A safra de soja 2026/27 do Paraná foi estimada em 22,75 milhões de toneladas, recorde e acima das 22,59 milhões previstas em setembro, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), órgão do governo estadual. A revisão considera uma produtividade média maior, mas o excesso de chuvas e o avanço mais lento do plantio aumentaram a preocupação com as condições das lavouras e com a produção final.
A estimativa atual representa crescimento de 4% em relação à safra anterior. O Deral elevou a produtividade esperada para 3.961 quilos por hectare, ante 3.934 quilos por hectare na projeção anterior. O indicador corresponde à quantidade média de grãos prevista para cada hectare plantado.
Apesar dos números, a semeadura perdeu ritmo após um começo acelerado. Nesta semana, o plantio havia alcançado 62% da área planejada no Estado. As precipitações têm dificultado o avanço das máquinas e, segundo o Deral, também começam a afetar as condições das plantações.
Excesso de chuva preocupa produtores
Edmar Gervásio, especialista do Deral, afirmou que a revisão da produção é, por enquanto, um ajuste nos números. “Ainda é muito cedo para cravarmos algum cenário seja positivo ou negativo”, disse. Ele acrescentou que as chuvas já provocaram piora nas condições das lavouras e que, se persistirem, podem levar a uma redução efetiva da expectativa de produção.
O excesso de precipitação associado ao El Niño é um dos fatores de cautela para a safra. Dados da LSEG indicam que algumas regiões paranaenses registraram volumes elevados de chuva nos últimos 30 dias. No sudoeste do Estado, o acumulado passou de 400 milímetros, quase 200 milímetros acima do normal para o período. Os mapas meteorológicos também apontavam previsão de precipitações acima da média na semana seguinte.
Segundo Gervásio, a chuva excessiva já provocou erosões localizadas, rompimento de curvas de nível e lixiviação do solo, processo em que a água carrega componentes do solo. Esses problemas podem contribuir para um crescimento desigual das plantas e elevar os custos com tratos culturais, que incluem os manejos feitos durante o cultivo.
O especialista também apontou que a redução dos dias de sol prejudica a fotossíntese e pode alongar o ciclo das plantas. Caso as condições continuem desfavoráveis, ainda há tempo para replantio, afirmou. A possibilidade, porém, não altera a cautela do Deral diante do volume de chuva e dos efeitos já observados nas lavouras.
Paraná pode ser o segundo maior produtor
A primeira projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que o Paraná tem potencial para ocupar o segundo lugar entre os produtores de soja do país na safra 2026/27, atrás apenas de Mato Grosso. O resultado dependerá do desenvolvimento das lavouras e das condições climáticas ao longo do ciclo, que ainda está em andamento.
A projeção recorde divulgada pelo Deral reflete uma revisão positiva da produtividade esperada, mas não elimina os riscos ligados ao clima. O órgão ainda não apresentou uma estimativa de perdas causadas pela chuva na soja. Gervásio disse que a continuidade das precipitações pode se traduzir em redução da produção prevista, enquanto o ritmo do plantio e as condições das áreas seguem sob atenção.
Trigo tem estimativa reduzida
Para o trigo, o Deral reduziu a previsão de produção para 1,9 milhão de toneladas, ante 2,136 milhões na estimativa do mês anterior. A nova projeção representa uma queda de 34% em relação ao ano passado. A produção menor se soma a uma área semeada 12% inferior em 2026 na comparação com 2025. Segundo a notícia, os produtores foram desestimulados pelos preços e também demonstraram cautela diante dos efeitos do El Niño.
O agrônomo do Deral Carlos Hugo Godinho afirmou que as culturas de inverno tiveram perdas em função das chuvas excessivas. Ele explicou que a precipitação prejudicou a fotossíntese, impediu a entrada de equipes nas áreas encharcadas para o manejo fitossanitário e dificultou o controle de doenças nas plantas. Também houve obstáculos para a entrada das colheitadeiras e para a secagem dos grãos, fatores que afetam a colheita e mantêm a preocupação com a qualidade do cereal produzido.
Já a primeira safra de milho do Paraná foi estimada em 4,08 milhões de toneladas em 2026/27, sem alteração em relação à previsão de setembro. Caso se confirme, o volume será 2% menor que o da safra anterior.

