 milhões, ou 13%.
Os dados indicam que as candidaturas mantiveram a aposta nas redes sociais mesmo com a ausência do Google no mercado de anúncios eleitorais. A empresa interrompeu a veiculação de publicidade política e eleitoral em 2024 e manteve a proibição em 2026. Esta foi, portanto, a segunda eleição sem anúncios desse tipo na plataforma.
A saída do Google não impediu o aumento das despesas com as plataformas da Meta. Os valores informados pelo TSE mostram que Facebook e Instagram concentraram pagamentos de campanhas em 2026, enquanto o Google aparece nos registros de eleições anteriores, quando ainda veiculava anúncios eleitorais.
Flávio Bolsonaro lidera entre candidatos
O maior gasto individual com impulsionamento em 2026 foi o da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aplicou R$ 18,5 milhões nas duas plataformas da Meta. A quantia equivale a pouco mais da metade, ou 52,9%, de todas as despesas com Facebook e Instagram registradas nas eleições de 2018, após correção pela inflação.
O valor também representa um salto em relação ao gasto da campanha de Jair Bolsonaro (PL) em 2022. Naquele pleito, ela liderou as despesas com Facebook e Instagram, com R$ 5,18 milhões. Considerada a inflação, o desembolso de 2026 é 197,4% maior, praticamente três vezes o registrado quatro anos antes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou R$ 13,5 milhões nas duas plataformas em 2026. A cifra corresponde a 38,6% da soma das despesas de 2018 corrigida pelo IPCA. Em 2022, os gastos de sua campanha com Facebook e Instagram foram de R$ 1,8 milhão.
Google teve peso nas eleições anteriores
Em 2022, quando o Google ainda veiculava publicidade eleitoral, a campanha de Lula investiu R$ 22,9 milhões em anúncios na empresa. A de Jair Bolsonaro gastou R$ 27,8 milhões, valor que manteve o então candidato na liderança dos desembolsos com a plataforma.
Entre 2018 e 2022, o faturamento do Google com campanhas eleitorais somou R$ 140,94 milhões em valores nominais. Atualizado pela inflação, o total chega a cerca de R$ 172,9 milhões. A comparação ajuda a dimensionar a presença que a empresa teve no mercado antes de suspender os anúncios políticos e eleitorais.
Os gastos do Google também se concentraram em 2022. O total daquele ano correspondeu a 89,7% do valor registrado nas três eleições analisadas. Em relação a 2020, o montante cresceu quase 17 vezes. Na eleição municipal daquele ano, Facebook e Google tiveram valores praticamente empatados no ranking de fornecedores.
Comparações dependem da inflação
As cifras nominais mostram o dinheiro efetivamente registrado em cada período, mas não consideram a mudança no poder de compra. Por isso, a comparação corrigida pelo IPCA oferece outra medida da evolução dos gastos. No caso da Meta, a diferença cai de R$ 130,9 milhões para R$ 59,9 milhões quando os valores anteriores são atualizados para setembro de 2026, mas permanece positiva.
Os dados do TSE permitem observar tanto o total aplicado nas plataformas quanto as diferenças entre campanhas e eleições. Com a interrupção dos anúncios eleitorais pelo Google, os registros de 2026 mostram a concentração das despesas de impulsionamento na Meta e a liderança de Flávio Bolsonaro entre os candidatos em valores investidos nas duas redes.

