Bancos da zona do euro registram queda na demanda por empréstimos


Os bancos da zona do euro endureceram os critérios para conceder empréstimos a empresas nos três meses encerrados em setembro, enquanto a procura por crédito diminuiu. Segundo a Pesquisa sobre Empréstimos Bancários (BLS, na sigla em inglês), divulgada pelo Banco Central Europeu (BCE) nesta terça-feira, 27, o aumento do risco percebido em meio à guerra entre os Estados Unidos e o Irã foi um dos principais motivos para a restrição.

Risco geopolítico pesa nas decisões

O BCE informou que a percepção de risco elevada e a menor disposição dos bancos para assumi-lo continuaram entre os principais fatores por trás do endurecimento dos padrões de crédito. Algumas instituições também relataram pressão crescente associada à incerteza geopolítica e à evolução do cenário energético.

Na prática, padrões mais rigorosos significam que os bancos aplicaram critérios mais restritivos na avaliação dos pedidos de financiamento empresarial. A pesquisa apontou que aumentou, ao longo do trimestre, a proporção de solicitações de empréstimo rejeitadas. O relatório não detalhou o percentual de recusas nem quantos pedidos foram apresentados.

O levantamento mostra, assim, uma mudança nas condições de oferta de crédito: além de adotarem maior cautela na aprovação, os bancos rejeitaram uma parcela maior dos pedidos. O BCE relacionou essa postura ao risco percebido e à tolerância menor das instituições, em um contexto de incerteza geopolítica e energética.

Procura por crédito também recua

A demanda por empréstimos caiu no trimestre, apesar de os bancos esperarem um movimento diferente. De acordo com a pesquisa, o aumento dos custos de captação foi o principal fator associado à redução da procura. O relatório não especificou quais custos subiram nem apresentou valores para a queda na demanda.

O recuo da procura e o endurecimento dos critérios são movimentos distintos registrados no mesmo período. O primeiro diz respeito ao interesse das empresas em obter crédito; o segundo, às condições aplicadas pelos bancos para aprovar financiamentos. A pesquisa do BCE aponta que ambos ocorreram nos três meses até setembro, mas não quantifica a dimensão de cada variação.

Para as empresas, a combinação descrita pelo levantamento indica um ambiente de acesso ao crédito mais restrito: houve menos procura e uma proporção maior de pedidos recusados. Ainda assim, os dados divulgados não permitem determinar quantas companhias foram afetadas nem medir o efeito sobre decisões de investimento ou despesas.

Empréstimos novos avançam em setembro

Em um relatório separado, o BCE informou que o volume de novos empréstimos concedidos a empresas aumentou de 11 bilhões de euros em agosto para 13 bilhões de euros em setembro. O avanço mensal ocorreu apesar da queda na demanda apontada pela pesquisa trimestral.

Os dois dados descrevem medidas diferentes. A pesquisa reúne avaliações dos bancos sobre as condições de concessão e a procura por crédito ao longo de um trimestre; o número de novos empréstimos informa o valor concedido em um mês específico. Por isso, a alta de agosto para setembro não elimina o resultado da pesquisa sobre a redução da demanda no período, nem altera o registro de critérios mais rígidos e de maior proporção de pedidos rejeitados.

O BCE não apresentou, no material divulgado, uma explicação adicional para o aumento dos novos empréstimos em setembro. Os números disponíveis mostram, portanto, uma alta no valor mensal concedido ao mesmo tempo que os bancos relataram menor procura por crédito e maior cautela na aprovação de financiamentos empresariais.

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