Ativistas de esquerda distribuem nos Estados Unidos cartazes com a foto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a palavra “procurado”, acompanhada de acusações como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção. O material é uma manifestação política, não um aviso oficial: Flávio não é considerado foragido, não foi condenado por esses crimes e não consta como procurado pela Justiça. A circulação das peças ocorre enquanto o senador está nos Estados Unidos e é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Cartazes não têm caráter oficial
As peças apresentam uma lista de supostos crimes atribuídos ao parlamentar, incluindo também delitos contra o Estado Democrático de Direito. A palavra “procurado” e a forma de apresentação podem sugerir uma busca por autoridades, mas o material foi produzido por ativistas e não corresponde a uma ordem judicial nem a um comunicado policial.
Flávio é investigado em dois casos que tramitam no STF. Um deles, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O outro investiga o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A existência de investigações, por si só, não significa que uma pessoa tenha sido condenada ou esteja foragida. No caso do senador, a fonte informa que houve autorização judicial para apreender seus documentos e impedir sua saída do Brasil, mas também afirma que ele não é classificado como foragido nem aparece como procurado pelas autoridades.
Pedido de apreensão do passaporte
Flávio deixou o Brasil dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro. Ele viajou com a mulher e as duas filhas adolescentes. Segundo a notícia, o senador temia possíveis decisões de Moraes.
A Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte do parlamentar sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciar o resultado da votação, às 21h09 daquele domingo. Moraes autorizou o pedido e a proibição de saída do país.
A sequência dos fatos não altera a distinção entre a decisão sobre os documentos e a condição de procurado. O pedido da Polícia Federal e a autorização judicial para apreender o passaporte e impedir a saída do Brasil não significam, segundo a notícia, que Flávio tenha sido declarado foragido. Por isso, os cartazes nos Estados Unidos devem ser entendidos como manifestações de ativistas, e não como avisos emitidos por autoridades.
Governo dos EUA nega participação
Além das acusações, os cartazes atribuem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participação na saída de Flávio do Brasil e tentativa de interferência nas eleições brasileiras. O governo norte-americano nega envolvimento direto na viagem do senador.
No sábado (31), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo não participou da saída de Flávio do território brasileiro. Trump autorizou a entrada do parlamentar nos Estados Unidos e declarou que ele poderia permanecer no país pelo tempo que desejasse.
O governo brasileiro havia manifestado preocupação com uma possível interferência estrangeira no processo eleitoral. Antes do segundo turno, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que representantes do governo Trump tinham participado do debate eleitoral.
Flávio continua nos Estados Unidos. No domingo (1º), participou de um culto evangélico na igreja Celeiro, em Fort Lauderdale, na Flórida. Imagens divulgadas pela própria instituição mostraram o senador acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e da cunhada, Heloísa Bolsonaro.

