O Brasil produziu aproximadamente 1,6 milhão de toneladas de maçã na safra 2025/26, o maior volume de sua história, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM). A oferta quase dobrou em relação às duas safras anteriores e superou o recorde de 1,3 milhão de toneladas de 2017, contribuindo para reduzir os preços no mercado interno e ampliar o acesso dos consumidores à fruta.
O diretor executivo da ABPM, Moisés Lopes de Albuquerque, afirmou que a safra teve volume expressivo e frutos de qualidade. Segundo ele, o resultado demonstra a capacidade da cadeia brasileira, que reúne tecnologia e conhecimento técnico. Rio Grande do Sul e Santa Catarina concentraram a maior parte da produção nacional.
Exportações avançam, mas ficam abaixo da projeção
Os embarques de maçã passaram de 13 mil toneladas em 2025 para 48,6 mil toneladas em 2026, com receita de US$ 49,6 milhões. A Índia foi o principal destino, com 18,1 mil toneladas, seguida pela Arábia Saudita, que comprou 10,1 mil toneladas.
O resultado ficou abaixo da projeção de 100 mil toneladas da ABPM. A entidade atribuiu a diferença a entraves comerciais e logísticos relacionados ao conflito no Oriente Médio. Para a safra 2026/27, as condições iniciais são consideradas positivas, com inverno favorável e florada abundante. A colheita das variedades Gala e Fuji está prevista para o início de 2027.
A abertura de mercados como México e Malásia é apontada como uma forma de diversificar os destinos das exportações, ampliar as vendas externas e equilibrar a oferta nacional. Na Rasip Agro, unidade de negócios da RAR Agro & Indústria, a preparação para a próxima safra inclui 6.470 colmeias e cerca de 350 milhões de abelhas da espécie Apis mellifera, para polinizar 1.385 hectares de macieiras. O volume de colmeias cresceu 17% em relação ao ciclo anterior. A operação envolve 27 fornecedores apícolas e ocorre em pomares de Vacaria (RS).
Crédito rural e novos negócios no agro
O Banco do Brasil contabilizou R$ 16 bilhões em operações para renegociar dívidas rurais no âmbito da Medida Provisória (MP) 1.376/26. Do total informado na quinta-feira (22), R$ 3,9 bilhões correspondiam a contratos já despachados, R$ 6,1 bilhões estavam na etapa final de contratação e R$ 6 bilhões passavam por verificação de documentos nas agências.
O banco pretende usar os R$ 12,4 bilhões em recursos equalizados destinados à instituição e acrescentar recursos próprios para superar R$ 20 bilhões em renegociações até 12 de novembro, quando termina a vigência da medida. Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios do BB, orientou produtores inadimplentes a procurar o banco para reorganizar as finanças e recuperar o acesso ao crédito rural.
A Bioo, que produz biometano a partir de resíduos agroindustriais, assinou um contrato vinculante com um comprador europeu para negociar Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOBs). É o primeiro contrato desse novo instrumento divulgado publicamente no Brasil, com entrega prevista até o fim do ano. Os certificados representam o atributo ambiental do biocombustível, negociado separadamente do produto físico, e atendem ao mercado voluntário europeu. A conclusão depende de auditorias e da ativação, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), do sistema de lastro por notas fiscais. A meta de 0,5% fixada pelo Conselho Nacional de Política Energética para 2026 equivale a 181,7 milhões de metros cúbicos por ano; o mercado de certificados pode movimentar R$ 4 bilhões anuais.
No setor de biocontrole, WBGI Venture Builder e KPTL transferiram suas participações na agtech Pragas.com aos fundadores Leandro Silva e Cristiane Tibola. O investimento havia começado em 2020, e os termos financeiros da saída não foram divulgados. A KPTL investiu por meio do fundo FIP Finep Startup 1. Já a NOVA, multinacional argentina de biotecnologia e nutrição vegetal, prevê faturar R$ 600 milhões no Brasil até 2036. A empresa planeja instalar uma estrutura industrial local nos próximos quatro anos.
Tecnologia e riscos na produção
A agtech brasileira GeoIA desenvolveu um sistema de inteligência artificial que usa imagens de drones para mapear linhas de cana-de-açúcar e orientar colheitadeiras. A ferramenta busca evitar o pisoteio das soqueiras, parte da planta que volta a crescer após o corte. Em áreas de 30 hectares, a empresa estima que a tecnologia pode evitar prejuízos superiores a R$ 110 mil por safra e perdas de 732 toneladas de matéria-prima por corte. A plataforma, adotada por Raízen, São Martinho, Tereos e Adecoagro, processa os dados em menos de 24 horas.
A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul alertou para contratos que substituem a Cédula Rural Pignoratícia por Cédulas de Crédito Bancário com alienação fiduciária da produção. Segundo a entidade, esse tipo de garantia transfere a propriedade dos grãos ao credor, que, em caso de inadimplência, pode tomar a safra e vendê-la sem ação judicial, leilão ou avaliação prévia. A Federarroz recomenda que agricultores revisem as cláusulas antes de assinar financiamentos.
A Agropalma também desenvolveu um sistema de informação geográfica, com inteligência artificial, para monitorar o clima e mapear focos de calor no Pará. A plataforma combina dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da NASA para emitir alertas diários e orientar equipes de combate a incêndios. O monitoramento cobre as operações da companhia e uma área de cinco quilômetros ao redor de suas propriedades, alcançando 445 agricultores familiares e 64 produtores integrados.
Trigo, florestas e azeite
O Brasil poderá importar de 9,5 milhões a 10 milhões de toneladas de trigo em 2027, segundo projeções apresentadas no Congresso Internacional da Indústria do Trigo, da Abitrigo. A produção nacional é estimada em 5,12 milhões de toneladas, queda de 37% e volume suficiente para cerca de 36% do consumo interno. A Argentina deve continuar como principal fornecedora. A menor oferta também pressiona a logística portuária e exige maior eficiência na moagem.
Santa Catarina liderava a área de pinus no país em 2024, com cerca de 714 mil hectares. A região Sul concentrava 89% dos plantios nacionais, ou 1,7 milhão de hectares. No estado, a cadeia florestal reunia 103,3 mil postos de trabalho e 11,4 mil empresas.
Em visita ao Brasil, o Conselho Oleícola Internacional discutiu a estabilidade da produção de azeite e o controle de qualidade de importados. A missão passou por Bagé e Canguçu (RS) e avançou nas conversas sobre a adesão formal do país ao organismo. O Instituto Brasileiro de Olivicultura afirmou atuar com o Ministério da Agricultura para combater azeites de baixa qualidade rotulados como extravirgens.

